[[legacy_image_216547]] Às vésperas do clássico contra o Corinthians, que será disputado às 19 horas deste sábado (22), na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, o presidente do Santos, Andres Rueda, recebeu A Tribuna em sua sala, no CT Rei Pelé, para responder uma série de questionamentos. Entre os diversos assuntos, o mandatário garantiu que não será candidato à reeleição, explicou qual será o potencial de investimento do clube para 2023, admitiu condições financeiras para efetuar a compra de Soteldo e não descartou manter Orlando Ribeiro para a próxima temporada. Por outro lado, o dirigente demonstrou preocupação com os desdobramentos do julgamento da DIS, que está em andamento na Espanha, pela venda de Neymar ao Barcelona. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na última reunião do Conselho Deliberativo o senhor comentou sobre o bloqueio do dinheiro da venda do Kaiky para o Almeria pelo Fisco espanhol em razão do não pagamento de impostos na venda de Neymar ao Barcelona. Houve alguma evolução sobre o assunto?Segue tudo na mesma. É uma decisão um pouco arbitrária do Fisco espanhol, porque a ação não está julgada. Nós estamos nos defendendo, estamos com um recurso, mas o dinheiro não foi e dificilmente será desbloqueado. Tanto que a nossa decisão nem é prorrogar mais esse problema. Infelizmente, nós realmente devemos. Então, não adianta gastar dinheiro com advogados com a tentativa de jogar para frente, porque o valor vai aumentando cada vez mais e alguém aqui nessa cadeira vai ter que pagar essa conta. A nossa ideia é desbloquear esse dinheiro do Kaiky e pagar o Fisco da Espanha. E o valor que sobrar, que não é muito, colocar nas contas do Santos. Seria excelente se a gente conseguisse parcelar esse pagamento, mas a dívida se encontra num ponto que não é possível. O julgamento que tem acontecido na Espanha envolvendo Neymar e a DIS tem alguma relação com o bloqueio do dinheiro do Kaiky?Nada a ver. Na Espanha, quando um clube compra um jogador de fora, quem vende tem que pagar 15% de imposto. É meio sem noção, mas é assim. Desde a venda do Rodrygo, da qual participei diretamente ainda na gestão do ex-presidente Peres, nós colocamos no acordo que se tivesse impostos para o Santos, o clube comprador se responsabilizaria. E naquele episódio, o Real Madrid arcou com essa despesa. Já na negociação do Neymar com o Barcelona não foi colocada essa condição. Então, pela lei o Santos deve. Não tem choro. E o Santos corre risco de ser punido pela Justiça espanhola nesse julgamento da DIS? Se fala em multa. Na decisão, o juiz pode sim aplicar uma multa para o Santos e o valor pode ser altíssimo. Estamos tentando nos defender de todas as maneiras alegando que o crime julgado na Espanha não existe na Justiça brasileira. Mas é aquilo. Em um julgamento pode acontecer tudo. Porém, se formos multados não adianta não pagar. Vai ficar a pendência e, quando fizermos negócio com um clube espanhol, o Fisco vai bloquear novamente. Estamos preocupados com isso. Temos um bom time de advogados nos defendendo. Desde o início da sua gestão, em janeiro de 2021, o discurso é de que em 2023 o Santos terá condições de investir no futebol. Mas qual será esse potencial de investimento?No nosso planejamento estaríamos tranquilos até o final do ano com a venda do Kaiky. Pagando os acordos, as dívidas, os impostos e os salários. Estava justinho para chegar lá. A partir de 2023, com as receitas de TV e as outras mais, somadas aos muitos acordos que terminarão, começaria a sobrar dinheiro em caixa para investimentos. O problema é que o bloqueio do dinheiro do Kaiky me quebrou as pernas. Estou precisando sambar para ver como chego até dezembro. Ainda assim vai sobrar para investir, mas não é um