A proposta brasileira foi considerada uma das mais criativas do torneio (Divulgação) Com um menu autoral que combinou sabores do cerrado como cagaita, pequi, cajuzinho-do-cerrado, buriti, castanha de baru e cachaça, o Brasil conquistou o segundo lugar na Golden Chef 2025, uma das mais importantes competições gastronômicas da América do Sul. A equipe nacional, chefiada pelo santista Mario Amorim, brilhou em sua estreia internacional na disputa, realizada nos dias 26 e 27 de julho, em Punta del Este, no Uruguai. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A diferença foi mínima: apenas dois pontos em uma escala de mil separaram o Brasil da equipe uruguaia, anfitriã do evento. Segundo o chef, o detalhe decisivo foi um elemento técnico do menu. “Perdemos por causa da espuma de cachaça que apresentamos na final. Infelizmente, ela não estava padronizada, e isso pesou na avaliação dos jurados. No total, eram mil pontos em disputa, e a diferença foi de apenas dois. Foi por pouco, mas ficamos com o segundo lugar”, explica Mario. “Competimos com dez países da América Latina, entre eles Colômbia, Chile, Paraguai, Venezuela, Bolívia e Equador. Fomos avançando fase a fase, vencendo equipes fortes, até restarmos apenas nós e o Uruguai. A disputa foi acirrada, e o júri — com representantes do Bocuse d’Or — foi bastante rigoroso.” A proposta brasileira foi considerada uma das mais criativas do torneio, com pratos que valorizavam ingredientes nativos e técnicas contemporâneas. O menu apresentado incluía: Entrada: Tartar de cagaita com castanha de baru, vinagrete de cachaça e crocante de pupunha Prato principal: Lombo de peixe branco do cerrado com crosta de baru, purê de pequi e banana-da-terra confitada Sobremesa: Mousse de buriti com praliné de cajuzinho-do-cerrado e geleia cítrica de cagaita A equipe brasileira foi formada por quatro profissionais — um chef, um coach e dois cozinheiros — e teve como proposta destacar a biodiversidade do Brasil, especialmente do cerrado mineiro. Mario, único integrante de fora de Minas Gerais, comanda o Restaurante Estrela de Ouro, em Santos, e é conhecido por sua cozinha autoral e pela valorização dos ingredientes brasileiros. “Foi uma experiência desafiadora, principalmente por estarmos em um país onde ainda conhecíamos pouco dos formatos e rotinas locais. Representar o Brasil em um ambiente internacional com tantos elementos novos exigiu muito da nossa preparação. Mas conseguimos chegar ao segundo lugar com muito esforço, dedicação e união”, afirmou. Realizado anualmente, o Golden Chef reúne chefs de toda a América Latina e é reconhecido como uma vitrine de inovação, formação profissional e turismo gastronômico. O júri é composto por nomes ligados a instituições renomadas e ao prestigiado Bocuse d’Or. A participação brasileira, já com um lugar no pódio logo na estreia, reforça o potencial da gastronomia nacional em competições internacionais. Para Mario Amorim, esse marco é apenas o começo. “Mais do que uma competição, foi uma oportunidade de mostrar a força da nossa gastronomia. E esta é apenas a primeira de muitas etapas que ainda virão.”