[[legacy_image_305829]] Em 1998, os tempos também não estavam fáceis para o Santos. O problema não era o fantasma do rebaixamento, e sim a falta de títulos. Sem uma conquista importante desde que Serginho Chulapa tinha garantido o título do Campeonato Paulista na vitória de 1 a 0 contra o Corinthians, em dezembro de 1984, no Morumbi, a torcida era constantemente provocada. Nem o título do Torneio Rio São-Paulo, em 1997, diminuiu as provocações dos rivais. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A campanha da Taça Conmebol de 1998, sob o comando do técnico Emerson Leão, dava uma esperança diferente. Voltar a disputar um título internacional. E aquele time era muito valente. Eliminou o Once Caldas nos pênaltis, venceu a LDU e goleou o Sampaio Correa na semifinal. Dali em diante era se preparar a final contra os argentinos do Rosario Central. O que se viu foi uma equipe corajosa, que ganhou a primeira partida de 1 a 0, com assistência de Anderson Lima e gol de Claudiomiro, na Vila Belmiro. A vitória foi muito importante porque já se esperava uma guerra na casa dos tradicionais rivais. Estava chegando a hora da famosa Batalha de Rosario. “Já tinham nos avisado que havia uma guerra preparada em Rosario“, lembrou o preparador físico Walmir Cruz. “O ônibus parou longe do vestiário e tivemos que andar cerca de 100 metros diante de vaias, ofensas e muito objetos lançados contra o nosso time. E eu fui premiado, porque lançaram um porta-guardanapos no meu ombro que fez um ferimento. Fiquei ensanguentado”, recorda. Curiosamente, Walmir já era o preparador físico do técnico Leão no Atlético-MG na final da Conmebol em 1997, contra o Lanus, também na Argentina. “Lá houve outra guerra, o Leão foi agredido e teve que fazer uma cirurgia no rosto”. Por causa dessas lembranças ainda dos tempos do Atlético, o treinador santista estava nervoso e chegou e pedir para os jogadores, que estavam com o uniforme de jogo, colocarem o agasalho para deixarem o estádio. Depois de uma série de reuniões entre os dirigentes da Conmebol e do Santos, a partida foi atrasada e o vice-presidente do Santos, José Paulo Fernandes, conseguiu colocar o técnico Leão no banco, mesmo ele estando suspenso. [[legacy_image_305830]] Título inesquecível “Você não imagina o clima que nós enfrentamos lá. Por precaução, levamos cerca de 30 seguranças, preparados para tudo. Diante daquela pressão, joga ou não joga, o Marco Aurélio Cunha sugeriu que fôssemos para o campo aquecer, o que não era comum naquela época. O Marco Aurélio me disse eles iriam cansar de nos xingar no aquecimento, e aí a coisa se acalmaria. No início eu estranhei, mas depois concordei e daí em diante nosso time se fortaleceu em campo e soube jogar com o resultado”, relembra José Paulo. O empate de 0 a 0, com uma atuação perfeita do goleiro Zetti, garantiu a conquista. O zagueiro Claudiomiro se tornou o herói do título com o gol no primeiro jogo na Vila Belmiro. “Foi o título mais importante da minha carreira, por tudo que nós passamos. E a festa da torcida foi inesquecível em Santos”, conta. O meio-campo Élder completa: “Sabíamos que estávamos fazendo história, porque eram quase 30 anos sem um título internacional”. O jovem Marcos Basílio também foi titular. “Aquele título foi a cereja do bolo para quem estava começando como eu. Lembro de todos os detalhes da chegada a Santos”. Aquela conquista teve a marca registrada de Leão, um técnico que montou uma equipe forte, que juntou experiência e juventude na medida certa. Defesa segura, meio-campo forte e um ataque rápido e objetivo. O capitão Narciso definiu assim aquele grupo de jogadores. “Eu atuei em vários times do Santos, alguns até melhores, mas nenhum tão guerreiro e determinado como os campeões da Conmebol de 1998”. Na galeria de heróis O título santista veio graças à vitória na primeira partida, na Vila, quando Claudiomiro decidiu a partida com um gol de cabeça, após batida de escanteio do lateral-direito Anderson Lima. A jogada era intensamente treinada pelo Peixe, que além do zagueiro, também tinha no atacante Viola uma referência nas bolas aéreas ofensivas. “A nossa bola parada era muito forte e treinávamos muito esse tipo de jogada. No primeiro jogo, muito truncado, graças a Deus a gente teve essa capacidade. Eu de fazer uma bela cobrança e o Claudiomiro de cabecear muito bem”, lembra Anderson. Com a vantagem conquistada na partida de ida, tensa, com seis expulsões, três de cada lado, o time já sabia o que iria encontrar na Argentina. “Foi uma guerra, uma batalha. A gente chegou lá na base de tiros de borracha (da polícia, tentando dispersar a torcida) e torcedores querendo derrubar o ônibus, uma pressão muito grande”, recorda o lateral. Superada a pressão da entrada no estádio e a apreensão pelo clima hostil que irradiava das arquibancadas do Gigante de Arroyito, o time conseguiu, em campo, controlar o ímpeto argentino. Para Anderson, o feito teve a marca registrada do técnico Leão. “Era um grupo muito unido, que sabia o que queria. Com jogadores experientes e outros mais novos. O conjunto se fortaleceu dentro da competição muito rápido, tinha muita qualidade. E o poder de gestão do Leão naquele momento foi superimportante. Fico muito feliz de fazer parte dessa história”.