<p data-end="644" data-start="349">Antes de se tornar chef e empreendedora, Maísa Campos tinha outro plano de vida: formada em Direito, sonhava em atuar na Defensoria Pública, área que sempre a mobilizou pelo desejo de ajudar pessoas. A cozinha era uma paixão antiga, presente desde a infância, mas que ocupava um espaço paralelo.</p> <p data-end="1253" data-start="646">Tudo mudou em 2013, quando ela venceu o Cozinheiros em Ação, do GNT. A participação no programa, um dos primeiros realities gastronômicos do Brasil, virou sua trajetória do avesso. A vitória abriu horizontes e a fez repensar o futuro.</p> <p data-end="1253" data-start="646">Depois do prêmio, Maísa estudou na Le Cordon Bleu de Paris e voltou ao Brasil decidida a empreender. Primeiro, dava cursos concorridos em seu ateliê. Depois, nasceu a Casa 147, marca de comida pronta para levar e receber em casa, que completa nove anos de operação.</p> <p data-end="1253" data-start="646">Foi na França que Maísa percebeu que comida pronta podia ser sinônimo de qualidade, técnica e frescor.</p> <p data-end="1635" data-start="1255">Assim surgiu a Casa 147, aberta em 2016. Em um ambiente colorido e acolhedor, o cliente escolhe entre pratos frescos ou congelados expostos em vitrines, geladeiras e freezers. Tortas, sanduíches, massas, casquinhas de siri, doces e pratos completos. O cardápio fresco do dia chega pelo WhatsApp, e o delivery próprio complementa a operação. O tíquete médio gira em torno de R\$ 70.</p> <p data-end="1863" data-start="1637">Entre os mais vendidos estão a Lasanha à Bolonhesa (R\$ 123, com 930g), a Salada de Quinoa (R\$ 31,90, com 220g), a Torta de Frango (R\$ 68, com 500g), a Lasanha de Berinjela (R\$ 59,90, com 560g) e a Feijoada (R\$ 93, com 1,3 kg).</p> <p data-end="2909" data-start="1865">Com esse formato, Maísa percebe que criou uma solução alinhada ao cotidiano contemporâneo. Parte essencial do público vem de um recorte representativo da cidade. Santos é a mais feminina do Brasil, com 54,68% de suas habitantes mulheres. “Grande parte das minhas clientes são mulheres que abastecem a casa dos pais, alimentam os filhos ou enviam pratos para as mães que vivem sozinhas.”</p> <p data-end="2909" data-start="1865">A operação conta hoje com 12 funcionários. A escala de trabalho, de cinco dias por dois de folga, foi pioneira no setor gastronômico local e permanece como um dos pilares do negócio. “Era algo que eu queria desde o início, mesmo quando ninguém falava sobre isso.”</p> <p data-end="2909" data-start="1865">Maísa também testemunhou de perto o fortalecimento da cozinha vegetal como protagonista. “Nesses nove anos vi crescer muito o interesse pelas opções vegetarianas. Gosto de criar pratos em que o vegetal é a estrela.”</p> <p data-end="2909" data-start="1865">Mesmo com um repertório amplo, ela revela seu encanto pessoal: “Guisados, cozidos, aqueles caldeirões. Isso me fascina”, diz, como quem encontra poesia no vapor da panela.</p> <p data-end="3171" data-start="2911">Para a chef, o impacto emocional da marca é um presente diário. “O melhor presente é perceber que a Casa 147 é um local de segurança. Uma vez, uma cliente pediu que entregássemos refeições para uma mulher que acabara de perder o marido e precisava de suporte.”</p> <p data-end="3445" data-start="3173">Doze anos depois do reality que mudou seus planos, Maísa se reencontra com sua vocação inicial de ajudar pessoas. Ela vai voltar a dar aulas, mas desta vez com propósito social. Seu projeto Capacita Mina, aprovado no Promicult, vai capacitar mulheres vítimas de violência.</p>