caminhão de dinheiro. Não dá para a gente, em dois anos, colocar o clube que estava em terra arrasada em outro patamar. Mas é fato que mudaremos a estratégia de contratação. [[legacy_image_216548]] Mas mudará de que forma?Até hoje não contratei jogador nenhum. A maioria veio por empréstimo ou que estava sem contrato. Se os clubes me pedissem US\$ 500 mil por um jogador, eu não tinha como pagar. Em 2023 vou poder mudar um pouco esse planejamento. Por exemplo: queríamos muito os argentinos Lucas Blondel e Franco Cristaldo, mas eu não tinha dinheiro para pagar. No ano que vem isso vai ficar mais flexível. Seremos mais valentes nas contratações. Porém, não dá para trazer jogadores caríssimos e eu não quero comprometer as finanças do clube. Sofro muita pressão nas redes sociais, mas a coisa mais fácil seria trazer jogadores, porque hoje dá para fazer carnês das Casas Bahia em contratações. Eu poderia pegar um jogador de 10 milhões, pagar 2 milhões no primeiro ano, depois prometo uma outra parte para 2023, outra em 2024 e assim por diante até quitar. Acontece que o Santos não tem condições. Foram ações assim que colocaram o clube na situação em que se encontra. Nossa gestão faz uma política pés no chão. Em menos de um mês a atual temporada chega ao fim e o senhor entrará no seu último ano de mandato. O senhor pensa ser candidato à reeleição?Não, e não concordo com reeleição. Um clube tem que ter alternância de poder. Se cada um que assumir a presidência entregar com o cenário melhor, iremos voltar a fazer o torcedor feliz. É só assim que teremos evolução no clube. Continuísmo é um atraso de vida. Não serei candidato. Nós tínhamos a missão de tirar o clube da situação em que se encontrava e tentar colocar algumas amarras de proteção. Com tropeços, dentro de acertos e erros, no meu entendimento, temos feitos um trabalho dentro do possível. Após a demissão do Lisca, a decisão do Santos foi promover e manter o Orlando Ribeiro até o fim de 2022. Existe chances de ele ser efetivado para 2023?Eu e o Comitê de Gestão decidimos dar a oportunidade para o Orlando Ribeiro no time profissional porque confiamos no potencial dele e porque, com o número de jogos que faltavam, era possível que até a gente sentar e conversar com um novo treinador o campeonato tivesse chegado ao fim. Por isso decretamos que o Orlando ia levar até o fim de 2022. Isso acarreta em algumas coisas que as pessoas não estão entendendo. Eu não posso, até acabar o Brasileirão, colocar qualquer ingrediente que cause desconforto no elenco e na comissão técnica, porque estamos brigando por um lugar na Libertadores. É verdade que estamos levantando nomes de executivos, técnicos e jogadores. Aí, ao término do campeonato, quando tomarmos as decisões, o Orlando pode sim ser colocado nessa cesta de nomes a serem analisados. Ele tem todos os pré-requisitos de um bom treinador. Muitas vezes as pessoas reclamam que ele não tem experiência nos profissionais, pois só trabalhou na base, mas eu pergunto: por que a nossa base não pode revelar um bom treinador? Um bom executivo? Hoje eu tenho um ótimo gerente na base, que é o Ricardo Luiz. Aqui no Santos as coisas funcionam por meritocracia. Eles serão analisados sim. O senhor fala que está levantando nomes de treinadores. A permanência do Orlando depende de possíveis negativas que o Santos vier a receber dos nomes levantados ou daquilo que ele apresentar até o fim do Brasileiro?O trabalho do Orlando em campo vai ser determinante. Não tem nada atrelado às negativas. Gostamos muito do que ele vem implementando e da maneira dele de trabalhar. Ele tem pontos que precisa amadurecer, mas é um profissional que já está na casa e vai ser considerado sim. [[legacy_image_216549]] Além do treinador, o Santos segue de