[[legacy_image_14363]] O planejamento de 2020 do Santos não prevê investimento pesado em contratações. Após gastar mais de R\$ 75 milhões em reforços na atual temporada, o Peixe entende que no próximo ano será hora de dar espaço a jovens da base. E quem aguarda ansiosamente por isso é o meio-campista Anderson Ceará, de 20 anos. Vizinho da Vila Belmiro, o garoto do time sub-20 assiste aos jogos do Peixe pelo Campeonato Brasileiro do terraço do prédio em que mora, enquanto sonha com a oportunidade de reestrear pelo time profissional. A estreia ocorreu em 2018, contra o Botafogo, em casa, após Cuca se encantar com seu futebol em dois treinamentos. Porém, três dias depois de viver o momento mais esperado da carreira, o garoto natural de Tianguá, no Ceará, sofreu um duro golpe. “Depois de ir bem num jogo-treino, o Cuca pediu para eu treinar com os profissionais. Fui bem novamente e, no final daquela atividade, me avisaram que iria para o jogo contra o Botafogo, na Vila. Entrei durante a partida e vivi um dia inesquecível. Três dias depois fui do céu ao inferno. Rompi os ligamentos do joelho direito em um treinamento e fiquei seis meses parado”, conta o meia. “No começo, não queria saber de nada. Só pensava se era isso que eu realmente queria para a minha vida", acrescenta. O abatimento de Ceará era compreensível. Por conta da gravidade da lesão, a promessa teria que ser submetido a cirurgia. O apoio para dar a volta por cima veio de dentro do clube. "O presidente (José Carlos Peres) me telefonou e pediu para eu escolher o médico que ia me operar. O (Marco) Maturana, gerente das categorias de base, me acompanhou durante a operação em São Paulo e fez questão de conversar com os médicos. Quando estava internado, o presidente voltou a me ligar para passar tranquilidade e disse: 'Não se preocupe com nada. O Santos está com você'", revela. [[legacy_image_14364]] Recomeço Após longos meses de recuperação, em junho deste ano Ceará voltou a treinar no CT Rei Pelé. E nesse recomeço, ele recebeu uma injeção de ânimo. Membros da comissão técnica de Jorge Sampaoli o procuraram para conversar. "Eles pediram para eu me concentrar em pegar ritmo de jogo na base, recuperar o condicionamento físico e ter paciência, porque a minha hora ia chegar. Tenho sido um dos sparrings do elenco principal e estou com muita expectativa de atuar no time principal novamente em 2019". Centrado, Ceará conta as horas para que isso ocorra e, a partir de então, ele possa retribuir tudo o que o clube fez por ele. “Tenho contrato com o Santos até 2021 e espero cumpri-lo. Quando a minha hora chegar, eu quero estar bem preparado. Não chegar lá (nos profissionais), bater e voltar. Depois de brilhar com essa camisa penso em uma transferência para o futebol europeu", explica. [[legacy_image_14365]] No Velho Continente, Ceará tem um sonho. Diferentemente da maioria dos atletas, ele não pensa em atuar em um determinado time. Mas sim com um treinador. “Por tudo que representa e pela forma que monta os seus times, tenho o sonho de ser treinado pelo Pep Guardiola - atualmente técnico do Manchester City”, revela o jovem, que assinou o seu primeiro contrato profissional em 2018, com multa rescisória de 100 milhões de euros (R\$ 458 milhões na cotação atual) para clubes do exterior e R\$ 40 milhões para times do Brasil. Em 2017, PSV leva Ceará para a Holanda O alto valor da multa rescisória tem explicação. Além do talento na perna esquerda, Ceará esteve com os dois pés fora do Santos, e do Brasil. Em 2017, ele foi convidado para fazer um intercâmbio no PSV, da Holanda, e por pouco não se profissionalizou por lá. “Estava com 18 anos quando o PSV me fez o convite para ficar um mês treinando na base deles. O Santos e os meus empresários não concordaram, mas eu insisti. Estava curioso para conhecer a filosofia de trabalho e o próprio futebol europeu. Depois de conversar, houve um acordo e fui". Em solo holandês, Ceará encantou os treinadores e dirigentes do PSV, que fizeram uma proposta para que ele permanecesse em definitivo. [[legacy_image_14366]] “Esse período de um mês foi incrível. Conheci outros países da Europa e conheci a metodologia de futebol aplicada lá. A experiência foi tão boa que eles pediram para eu ficar mais um mês. Aprendi muito. Quando os dois meses estavam terminando, os dirigentes do PSV me ofereceram um contrato profissional”, recorda. A proposta mexeu com a cabeça do jogador. Principalmente pelo fato de que o Santos, à época, não demonstrava interesse em valorizar a prata da casa. “Pensei em assinar com o PSV, porque a antiga diretoria não tinha me feito proposta de contrato profissional. Enquanto eu estava lá, mudou a diretoria do Santos e o interesse também. Recebi várias ligações pedindo para eu voltar. Conversamos, e, no momento em que o Santos me propôs um contrato profissional, não pensei duas vezes. Voltei, porque aqui seria melhor para o meu desenvolvimento”, conclui o meio-campista descoberto em uma peneira para a equipe sub-13 em 2012.