[[legacy_image_80499]] De volta às partidas do Santos após quase 300 dias de ausência e o risco de perder a perna direita, o atacante Raniel vive momentos de alegria no CT Rei Pelé. Relacionado para os três últimos jogos, o jogador se considera um abençoado por ter vencido as dificuldades. O desespero de Raniel teve início em outubro do ano passado. Concentrado para encarar o Goiás, em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro, o atacante descobriu que estava com uma trombose venosa profunda. “Eu não sabia a gravidade da situação quando acordei, mas senti uma dor insuportável. Uma pressão enorme na minha perna, eu cheguei a gemer de dor. E assim que o doutor viu, ele já falou que era suspeita de trombose e teríamos que ir para o hospital. Então já me internaram em Goiânia mesmo. E após a dor, em muitos momentos eu fiquei sem sentir a perna. Era como se ela estivesse dormente. O médico do hospital de Goiânia me disse que eu estava ali entre um ou dois minutos de perder a minha perna. Foram momentos angustiantes. Tive risco de perder a perna ou até a vida. Por isso que hoje eu posso dizer que sou um milagre” disse o camisa 12 do Peixe em entrevista ao site oficial do clube. Transferido para São Paulo, Raniel foi submetido a tratamentos como uma drenagem para cuidar de um hematoma na perna, causado pela trombose. Em março de 2021, ele precisou passar novamente por uma cirurgia na região, desta vez de alongamento da musculatura posterior e de retirada de uma fibrose que limitava os movimentos do seu tornozelo. O atacante admite que, durante o período entre os procedimentos, chegou a pensar que se aposentaria. “Se te falar que não (pensou que não jogaria mais futebol), eu vou estar mentindo. Muitas vezes passou pela minha cabeça que eu nunca mais entraria em campo novamente. Quando fiz a primeira cirurgia, ainda em outubro, eu não conseguia colocar o calcanhar no chão. Chegava animado em casa após os treinos, mas quando acordava no outro dia era uma dor absurda e eu não conseguia pisar. Cheguei a comentar com a minha esposa que estava perdendo as esperanças de poder voltar a andar normalmente. Mas depois da segunda cirurgia, no momento em que coloquei o pé no chão, foi uma sensação única, pois não sentia mais a dor”, disse ele. Desde que foi liberado pelo departamento Médico do Santos, Raniel foi relacionado para os três últimos jogos da equipe e nunca irá esquecer o momento em que o técnico Fernando Diniz, no clássico contra o Palmeiras, no último sábado (10), decidiu colocá-lo em campo pela primeira vez depois de todo sofrimento superado. “Foi uma mistura de sensações quando o Diniz me chamou ali no Allianz. Passou um filme na minha cabeça, de toda a minha trajetória e luta diária para chegar até aquele momento”. Raniel revela que o acidente com o filho Felipe, que quase se afogou na piscina em 2020, foi muito importante para que ele encarasse o problema da trombose de frente. “Várias vezes eu chegava em casa p***, pois não conseguia exercer meu trabalho no CT, mas então eu via meus filhos sorrindo para mim, principalmente o Felipe, que sofreu o acidente ano passado. Meu filho passou perto de não estar mais entre nós, mas estava ali engatinhando e feliz. Eu parava para pensar: ‘Como que eu, com 25 anos na cara, vou desistir de toda uma vida que sonhei, sendo que meu filho de dois anos lutou pela vida com nove meses e hoje é um milagre?’ Ele me deu muita força para continuar acreditando". Trabalhando para recuperar o condicionamento físico, Raniel quer retribuir todo o carinho que recebeu de amigos, torcedores e profissionais do Santos que o ajudaram. "Tenho muita fé de que vou voltar a ser o Raniel que eu sempre fui. Vou voltar a ser o cara que ajuda a equipe, faz gols e ganha títulos. Todo mundo aqui do CT está doido para me ver fazer um gol de novo. Eu vou dar essa volta por cima também pela família e pela comissão do Santos pois todos merecem por tudo que passaram comigo".