olho no mercado em busca de um executivo de Futebol. Porém, o senhor já avisou que não abre mão de discutir salários com os jogadores desejados. Quem vier terá que aceitar essa condição?Quando trago um funcionário, procuro ser transparente com ele. Primeiro coloco a situação em que o clube se encontra. Para todos falo que existe o Comitê de Gestão e que aqui as decisões são todas colegiadas. Apanhar porque estou exercendo aquilo que diz o estatuto do clube não faz sentido. Mas tudo bem, vamos em frente. Todos os executivos que chegaram aqui me perguntaram qual era o orçamento para gastar. E a resposta, até o momento, foi a mesma para todos: não tínhamos orçamento. Não tínhamos dinheiro. A verdade é que tudo depende de diversas variáveis. Depende da venda de jogadores, da posição que vamos terminar no campeonato, e isso é significativo. Então, quem vier para ocupar o cargo terá sim que aceitar as nossas condições. Não abro mão disso. No ano passado, nesta mesma época do Santos, o Santos viabilizou a chegada do Eduardo Bauermann, que estava no América-MG, sem custos ao assinar um pré-contrato. Existe algo semelhante já fechado para 2023?Existe um planejamento interno, mas as ações só serão tomadas após o Campeonato Brasileiro. Aqui no Santos vaza tudo. Se eu fizer menção de adiantar com algum jogador, isso vaza e traz intranquilidade para o nosso time. Tenho uma série de jogadores mapeados, mas nada acertado no papel. Na hora certa vamos lá e fechar. Recentemente o senhor comentou que terá que vender jogadores na próxima janela de transferências para manter o clube equilibrado. Já existe alguma saída encaminhada?O futebol é muito caro. A receita é menor do que a despesa, não tem jeito. A conta não fecha. A gente se aperta, acumula um mês em dificuldades, pega um empréstimo, vai levando, mas chega uma hora que você se estrangula. E uma das fontes de receita dos clubes é a venda de jogadores. Não deveria ser, mas é. As receitas normais entram, mas não cobrem as despesas. Diante disso, é natural o Santos, com a visibilidade e o histórico de formação de craques que tem, receber sondagens. Não há nada fechado, mas tendo propostas boas para o clube e para os jogador, vamos ter que vender. O vínculo de empréstimo do Soteldo com o Santos termina no meio do próximo ano. Ele veio com opção de compra. O clube vai exercer a aquisição?Tenho o empréstimo do Soteldo até o meio do ano. Ele só veio para o Santos porque as condições financeiras estavam dentro do nosso bolso. É verdade que ele tem um salário razoável, mas é preciso lembrar que chegou ao Santos sem custos pelo empréstimo. A opção de compra que acertamos com o Tigres, do México, de US\$ 4 milhões (R\$ 20 milhões na cotação do dia) é viável para ser exercida em julho. Eu não trago um jogador imaginando que não vou comprar. Só não vou comprar se ele não for bem. E, conhecendo o Soteldo tecnicamente, tenho plena confiança de que nos dará muitas alegrias. [[legacy_image_216550]] O Santos conta com alguns jogadores caminhando para o final de contrato. Bruno Oliveira, Madson, têm contratos até dezembro. Luan, Jhojan Julio e Angulo permanecem até o meio do próximo ano. O senhor já sabe o que fazer em relação a eles?Temos uma ideia do que vamos fazer sobre eles, mas enquanto não acabar o Brasileirão não vamos adiantar nada, porque muitas coisas ainda podem acontecer. Em dezembro o Santos irá efetuar a compra do volante Rodrigo Fernández. Mas é nítido que o elenco ainda carece de opções nessa função. O Alison está sem clube e se encontra tratando de uma lesão no CT Rei Pelé. Ele será um dos reforços para 2023?Ainda não sei se será reforço para o ano que vem, mas será considerado. Para 2023 entra uma série de coisas no planejamento, mas ele está aqui.