Vinícola Campestre foi quem criou o Pérgola (FreePik) Santé! Para falar da Vinícola Campestre é preciso começar por um dado incontestável: foi ela quem criou o Pérgola, ícone nacional dos vinhos de mesa suaves. Vale recordar, leitor(a), que vinho de mesa é aquele elaborado a partir de uvas americanas, não viníferas ou uvas de mesa, como Isabel e Bordô, variedades que compõem o Pérgola. Diferenciam-se dos vinhos finos, produzidos a partir das vitis vinifera, as tradicionais uvas europeias. Nos últimos 12 anos consecutivos, a vinícola vem se consolidando no mercado pela elaboração cuidadosa e tecnicamente precisa desse tipo de vinho. Para se ter dimensão do fenômeno, somente no último ano foram comercializadas cerca de 45 milhões de garrafas de Pérgola, volume que representa aproximadamente 20% do mercado brasileiro de vinhos. O rótulo também ultrapassou fronteiras e hoje é exportado para Estados Unidos, Guiana, Suriname, África do Sul, Gana e Paraguai. Faço questão dessa distinção porque participei recentemente de uma degustação de vinhos finos da vinícola — alguns deles eu já conhecia — e reforço: são rótulos premiados e merecedores de destaque. A prova reuniu sete vinhos da linha Zanotto, conduzida pelo enólogo-chefe André Donatti, eleito pela ABE o melhor enólogo de 2024, a quem agradeço o convite. A linha homenageia a família Zanotto, descendente de imigrantes italianos, cuja trajetória empreendedora ganhou força pelas mãos de Maurilio Zanotto, fundador da vinícola em 1968, em Campestre da Serra, na região dos Campos de Cima da Serra, norte do Rio Grande do Sul. Foi ali, entre vinhedos de uvas americanas, que nasceu o Pérgola, ao lado da produção de sucos de uva e maçã. Outro aspecto que chamou minha atenção foi a divisão entre as unidades produtivas. Enquanto a história do vinho de mesa permanece ligada a Campestre da Serra, os vinhos finos passaram a ser elaborados em Vacaria, onde a empresa instalou, em 2015, sua nova sede, atualmente sob a direção de João Zanotto. Os vinhedos situam-se entre 900 e 1.200 metros de altitude, em uma região marcada pela expressiva amplitude térmica: manhãs ensolaradas e noites frias favorecem a maturação lenta e equilibrada das uvas, imprimindo personalidade ao terroir dos Campos de Cima da Serra. Entre as variedades brancas cultivadas estão Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer e Moscato Giallo. Já as tintas incluem Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Pinot Noir, Sangiovese, Syrah, Tannat e a curiosa Rebo — variedade originária do Trentino-Alto Ádige, resultado do cruzamento entre Merlot e Teroldego. Desde 2020, o enoturismo também ganhou protagonismo na vinícola, com a inauguração de um completo centro de hospitalidade. O visitante pode vivenciar uma verdadeira imersão no universo do vinho por meio de tours guiados, visitas às caves e degustações conduzidas pelos próprios enólogos da casa. Vale destacar o Sauvignon Blanc Zanotto, um vinho de grande expressividade do terroir de Vacaria, revelando a mineralidade característica da região. Os espumantes da vinícola também vêm conquistando reconhecimento e premiações internacionais. A seguir, cito quatro rótulos que particularmente me impressionaram. Até a próxima taça! momentodivino@atribuna.com.br @claudiaenoamigos