Além de estimulante, o café pode ser uma bomba gastrointestinal (Alexsander Ferraz/AT) Há cheiro que traz lembranças e remete a lugares tão íntimos que parecem uma foto antiga guardada no fundo do armário. Casa da avó, brunch com amigos, reunião da empresa ou um dia cheio de trabalho: o café é a bebida que cerca a vida de todos e seu cheirinho pode até ser considerado prazeroso. Porém, além de estimulante, a bebida pode ser uma bomba gastrointestinal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Médica de família e comunidade e professora de Medicina da UniBH/Inspirali, a especialista Neoma Mendes de Assis enfatizou que o café pode agravar sintomas gastrointestinais em algumas pessoas, especialmente em quem já tem predisposição a refluxo gastroesofágico ou gastrite. “Isso ocorre porque ele pode estimular a secreção de ácido gástrico, além de relaxar o esfíncter esofágico inferior, facilitando o refluxo ácido. No entanto, a sensibilidade varia entre os indivíduos. Algumas pessoas toleram bem o café, enquanto outras percebem desconforto mesmo com pequenas quantidades”, comenta. Existe uma quantidade segura, mas Assis explicou que depende da tolerância individual, pois cada pessoa reage de uma forma ao café. Em geral, a recomendação da especialista é que pessoas com úlceras, gastrite ou síndrome do intestino irritável moderem o consumo. Há alternativas para quem não abre mão da bebida. Noema indicou café descafeinado ou preparado com métodos que reduzem a acidez, como o cold brew, que podem ser melhor toleradas. “Estudos sugerem que até 200 mg de cafeína por dia (cerca de 1 a 2 xícaras de café) pode ser bem tolerado para muitos, mas alguns pacientes podem precisar reduzir ainda mais”, ressalta. O café pode afetar a digestão de alimentos e a absorção de nutrientes, afinal a bebida estimula a produção de ácido clorídrico no estômago. Noemia informou que isso pode auxiliar na digestão de proteínas. No entanto, em excesso ou em jejum, pode causar desconforto gástrico. Também pode interferir na absorção de ferro, especialmente de fontes vegetais, devido à presença de polifenóis e taninos. Para minimizar esse efeito, a especialista destacou que é recomendável evitar o consumo de café próximo às refeições ricas em ferro. Laxante natural? O café estimula o peristaltismo intestinal, podendo ajudar na constipação ao acelerar o trânsito intestinal. A médica disse que esse efeito ocorre tanto com café cafeinado quanto descafeinado, sugerindo que outros compostos do café, além da cafeína, também influenciam essa resposta. Em contrapartida, em pessoas com intestino sensível ou propensão à diarreia, o café pode piorar os sintomas, especialmente se for consumido em excesso. Café na dieta? Para a nutricionista e professora de Nutrição da São Judas Unimonte, Vanessa Dias, o café pode ser um bom aliado. Além de estimulante, a especialista reforçou que a cafeína atua como ativador dos movimentos peristálticos do intestino, ou seja, ajuda na melhora da evacuação. “Ela também aumenta o metabolismo de degradação de gordura, mas isso não é motivo para abusar no consumo alimentar das gorduras em geral. A cafeína estimula o processo de liga-se, ou seja, degrada gordura e inibe a lipogênese, que é o processo fisiológico responsável por estocar gordura”, conta. Para manter seus valores saudáveis, é importante ponderar o acompanhamento. Dias alertou que quanto mais açúcar, adoçante ou leite adicionar, ele terá seu valor calórico total aumentado. O ideal é consumir a bebida sem açúcar e sua indicação seria de 250ml por dia. Todo excesso é prejudicial. Café demais pode alterar a pressão arterial sistêmica e prejudicar pacientes com problemas cardíacos, hipertensos e ou diagnosticados com crise de ansiedade. A nutricionista enfatizou que a quantidade de consumo deve ser indicada por um médico ou nutricionista.