[[legacy_image_168789]] Clube brasileiro mais conhecido no mundo, o Santos comemora nesta quinta-feira (14) 110 anos de fundação. O número 10 por si só já diz muito sobre o time da Vila Belmiro. Afinal, foi ali que se formou e brilhou o maior jogador de todos os tempos: Pelé. Mas o tempo não para e, com o intuito de manter a chama de vitórias acesa, o clube trabalha o futuro. Promessas da base, Kauan Basile, de 10 anos, Dudu Gimenes, de 14, Lucas Yan, de 16, e Weslley Patati, de 18 são esperanças para o amanhã. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Natural de São Paulo capital, Kauan chegou ao clube por meio do irmão Lucas Yan. Ambos são filhos do ex-jogador Andrezinho, revelado pelo Corinthians no início dos anos 2000. Canhoto, o caçula se divide entre o futsal e o campo. O garoto usa a camisa 10 pelo lado esquerdo do campo e da quadra inspirado nos dribles de um outro baixinho que brilhou recentemente na Vila Belmiro. “Sempre gostei muito do Soteldo. Por isso uso a camisa 10. Ainda não tenho a habilidade dele, mas um dia vou ter”, diz o garoto. Antes de defender a base santista, Kauan se divertia em escolinhas de futsal em São Paulo. Porém, a sua capacidade técnica muitas vezes estava acima da sua faixa etária. Por isso, não foram raras as partidas em que ele jogou com garotos mais velhos. Inclusive, no próprio Santos. Ao ser aprovado em um teste no Peixe aos 6 anos, Kauan ingressou na categoria sub-8. Tímido com as palavras até por conta da idade, Kauan deixa a vergonha de lado quando tem a bola nos pés. E prova disso é o desempenho dele naquele que considera o momento mais marcante como atleta alvinegro. “Foi na final da categoria sub-7 da Liga Paulista, em 2019. Nós vencemos por 6 a 0. Naquele dia, fui o autor de um gol e quatro assistências. Depois do jogo, recebi o troféu artilheiro da competição, melhor da partida e do campeonato”, relembra o menino, um dos atletas mais jovens do mundo a ser patrocinado pela Nike. ----O irmãoEnquanto dá os primeiros passos na base, Kauan acompanha a ascensão do irmão Lucas Yan. Atualmente no sub-17, ele joga como segundo volante e chegou ao Santos após chamar a atenção quando atuava no sub-13 do São Paulo. Fã de Renato, Lucas Yan defendeu o clube do Morumbi entre os 9 e os 12 anos. Porém, ao receber uma proposta do Peixe, o jovem e os pais não pensaram duas vezes. “Decidimos trocar o São Paulo pelo Santos porque eu e meus pais entendemos que seria melhor por conta das oportunidades que o Santos dá para os garotos da base. E eles (os meus pais) acharam também que seria mais interessante para a família morar aqui”, conta. Promissor como o irmão, Lucas tem cidadania italiana e esteve no radar de clubes europeus. Contudo, pés no chão, ele optou por permanecer e amadurecer no Peixe. A direção santista, por sua vez, desenvolveu um plano de carreira para os irmãos. “Tivemos propostas para ir à Europa, mas resolvemos ficar. Como temos cidadania italiana, alguns clubes nos procuraram. Mas o Santos fez um plano de carreira para a gente e isso foi determinante para ficarmos”, diz a promessa. “Sei que isso aumenta a responsabilidade, mas fico tranquilo. É o sonho de qualquer menino vestir essa camisa e tento entregar o máximo, porque essa oportunidade não é qualquer um que tem. Quero chegar aos profissionais do Santos e conquistar tudo que for possível antes de ir à Europa”, acrescenta. Cria da escolinhaMeia de criação da equipe sub-15 do Santos, Eduardo Gimenes está no Peixe desde os 6 anos. Natural de Caieiras, em São Paulo, Dudu, como é chamado, tem o legítimo DNA santista. Antes de desembarcar na Vila Belmiro, o garoto arriscou os primeiros chutes em uma escolinha Meninos da Vila da sua cidade e lá chamou a atenção dos olheiros do clube. “Eu morava em Caieiras e jogava na escolinha do Santos. Todo ano o clube fazia peneiras por lá. Com 5 anos, passei em um dos testes, mas não pude vir, porque não tinha categoria para essa idade. Só realizei esse sonho quando completei 6 anos. Na época, comecei no futsal. Agora, com 14 anos, já são quase oito de clube. Espero um dia poder chegar aos profissionais”, fala Dudu. Sabedor de que no Santos alguns jogadores são promovidos ao time principal de maneira precoce, Dudu não esconde que sente um friozinho na barriga quando pensa que o atacante Ângelo estreou com 16 anos, diante do Fluminense, em pleno Maracanã. “Passa um filme na cabeça quando penso nisso. Fico imaginando que podem faltar apenas dois anos para acontecer comigo. Sei que não é comum, mas pode acontecer e tenho que estar preparado”, comenta. Ao longo desses oito anos de Santos, Dudu já viveu dias inesquecíveis e faz questão de citar dois deles. “Um foi quando encontrei o Pelé. Foi uma honra, uma sensação mágica. O outro foi em 2019, quando vencemos o Campeonato Paulista sub-11 sobre o Palmeiras, nos pênaltis, no Pacaembu”. Xodó da criançadaUm dos principais jogadores do Santos no vice-campeonato da última Copa São Paulo, Weslley Patati não foi promovido ao time principal após a competição, como alguns companheiros, mas é um dos nomes da base que mais geram expectativas. Habilidoso e rápido, Patati tem as características que fazem o torcedor acreditar no surgimento de um novo craque. Isso, contudo, não assusta o garoto. “Não levo essa expectativa como um peso. Independentemente de qualquer coisa, vou fazer o meu melhor para corresponder”, diz Patati. O apelido em questão surgiu ainda na infância, quando o garoto não tinha condições de comprar as próprias chuteiras e precisava pedi-las emprestadas aos amigos mais velhos. Por serem muito maiores que seu número, os colegas diziam que pareciam pés de palhaço. Essa origem lúdica do apelido chama a atenção da criançada. Somado a isso, o estilo de jogo apresentado na última Copinha, com dribles e jogadas de efeito, ampliou a curiosidade dos meninos. “A Copinha foi o gatilho na minha carreira. Eu não era conhecido, mas tudo mudou. A criançada tem carinho por mim e acho isso bem legal. Quero fazer mais e mais para dar alegrias a toda rapaziada. As crianças são muito carinhosas comigo e estou curtindo tudo isso”, explica o atacante, que tem contrato até 2024 e multa rescisória de 100 milhões de euros (R\$ 505 milhões na cotação atual) para times do exterior e R\$ 30 milhões para clubes nacionais.