Pancetta, bolinho de pernil com gorgonzola e o bolinho da Vó Cícera estão entre os queridinhos da casa (Alexsander Ferraz/AT) “O simples é tudo” não é apenas a frase que estampa o cardápio do Boteco Seu Costa — é a marca registrada de um lugar que, prestes a completar cinco anos na Pompeia, em Santos, prova diariamente que simplicidade não tem nada a ver com facilidade. Significa técnica, paciência, afeto e a recusa em pegar atalhos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A história do bar começou em plena pandemia, quando os amigos e parceiros no grupo de pagode Trio de Ferro, Douglas dos Santos de Sousa e Ygor da Costa Ramos, decidiram transformar um sonho antigo em realidade. O nome presta homenagem ao avô de Ygor, que comandou o Bar Academia de Bilhar nos anos 70 e 80, no Centro de Santos, e hoje ajuda a manter viva uma tradição familiar. Do início discreto com petiscos usuais de boteco ao cardápio que virou símbolo da casa, muita coisa mudou. O atendimento também se tornou parte desse DNA: a equipe, hoje com 15 funcionários, tem rostos que acompanham o bar desde o primeiro ano. Douglas e Ygor, sócios no bar e parceiros na música, com o Trio de Ferro (Alexsander Ferraz/AT) Cozinha de sucesso Entre os pratos que conquistaram seu espaço está a pancetta Seu Costa com geleia de goiabada e pimenta (R\$ 57), cuja execução é o exemplo perfeito de como o que parece simples exige precisão. A carne marina seis horas na cachaça, é enrolada com cuidado e segue para cinco horas de forno baixo. Depois descansa, esfria, é cortada e frita — duas vezes — para garantir uma pururuca impecável e uma maciez quase inacreditável. O sucesso foi tão grande que ela ganhou versões com queijo (R\$ 62), com catupiry (R\$ 68) e com mandioca (R\$ 102). Por semana, são preparados cerca de 80 quilos de pancetta. Outro destaque que carrega memória afetiva é o Bolinho da Vó Cícera (R\$ 47, com 6 unidades), um croquete cremoso feito só com carne, sem farinha para dar volume, e aromatizado com um toque perfeito de cominho. Na primeira mordida, lembrei do croquete da minha mãe e foi impossível não me declarar fã. A cozinha, liderada por Paloma Sousa, irmã de Douglas, não para de criar e ampliar o repertório do bar. Entre as novidades estão o Bolinho de pernil com gorgonzola ou muçarela (R\$ 51, com 5), a Costela de porco à passarinho com geleia de abacaxi (R\$ 77) e a irresistível Bolota, um bolinho gigante de carne seca cremosa com provolone (R\$ 15 a unidade). As especialidades do dia movimentam a casa. Às terças-feiras, as mesas disputam o sanduíche de costela com rúcula (R\$ 28), servido só nesse dia. A criação nasceu quase por acaso, quando Ygor preparou um sanduba usando a costela dos domingos (R\$ 86 para duas pessoas) e um cliente sugeriu acrescentar rúcula — e assim surgiu um dos maiores sucessos do cardápio. São 100 quilos de costela por semana. Para acompanhar, há chope bem tirado (R\$ 9), caipirinhas e caipiroskas (a partir de R\$ 26) e drinques variados. Eu provei o suco de açaí com laranja (R\$ 22) e saí convencida de que ele merecia estar também entre as atrações da casa. Serviço: Rua Paraíba, 56, Pompéia, Santos. Funciona de terça a quinta, das 17h à 0h; sexta e sábado, das 12h à 0h; e domingo, das 12h às 20h.