[[legacy_image_298036]] O Santos continua na zona de rebaixamento do Brasileirão, mas a vitória de virada sobre o Bahia, na noite desta segunda (18), na Arena Fonte Nova, em Salvador, reanimou uma equipe que, animicamente, já jogava como rebaixada. Os três pontos sobre o tricolor baiano, quebrando um longo tabu de 20 anos sem triunfos no estádio do rival, também podem servir para a efetivação de Marcelo Fernandes no cargo. Com apenas duas vitórias nos 22 jogos anteriores, o Peixe foi à capital baiana ainda mais pressionado após a vexatória derrota para o Cruzeiro por 3 a 0, na quinta passada (14), na Vila Belmiro. O resultado minou qualquer chance de continuidade do uruguaio Diego Aguirre, que deixou o clube depois de cinco jogos e quatro derrotas. Como em outros momentos da gestão de Andres Rueda, desde janeiro de 2021, Marcelo Fernandes, que havia sido demitido em julho de 2022 e recontratado no mês passado, assumiu o cargo de interino, cobrindo mais uma vez o vácuo de tantos técnicos que passaram pela Vila na atual administração. Até antes do jogo contra o Bahia, Fernandes tinha 14 jogos, com seis vitórias, quatro empates e quatro derrotas no comando, aproveitamento de 52,3%. O melhor índice entre os oito treinadores contratados e os três interinos (contando com ele) que passaram pelo clube na atual gestão. Com a vitória sobre o Bahia, o aproveitamento de Fernandes subiu para 55,5%. Sintonia com o elencoAo final da partida na Arena Fonte Nova, a festa dos jogadores com o treinador em campo mostrou que há sintonia entre o elenco e a nova comissão técnica, que ganhou o reforço de outro velho conhecido na Vila: o preparador físico Carlito Macedo, recontratado na semana passada. Com 12 dias pela frente até o próximo jogo, contra o Vasco, na Vila Belmiro, no dia 1º de outubro, pela 25ª rodada do Brasileirão, a ideia da diretoria santista era intensificar os contatos por um novo técnico. Mas para um time que havia vencido apenas um jogo entre os 11 que fizera fora de casa neste Brasileirão, a vitória sobre o Bahia, com uma atuação consistente, que o torcedor santista não via há tempos, pode fazer com que a “solução caseira” Marcelo Fernandes se torne definitiva. Além da sinergia com o elenco, Marcelo Fernandes também tem um ótimo relacionamento com o coordenador de futebol Alexandre Gallo, que tinha a missão de estudar e contatar nomes para uma provável nova comissão técnica. [[legacy_image_298037]] Mudanças que deram certoCom Aguirre e, anteriormente com Odair Hellmann e Paulo Turra, o Santos era um time que jogava muito espaçado, sem criatividade e poder de fogo no ataque. Contra essas deficiências, Marcelo Fernandes lançou mão do esquema 3-5-2, com Dodô como terceiro zagueiro. No meio-campo, mais liberdade para Jean Lucas e Lucas Lima chegarem com mais frequência ao ataque, para abastecer Soteldo e Marcos Leonardo, que também contaram com as investidas dos alas Kevyson e Lucas Braga. As ausências de Rodrigo Fernández, suspenso, e Mendoza, tratando um estiramento na panturrilha direita, também foram benéficas ao Santos. Apesar de ainda não estar com o condicionamento físico ideal, Tomás Rincón marca melhor e tem mais qualidade para sair jogando do que o volante uruguaio. Soteldo, por sua vez, é muito mais habilidoso e eficiente que Mendoza. As mudanças feitas por Fernandes na etapa final também funcionaram. Além de repor o fôlego da equipe, recompondo a marcação no meio-campo, o time soube explorar as jogadas de bola parada para empatar com Marcos Leonardo e ganhar o jogo com o oportunismo de Julio Furch. O argentino, aliás, vai mostrando que tem estrela para marcar gols decisivos, como fizera na vitória sobre o Grêmio, também de virada, em agosto na Vila. A reação da equipe, que não se abalou depois de ter saído atrás no placar em Salvador, é outro ponto positivo num time que costumava desmoronar emocionalmente assim que tomava um gol. No balanço final, a importante vitória, que desatou um nó na garganta do torcedor, pode, enfim, fazer o time acreditar que dá para evitar o pior capítulo da história do clube. Se ainda segue na UTI da zona da degola, o “paciente”, agora, mostra que pode voltar a respirar sem a ajuda de aparelhos.