[[legacy_image_293608]] Uma família denunciou uma casa de repouso para idosos, no bairro Aviação, em Praia Grande por maus-tratos a um idoso de 75 anos que estava há pouco mais de um mês na unidade. O idoso precisou ser internado ao hospital com um quadro de desnutrição, desidratação e pneumonia. Em entrevista para A Tribuna, a professora Valdirene Aparecida Oliveira contou que colocou o pai, Pedro José de Oliveira, na unidade para que ele tivesse um acompanhamento 24 horas. No começo ela explica que o pai parecia estar sendo bem tratado, “nas visitas ele sempre estava de banho tomado e parecia estar bem”. Pelo serviço a professora estava pagando R\$ 2,8 mil por mês. A filha explica que o idoso tinha limitações devido a idade, mas que deu entrada no local no dia 22 de julho falando e andando. Ela relata que os problemas começaram logo após a terceira visita, quando a informaram que ele estava muito agitado e que precisariam ministrar um medicamento para acalmá-lo. “Eu autorizei, mas pensei que era apenas para acalmá-lo, mas nas visitas posteriores eu encontrei meu pai muito sonolento e só me falavam que era por causa do medicamento que ele estava tomando” explica. No dia 15 de agosto a chamaram novamente para informar que o idoso estava com dificuldades para se alimentar, por conta disto, ela teria que levá-lo para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Quietude, para que uma sonda fosse colocada nele. Depois de ter colocado a sonda o idoso voltou a casa de repouso e quando ela foi visitá-lo ela encontrou o idoso irreconhecível. “Meu pai estava muito debilitado e então me falaram que ele não estava se alimentando pela sonda, mas por telefone me passavam que ele estava bem”, aponta. Além disto, ela relata que a sonda estava com sujeira, mas a equipe justificou que era devido a alimentação específica. Ela também notou que o idoso estava com um ferimento no pé, mas foi acalmada pelos responsáveis que diziam que o médico do local iria analisar e medicá-lo conforme necessário. A filha ainda disse que pediu para ser avisada sobre o quadro do pai e que se fosse necessário algum medicamento ela compraria e levaria até a casa. No mesmo dia, os responsáveis solicitaram que ela comprasse um antibiótico e óleo girassol para aplicar no ferimento. Em outra visita, ela relatou que o homem não apresentava melhora significativa, mas novamente foi informada que era por causa da alimentação. Até que no último dia 25 de agosto ela foi chamada a unidade para levar o idoso na UPA novamente para que ele tomasse um soro. “Chegando lá meu pai estava desacordado em cima de uma cadeira de rodas e respirando com muita dificuldade”, conta. O idoso foi levado até a UPA e na unidade hospitalar é que ela viu os ferimentos pelo corpo dele “os dois pés dele estavam enfaixados e totalmente machucados, ele estava com uma escara (lesões) imensa nas partes íntimas, a sonda estava entupida com resto de comida e suja. Meu pai está desnutrido, desidratado e com um quadro de pneumonia”, desabafa. [[legacy_image_293609]] Devido a gravidade do quadro do idoso, ele foi encaminhado ao Hospital Irmã Dulce onde ele está internado. Diante dessa situação, a filha registrou um boletim de ocorrência que está sendo investigado pelo 2° Distrito Policial (DP) de Santos. AutoridadesEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que o caso está sendo investigado por expor a perigo a integridade e saúde. Disse ainda que solicitou exames junto ao Instituto Médico Legal (IML), mas que aguarda o resultado dos laudos. Enquanto isso, segue realizando as demais diligências para esclarecer os fatos. Já a prefeitura de Praia Grande informou apenas que a casa de repouso possui alvará vigente da Vigilância Sanitária, bem como AVCB do Corpo de Bombeiros. Quanto à denúncia de agressão e maus-tratos, limitou-se a dizer que detalhes devem ser solicitados à Polícia Civil. O Hospital Irmã Dulce informa que o paciente Pedro José de Oliveira encontra-se internado na unidade desde segunda-feira, onde recebe todos os cuidados necessários, conforme seu quadro clínico. No momento, a acompanhante do paciente não autorizou que a unidade informasse demais detalhes. RespostaA Casa de Repouso Renascer do Sol informou ao Grupo Tribuna que as acusações não procedem, pois a evolução do paciente é justificada pelo prognóstico negativo dele. Além disso, o estabelecimento apresentou um relatório do médico responsável técnico do local, João Rubens Ferreira. O documento informa que o paciente foi internado no dia 21 de julho “com histórico de sequelas de alcoolismo, neuropatia alcoólica, sequelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), confuso, agressivo e em uso de sertralina, somalgin”. Ainda segundo o profissional, ele acompanhou a evolução do paciente durante todo o período e, inclusive, estava de plantão quando o idoso foi atendido na UPA Quietude. "Sendo feito tudo que se podia para o paciente”, garantiu. De acordo com ele, os diagnósticos do sábado foram sequelas de AVC, neuropatia alcoólica, disturbo de comportamento, broncopneumonia, diabetes, insuficiência renal e úlcera de pressão (calcâneo com pele íntegra, nádegas com ruptura de pele).