[[legacy_image_94594]] Usando sua influência para tratar de temas sociais, a atriz Duda Reis busca provocar reflexões e aprendizados em seus quase 10 milhões de seguidores. Aos 20 anos, a jovem toma consciência de seu papel no mundo enquanto se prepara para uma carreira cheia de sonhos a realizar. Em meio às turbulências da pandemia, Duda conta como está a rotina de autocuidado e bem-estar durante o isolamento, bem como seu processo de autodescoberta e o despertar para o feminismo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Como a pandemia impactou na sua rotina de beleza e cuidados? Cuidado diário está relacionado a muitas coisas, não é só sobre skin care. É sobre tirar um tempo para você, fazer coisas que goste... Faço exercício todos os dias, me alimento bem, mas não me restrinjo. Como de tudo. Quando estou com vontade de uma pizzazinha, eu como! (risos) Não sou fissurada em beleza, tento levar a vida o mais leve possível. Se eu tiver sem vontade num dia tudo bem, se não, respeito meus limites. Sua relação com a imagem mudou nesse período? Gosto de me maquiar, mas não sou dependente. Ela tem que ser usada para realçar o que a gente já tem de melhor, não para mudar. Sou desencanada, fico sem a make tranquilamente. Parto do princípio que a gente tem que fazer o que tem vontade. Acho que isso é ser livre. Eu acho preocupante a geração de muitos filtros, Photoshop. Muitas mulheres desenvolvem transtornos de imagem em que não conseguem se reconhecer sem filtro. Eu só uso filtro de cor, mas nunca os que modificam. Quais são os itens que não faltam na sua rotina? Preciso de um bom sérum para hidratar meu rosto. Se eu precisar fazer uma make de dois minutos, uso corretivo, lip tint e um rimelzinho, só. O bom e básico! Para pele, eu não durmo de maquiagem. Faço esfoliação toda semana. Minha mãe é dermatologista e sempre me incentivou a me cuidar. Um bom hidratante e protetor solar também, sempre me cuido bastante. Como enfrenta a alta exposição e críticas ao seu visual? É ruim ter que receber opiniões externas sobre o seu corpo, porque o corpo é seu, ninguém tem que opinar. Mas as pessoas opinam, e a gente precisa estar com a mente em dia para ouvir e não agir por impulso. Quando eu tinha 16 anos, minhas amigas estavam numa febre de colocar silicone. Aos olhos da sociedade e do mercado de beleza foi estipulado para todas nós, os seios enormes. Eu tenho seios normais. As pessoas perguntavam se eu não queria colocar. Nunca coloquei, não cedi às pressões, e hoje eu agradeço, porque me arrependeria. Quem coloca e se sente bem, que bom. Mas eu teria apenas cedido à uma pressão. Há aquela máxima de que ‘a beleza dói', que normaliza procedimentos estéticos. O que você pensa disso? Eu lembro de uma música que amo da Beyoncé, Pretty Hurts. Realmente, a gente cresce nessa sociedade dizendo que a beleza dói, então normaliza cirurgias, procedimentos invasivos. É invasivo não só para nosso corpo, mas também para nossa alma. Como é sua relação com as redes sociais? Eu confesso que já fui mais fluida, já me senti mais livre para postar. Depois que você vai recebendo tantos comentários ofensivos, vai criando uma barreira. Às vezes, me encontro em situações tipo 'será que as pessoas vão me ofender?', e não faz bem isso. É difícil trabalhar com rede social. Tudo bem deixar comentários e críticas construtivas, que são muito diferentes de ofensas. Não é porque a pessoa é pública que é obrigada a aceitar ofensa. Internet não é terra sem lei. Tem que ter saúde emocional e mental. Quais os cuidados indispensáveis que você tem tido com saúde mental? Ioga e meditação foram primordiais. Preciso me exercitar, liberar endorfina, porque sou uma pessoa ansiosa. Esporte, ioga e claro, muita terapia (risos). Há muito tabu com saúde mental. Você acha que faz parte do papel como influencer trazer mais conscientização sobre isso? Os influenciadores que não levantam bandeiras sociais e não falam sobre coisas importantes não deveriam ser influenciadores, porque senão você está perdendo tempo dando visibilidade. A pessoa tem que estar antenada, tem que postar, senão qual a finalidade de ter milhões de seguidores? Postar uma bolsa? Temos que levantar bandeiras. Saúde mental ainda é um tabu e eu sempre bato nessa tecla, vou continuar falando sobre. Saúde mental é importante. Como tenho milhões (de seguidores), posso fazer com que deixe de ser um tabu para milhares. Meu público é muito jovem e eles entram em instagrams perfeitos, irreais, e se comparam com aquilo, que nunca vão alcançar. Nem as pessoas que postam vivem aquilo! Temos que ter muita responsabilidade com o que a gente posta, porque os jovens estão sendo formados e a gente acaba fazendo parte dessa grande