É fundamental evitar alimentos ultraprocessados, embutidos e carnes processadas para não desenvolver o câncer colorretal (Adobe Stock) O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Um dos casos mais recentes que trouxeram visibilidade à doença foi o diagnóstico da cantora Preta Gil, em janeiro de 2023. A artista vem compartilhando sua jornada de tratamento nas redes sociais, o que ressalta a importância do diagnóstico precoce, essencial para aumentar as chances de cura. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O oncologista clínico Gabriel Zanardo, da Oncomed, esclarece os principais mitos e verdades sobre a doença. Por exemplo, uma alimentação saudável tem papel essencial na prevenção do câncer colorretal. O consumo de fibras, presentes em frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas, ajuda a regular o funcionamento intestinal e reduzir a exposição da mucosa do intestino a substâncias carcinogênicas. Além disso, é fundamental evitar alimentos ultraprocessados, embutidos e carnes processadas. A moderação no consumo de álcool e o não tabagismo também são fatores importantes para diminuir as chances de desenvolver o câncer de intestino. Quanto à hereditariedade, apenas 10% dos casos de câncer colorretal têm essa origem. Embora a maioria dos cânceres colorretais não tenha relação com fatores hereditários, algumas síndromes aumentam consideravelmente o risco da doença. Dentre elas, a síndrome de Lynch é a mais conhecida, sendo associada a mutações genéticas que predispõem os pacientes ao desenvolvimento de câncer intestinal. Dor na colonoscopia? O exame é realizado sob sedação, garantindo que o paciente não sinta dor ou desconforto durante o procedimento. O máximo que pode ocorrer após a colonoscopia é um leve inchaço abdominal devido ao ar inserido para a visualização do intestino, mas essa sensação passa rapidamente. O procedimento é considerado seguro e essencial para a prevenção e diagnóstico precoce. Durante o exame, é possível identificar pólipos intestinais – formações benignas que podem evoluir para câncer ao longo do tempo – e removê-los antes que se tornem malignos. A recomendação atual é que pessoas sem fatores de risco comecem a fazer a colonoscopia a partir dos 45 anos, a cada cinco anos. Aspirina Alguns estudos em fases iniciais indicam que o uso contínuo de aspirina em baixas doses pode ter um efeito protetor contra o câncer colorretal, especialmente para pessoas com predisposição genética. O medicamento age reduzindo inflamações, o que pode inibir as formações de pólipos. No entanto, seu uso indiscriminado não é recomendado e não pode ser utilizado com essa finalidade, pois a aspirina pode causar efeitos colaterais graves, como sangramentos gastrointestinais e perfuração do estômago. O uso da aspirina como estratégia de prevenção deve ser avaliado por um médico. Preventivos sempre! O câncer colorretal é uma doença silenciosa em suas fases iniciais, ou seja, pode não apresentar sintomas. Quando os sinais aparecem – como sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre), perda de peso sem explicação e dores abdominais, a doença pode estar mais avançada. Por isso, a realização de exames preventivos, como a colonoscopia, é essencial para o diagnóstico precoce do câncer. A recomendação é que todas as pessoas, mesmo sem sintomas, realizem o exame a cada 5 anos. Já aqueles que apresentarem sintomas persistentes devem fazer a colonoscopia, independentemente da idade. (Reprodução)