Tradicional endereço do Centro de Santos reabre após nove anos fechado, resgatando pratos clássicos, antigos garçons e histórias que marcaram gerações (Alexsander Ferraz/AT) Como guardado em uma cápsula do tempo, o Café Paulista, no Centro de Santos, reabriu nesta sexta-feira (15) suas portas trazendo de volta símbolos que habitam a memória afetiva da Cidade. Inaugurado em 25 de março de 1911, o salão preserva relíquias como os belíssimos painéis de azulejo da década de 1950, que retratam o plantio e a colheita do café. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Garçons vestidos com camisa, gravata e colete; toalhas de tecido impecavelmente brancas, talheres brilhantes e pratos fartos completam o cenário que parece ter atravessado décadas sem perder o charme. Foram oito meses de obras para restaurar e reformar o espaço, fechado havia nove anos. O mais bonito é que todo esse esforço para resgatar um dos grandes ícones santistas nasceu das mãos de dois garçons da era áurea da casa. Valmir do Nascimento, que trabalhou 25 anos no Café Paulista, e José Batista dos Santos, com 13 anos de trajetória no salão, uniram forças para devolver ao Centro toda a glória de antes. Para isso, convocaram também antigos companheiros de equipe: Geraldo Gomes da Silva, com 21 anos de Paulista; Pedro Vazques, que passou 25 anos na casa; e Eli Valério, conhecido por cobrir as férias dos colegas. Para antigos frequentadores, é quase uma viagem no tempo. Equipe e donos: Geraldo, Valmir, Eli, José e Pedro (Alexsander Ferraz/AT) Cardápio Da cozinha voltam pratos emblemáticos que marcaram gerações de santistas. Entre as entradas, estão a tradicional casquinha de siri (R\$ 28) e a famosa maionese de pescada (R\$ 22), outro clássico afetivo da casa. Nos principais, retornam receitas históricas como a Pescada Cambucu à Guanabara, servida grelhada, com molho de camarões e risoto de palmito (R\$ 235 para duas pessoas e R\$ 315 para quatro); o clássico Filé à Daniel, preparado ao molho rôti à base de vinho branco, alho e molho inglês, com arroz e batata palha (R\$ 225/R\$ 305); o Espeto à Brasileira, com contra-filé, lombo, linguiça toscana, fritas, farofa e arroz (R\$ 215/R\$ 295); além da Meca Santista (R\$ 225/R\$ 305). Pedro com a pescada à Guanabara, um clássico da casa (Alexsander Ferraz/AT) Outro clássico resgatado é o Fígado à Lisboeta, com iscas marinadas no vinho tinto, azeitonas, batatas cozidas e arroz (R\$ 175 para duas pessoas e R\$ 245 para quatro). “Também estamos trazendo os pratos do dia”, conta Valmir. Às quartas-feiras, o tradicional Virado à Paulista volta ao cardápio (R\$ 175/R\$ 245), inclusive em versão executiva individual (R\$ 45). Já às sextas, a estrela será o Bacalhau à Moda da Casa, preparado à milanesa no forno, com cebolas, batatas douradas, brócolis na manteiga e arroz (R\$ 265/R\$ 345). O novo Café Paulista também se adaptou aos tempos atuais com pratos executivos individuais, como a pescada grelhada com arroz e legumes na manteiga (R\$ 49), o espaguete à bolonhesa servido às quintas-feiras (R\$ 38) ou o filé de frango à parmegiana, acompanhado de fritas e arroz (R\$ 46). Para encerrar, segue no cardápio o famoso creme de abacate (R\$ 16), sobremesa que, segundo Pedro e Geraldo, “saía às dezenas”. Casquinha de siri (Alexsander Ferraz/AT) Reduto político Localizado entre a Câmara Municipal e a Prefeitura, o Café Paulista ficou conhecido durante décadas como o “Senadinho” santista. Ali, entre cafés e almoços demorados, circulavam conversas e decisões que muitas vezes influenciavam os rumos da política local. “Mario Covas vinha muito aqui, assim como todos os prefeitos santistas, o presidente Lula e vários outros políticos”, lembra Geraldo. Antes deles, passaram pelo salão nomes como Jânio Quadros e Adhemar de Barros. Os craques do Santos FC também eram clientes fiéis. “Pelé sempre vinha e formava uma pequena multidão na porta. Pepe gostava de ficar no balcão tomando café. Depois vieram Léo, Luxemburgo, Chulapa e tantos outros”, recorda Pedro. Filé à Daniel (Alexsander Ferraz/AT) Para Valmir, a reabertura representa mais do que um empreendimento. “É a prova de que podemos sonhar grande. Comecei a trabalhar no Café Paulista com 12 anos e Seo Manolo e Seo Antonio foram como pais para mim. Quando eles venderam a casa, há 17 anos, eu saí, mas sempre com a ideia de voltar — desta vez no comando.” Nesse período, ele trabalhou no Restaurante Almeida, outro endereço histórico da gastronomia santista. Muito antes da febre dos ambientes instagramáveis, o Café Paulista já era parada obrigatória para fotos. “Quando começaram os navios de cruzeiro, víamos muitos estrangeiros entrando aqui para fotografar o salão. E isso continua acontecendo agora”, conta José. Serviço: Café Paulista (Rua do Comércio, 2, Centro de Santos). Funciona de segunda a sexta, das 7h às 20h e sábado, das 7 às 18h.