(Reprodução / Redes Sociais) Picanha, filé-mignon, frango e carne suína são velhos conhecidos dos brasileiros. Mas basta viajar pelo Brasil, ou atravessar algumas fronteiras, para descobrir que o conceito de uma carne “normal” pode mudar completamente de acordo com a cultura e os costumes de cada região. Há lugares onde jacaré, javali e capivara chegam à mesa. Nos Andes, o porquinho-da-índia é uma tradição centenária. No Oriente Médio, o camelo faz parte da culinária de algumas regiões. E há restaurantes de luxo que transformaram a extravagância em atração ao servir bifes cobertos com folhas de ouro comestível. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna reuniu algumas das carnes mais curiosas encontradas no Brasil e no mundo. Bife coberto de ouro Não se trata de uma espécie diferente de animal, mas a preparação merece lugar entre as carnes mais extravagantes. A rede de churrascarias Nusr-Et, criada pelo chef turco Nusret Gökçe, o famoso Salt Bae, tornou mundialmente conhecidos os bifes cobertos por folhas de ouro. Em Dubai, o cardápio atual da casa oferece, por exemplo, o Nusret Golden Steak, corte de 400 gramas servido com folhas de ouro. Outro prato, o Ottoman Steak, é um rib eye com osso de 1,1 kg também coberto pelo metal precioso e anunciado por 1.450 dirhams. O ouro utilizado na gastronomia precisa ser próprio para consumo e é empregado principalmente pelo efeito visual e pela ideia de luxo — não para transformar significativamente o sabor da carne. A extravagância ganhou repercussão internacional principalmente após Salt Bae viralizar nas redes sociais. O restaurante chegou a ficar conhecido por comercializar cortes cobertos com ouro 24 quilates por valores superiores a US\$ 1 mil. Jacaré está entre as carnes encontradas no Brasil (Reprodução / Redes Sociais) No Brasil, uma das carnes que mais causam curiosidade é a de jacaré. O consumo de animais silvestres, entretanto, exige atenção à procedência. Diferentemente de países onde determinadas modalidades de caça são permitidas, animais silvestres destinados legalmente ao consumo no Brasil devem ter origem autorizada e fiscalizada. A carne de jacaré já apareceu em restaurantes brasileiros e costuma chamar atenção principalmente pela textura e pelo sabor relativamente suave. E ela não está sozinha. Capivara, cateto e queixada também já fizeram parte de cardápios especializados em carnes menos convencionais no País, desde que provenientes de criações autorizadas. Javali chegou ao Brasil para virar comida Hoje considerado um grave problema ambiental, o javali tem uma história curiosa no Brasil. O animal é nativo da Europa, Ásia e norte da África e, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi introduzido no Brasil a partir da década de 1960, principalmente para consumo de carne na Região Sul. Com o passar do tempo, animais escaparam ou foram soltos e passaram a se reproduzir na natureza. Atualmente, o javali é considerado espécie exótica invasora e está entre as cem piores do mundo, segundo classificação citada pelo Ibama. Sua carne, entretanto, é consumida em diferentes partes do planeta, especialmente em países europeus e também no Japão. Porquinho-da-índia vira prato tradicional nos Andes Para muitos brasileiros, porquinho-da-índia é imediatamente associado a um animal de estimação. No Peru e em outras áreas dos Andes, a história é diferente. Conhecido como cuy, o animal faz parte da tradição alimentar andina há séculos e é consumido no Peru, Bolívia e Equador, entre outros países. Ele costuma ser preparado inteiro, assado ou frito, e pode acompanhar batatas e milho. Mais do que uma curiosidade destinada aos turistas, o cuy está relacionado à história e às tradições de comunidades andinas. Carne de camelo faz parte da culinária do Oriente Médio Outro animal que dificilmente seria imaginado no prato de um brasileiro é o camelo. A carne é consumida em partes do Oriente Médio e do norte da África e pode aparecer em refeições ligadas a festas e celebrações. Dependendo da região e da preparação, pode ser utilizada em ensopados, assados e outras receitas tradicionais. Crocodilo também chega à mesa Primo distante do jacaré encontrado no Brasil, o crocodilo também integra a culinária de determinadas regiões. O consumo ocorre, por exemplo, em partes da Austrália e da África, enquanto a carne de alligator é encontrada no sul dos Estados Unidos. São exemplos de como animais associados à fauna característica de uma região podem acabar incorporados à cultura alimentar local. Rã: estranha para alguns, iguaria para outros A carne de rã talvez não cause tanto espanto quanto jacaré ou camelo, mas continua longe da rotina alimentar da maior parte dos brasileiros. As tradicionais coxas de rã também fazem parte da gastronomia de países como França, China e Vietnã. A carne é conhecida pelo sabor relativamente suave e pela textura delicada. No Brasil, a criação comercial de rãs também existe, e o produto pode ser encontrado em estabelecimentos especializados. O exótico depende de onde você está A lista mostra que classificar uma carne como “estranha” depende muito mais da cultura de quem observa do que do alimento propriamente dito. Enquanto o porquinho-da-índia pode provocar surpresa em um brasileiro, o cuy carrega séculos de tradição nos Andes. O mesmo acontece com o camelo no Oriente Médio ou com determinadas carnes de animais silvestres em diferentes regiões. No Brasil, porém, há uma diferença fundamental entre experimentar uma carne incomum e consumir um animal obtido ilegalmente. Animais silvestres não podem simplesmente ser caçados para alimentação, e produtos comercializados devem obedecer às normas sanitárias e ambientais aplicáveis. O Ministério da Agricultura também mantém regras rígidas para quem pretende trazer carnes do exterior. Atualmente, carnes cruas de qualquer espécie não podem ser introduzidas no Brasil na bagagem de viajantes, mesmo quando refrigeradas, congeladas ou embaladas a vácuo. No fim, do jacaré brasileiro ao cuy peruano e do camelo aos bifes reluzentes de Dubai, a gastronomia mostra que aquilo que parece absolutamente improvável em um prato pode ser tradição, luxo ou até comida cotidiana em outro lugar do planeta.