Vinhos de personalidade, fruto de um terroir de altitude em Jacutinga, Minas Gerais (Claudia G. Oliveira) Santé! Nasceu na Serra da Mantiqueira mais um projeto que promete marcar a viticultura brasileira. Trata-se da Rio Manso, vinícola butique instalada em Jacutinga, Minas Gerais, na divisa com São Paulo. O lançamento, celebrado em jantar enogastronômico, do qual participei, revelou vinhos de personalidade, fruto de um terroir de altitude e de escolhas técnicas precisas. O nome vem do rio que corta a propriedade de 82 hectares, dos quais 11 são dedicados aos vinhedos plantados a cerca de mil metros de altitude. Solos graníticos, grande amplitude térmica e clima ameno compõem o cenário ideal para uvas que buscam maturação lenta e concentração aromática. É nesse contexto que a Serra da Mantiqueira se firma como um dos terroirs mais promissores para os chamados vinhos de inverno, aqueles rótulos nascidos da técnica da poda invertida, desenvolvida pela Empresa Brasileira de Agropecuária de Minas Gerais, que desloca o ciclo produtivo da videira para um período mais seco, evitando os problemas de chuva e umidade na maturação. Destaco que a técnica é utilizada tanto em São Paulo quanto na Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Vale do São Francisco, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O projeto da Rio Manso nasceu em 2019, idealizado por quatro amigos: Alan Sorti, Victor Pereira, Plinio Pereira e Dudu Cirvidiu. Ganhou corpo com uma equipe técnica de alto nível. À frente da vinificação está o enólogo especialista em vinhos de inverno Cristian Sepúlveda; a viticultura conta com a expertise de Aline Mabel, PhD e consultora reconhecida; e ainda os vinhos têm como avalizador Manoel Beato, referência entre os sommeliers brasileiros, o qual conduz as provas dos vinhos. A produção é limitada: 65 mil garrafas por ano, reforçando o caráter artesanal e exclusivo da casa. No campo varietal, a Rio Manso aposta em um mix elegante de Chardonnay e Viognier para brancos de expressão; Pinot Noir, Syrah e Cabernet Franc para tintos que prometem equilíbrio entre fruta, acidez e estrutura. Os rótulos trazem ainda uma homenagem à Mata Atlântica e à fauna local, refletindo a preocupação com a paisagem e a identidade regional. Além da produção, o projeto prevê um winebar exclusivo, um deck panorâmico e espaços para degustações harmonizadas — uma proposta de enoturismo de alta qualidade que convida visitantes a viverem a experiência sensorial completa, da paisagem ao copo. Em tempos nos quais o público busca mais do que rótulos, mas histórias e lugares, a Rio Manso surge como destino e promessa. O que se provou no jantar de lançamento foi coerência entre terroir, técnica e sensibilidade enológica. Vinhos de inverno que respeitam o ciclo da videira e traduzem a Serra da Mantiqueira em aromas e sabores. Resta agora acompanhar as próximas safras e ver como esse novo capítulo da viticultura brasileira vai se desenrolar, com a vantagem de já nascer com bons argumentos e uma equipe capaz de transformá-los em vinhos memoráveis. Destaco abaixo alguns rótulos que podem ser adquiridos no site ou no Instagram @vinicolariomanso. Provei e indico • Rio Manso – Dança do Tangará Rosé 2025 BR Uva: 40% Syrah, 30% Pinot Noir e 30% Chardonnay Cor: salmão límpido e brilhante (13,6º GL) Nariz: morango, framboesa e cereja, notas florais Boca: seco, acidez vibrante, refrescante e frutado Preço: R\$ 205 • Rio Manso – Sombra do Jequitibá 2024 BR (20% breve estágio em barricas francesas) Uva: 90% Chardonnay e 10% Viognier Cor: amarelo palha brilhante (13,4º GL) Nariz: pera, melão e abacaxi, notas de baunilha e amêndoas Boca: seco, acidez fresca, textura cremosa, elegante Preço: R\$ 220 • Rio Manso – Voo do Tucano 2024 BR (5% do vinho estagia em barricas francesas) Uva: Syrah (14º GL) Cor: rubi com reflexos violáceos, média intensidade Nariz: ameixa, amora, notas de violeta, pimenta e ervas frescas Boca: seco, ótima acidez, corpo médio, taninos macios, fino e longo Preço: R\$ 145 • Rio Manso – Rastro do Urutu 2024 BR (12 meses em barricas francesas) Uva: Cabernet Franc (14º GL) Cor: rubi de média intensidade Nariz: morango, cereja, especiarias, toffee e chocolate Boca: seco, boa acidez, corpo médio+, taninos sedosos, longo Preço: R\$ 250 Até a próxima taça! momentodivino@atribuna.com.br @claudiaenoamigos