responsabilidade que é a formação de um jovem. É um aprendizado O que você tem sentido mais falta durante a pandemia? Eu sinto falta de ver sorrisos! Eu sou uma pessoa muito sorridente, às vezes eu tô sorrindo e as pessoas não estão vendo. Começo a conversar com uma pessoa e eu saio amiga, quero abraçar, gosto de trocar energia e eu sinto falta disso. Mas é necessário, claro. Você voltou a estudar? Tem novos projetos de atuação? Estou fazendo um curso superlegal, tenho projetos relacionados à música e à atuação juntos em um, para o ano que vem; um filme de drama policial, que farei para uma dessas plataformas de streaming, e outro em um espaço bem teenager, escolar. Faço cursos para atores iniciantes por celular, não é presencial. É estranho (risos). Atuação é muito sinestésica, é toque, olho... O que você tem visto atualmente que tem te inspirado? Estou amando The Witcher. Meu Deus! Tô apaixonada por todos. São um colírio pros meus olhos. Vejo lentamente porque não quero que os espisódios acabem. Só tem uma temporada, porque a Netflix fez isso com a gente? Multipliquem! (risos) Sou total de uma coisa mística, eu amo. Quais personagens você gostaria de interpretar? Tenho alguns filmes que amo desde pequena, tipo Grease. Eu super faria a Sandy, era meu sonho quando pequena. Mamma Mia, tem muito a minha vibe! Eu ia amar ser a Sophie, quem sabe. Closer, muito maravilhoso! Eu amo o papel da Natalie Portman, faria coisas assim. E com certeza uma princesa da Disney! É o máximo! Ia amar fazer um live-action da Rapunzel, por exemplo (risos). Falando sobre sua ligação com a natureza, como você relaciona bem-estar e meio ambiente? A gente está 100% interligado e ainda não entende isso. A terra fala, a natureza dá sinais, e o nosso organismo é muito conectado com a natureza. Vemos notícias de incêndios, tsunamis, terremotos, tudo se desalinhando por causa do ser humano. É um sinal de que temos que parar e olhar ao nosso redor. Estamos todos interligados nesse grande ecossistema e precisamos cuidar bem da nossa casa. Me sinto muito conectada com a natureza. Quando não estou bem, vou para o meio do mato (risos). Às vezes me sinto sufocada na cidade, e preciso energizar numa cachoeira, em um lugar com pedras. Quando eu morava no Rio, pensava 'nossa, vou para praia todo dia', mas eu não ia nunca! (risos). Como você se encontrou no ativismo? Eu acho que para você ser ativista tem que se colocar no lugar de ouvir, se colocar disponível para aprender. Como a nossa sociedade é muito machista e patriarcal, as mulheres são ensinadas a terem medo. Tem uma frase que eu gosto muito, 'o machismo é o medo dos homens das mulheres sem medo', e quando a gente começa a abrir os nossos olhos e quebrar essas barreiras, a gente quebra o machismo, o que não é interessante para sociedade machista. O segredo é as pessoas entenderem que feministas não querem nada do que não é direito, não querem nada além da igualdade de gêneros e a liberdade da mulher. Quando você começa a ler pensadoras, mulheres que lideram esses movimentos, você se coloca mais nesse lugar. Estou aprendendo, tenho lido cada vez mais, e (entendendo) o princípio de tudo, que é a igualdade de gênero e a liberdade da mulher em todas as áreas. Foi um despertar recente, porque às vezes é muito confortável a gente não questionar. Não vejo mais o mundo da mesma maneira, que era até irresponsável e imatura. Hoje, vejo tudo com mais firmeza. O segredo é entender e ativar o seu feminino. Você fez uma ocupação sobre violência de gênero no seu Instagram. Como foi a experiência? Foi muito forte. A gente costuma não dar muita atenção para minorias, e quando você entende que as mulheres são plurais, a sua cabeça faz assim (explode). Existem muitas mulheres que não são escutadas. Foi muito especial, conversei e converso com todas, inclusive quando tenho dúvidas (risos). Eu tive o privilégio de ser ouvida, mas é raro isso acontecer. Tem outros projetos no Instagram em pauta? É uma linha tênue entre abordar pautas importantes e fazer o telespectador ficar. Nem sempre é sobre uma dancinha no TikTok. Temos que nos antenar em assuntos de cunho social. Busco um conteúdo importante mas também instagramável, e tenho pensado em projetos com algumas mulheres específicas. Acho que a rede social tem seus prós e contras, mas uma coisa bem positiva é o acesso à informação. As pessoas serem instigadas a pensar. Vejo pessoas que fazem conteúdos incríveis, didáticos sobre feminismo. As meninas dessa geração estão bem atentas a tudo isso. Me sinto muito honrada em ser um exemplo para milhares de pessoas e prometo honrar esse compromisso. Mulheres, sejam livres, se empoderem de vocês e ganhem o mundo, porque o mundo de fato é nosso!