[[legacy_image_222857]] Anunciado como novo técnico do Santos para 2023, Odair Hellmann fará no Peixe o seu terceiro trabalho à frente de uma equipe profissional do futebol brasileiro. Antes de ser contratado pelo time da Vila Belmiro, o treinador comandou o Internacional entre 2017 e 2019, e, no ano seguinte, o Fluminense. Para tirar as dúvidas dos torcedores santistas em relação ao novo comandante, A Tribuna conversou com os jornalistas Fabiano Baldasso e José Ilan, que acompanharam de perto a passagem do técnico por esses dois clubes. E as opiniões sobre ele são bem distintas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O gaúcho Baldasso, por exemplo, entende que Hellmann foi imprescindível no processo de reconstrução do Internacional após a queda para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2016. "O trabalho do Odair Hellmann no Internacional foi exuberante. No momento de maior dificuldade da história do clube, ele assume a equipe profissional de forma interina, na reta final de 2017, quando o Inter ainda precisava de alguns pontos para confirmar o retorno à Série A. No começo de 2018 é efetivado no cargo com toda a dificuldade de um time que volta da Série B, sem capacidade de investimento e com um grupo de jogadores muito curto. O Inter, quando começou o Brasileirão de 2018, era colocado por muitos como um dos candidatos ao rebaixamento, mas terminou em terceiro lugar com um time bastante equilibrado", recorda o jornalista. "Em 2019, também com dificuldades de opções no grupo, Odair foi finalista da Copa do Brasil, avançou na Libertadores e só foi cair para o Flamengo do Jorge Jesus nas quartas de final", acrescenta ele. [[legacy_image_222858]] Admirador do trabalho do técnico, Baldasso não tem dúvidas para definir Odair como "um grande treinador". E uma das virtudes do novo comandante do Peixe, segundo o jornalista, é a capacidade de manter o controle do vestiário. "Na condição de campo, a principal virtude do Odair, até pela qualidade dos grupos que recebeu até hoje, uma vez que é um treinador emergente do futebol brasileiro, é a de encontrar soluções. Ele inicialmente formata o time com soluções defensivas, o que eu considero correto. A sua primeira preocupação é buscar uma forma de fazer com que o time não tome gol e só depois disso parte para as questões ofensivas", explica Baldasso. "O Odair não tem formação tática preferencial. É um treinador que, apesar de jovem, é bem convencional. Gosta de jogar no 4-4-2, com dois volantes, dois meias e dois atacantes. Porém, já jogou no 4-2-3-1, que é uma variação, mas com homens mais abertos pelos lados do campo. Ele é um treinador de times equilibrados. E o Santos, na minha visão, deve passar por algumas dificuldades ainda em 2023 por conta de elenco, mas ele é um treinador com capacidade de achar soluções dentro de um universo limitado. No meu modo de enxergar futebol, vejo o Odair como o melhor treinador emergente do futebol brasileiro", comenta Baldasso. "Ruim de ver jogar" A opinião do carioca José Ilan, que acompanhou o trabalho de Odair no Fluminense em 2020, vai na contramão do que Baldasso viu no Rio Grande do Sul. Para o jornalista que acompanha o time das Laranjeiras, o novo técnico do Santos é um profissional que se limita a jogar por uma bola. "Tem uma parte da torcida do Fluminense que defende o Odair, mas eu, particularmente, achei o trabalho ruim. Muitos alegam que com ele a equipe não perdia, mas não é bem assim. O Fluminense foi eliminado da Copa Sul-Americana pelo Unión La Calera, do Chile, com dois empates. Depois foi eliminado na quarta fase da Copa do Brasil pelo Atlético-GO. A equipe venceu o primeiro jogo no Maracanã, por 1 a 0, mas foi atropelada em Goiânia. Perdeu por 3 a 1 e não chegou sequer às oitavas de final", lembra Ilan. [[legacy_image_222859]] "Quando ele decidiu ir embora para assumir o time dos Emirados Árabes, estava numa fase ok. Ele é uma figura legal, simpática, a torcida gostava, mas essas duas eliminações foram vexatórias", diz. Por conta do viu de perto, o jornalista do Rio de Janeiro aconselha o torcedor do Santos a não criar qualquer expectativa a respeito daquele futebol vistoso e ofensivo que tanto ama, enquanto o novo técnico estiver à frente do Peixe. "O Odair é um treinador à moda antiga. No Fluminense usou alguns jovens da base como o Santos também costuma fazer. Isso não é problema para ele. A minha insatisfação é quanto a filosofia de jogo. Ele joga por uma única bola. Tem pouca ambição nas partidas. É um treinador que ao ver o seu time marcar o primeiro gol, não pede para tentar o segundo ou o terceiro. Pelo contrário, ele vai fazer de tudo para segurar o 1 a 0". Questionado se o trabalho de Odair pode ser comparado ao que Fernando Diniz, ex-técnico do Santos, tem feito no Tricolor carioca, Ilan é taxativo. "De jeito nenhum! Sou bastante crítico a muita coisa feita pelo Diniz. Porém, o trabalho dele é muito melhor que o do Odair. O Fluminense do Odair era muito ruim de se ver jogar", concluiu o carioca. Contratado pelo coordenador esportivo do Santos, Paulo Roberto Falcão, Odair segue no continente asiático e deve assistir a alguns jogos da Copa do Mundo do Catar. O trabalho dele no CT Rei Pelé terá início no próximo dia 14, quando o elenco alvinegro se reapresenta para começar o período de pré-temporada para 2023.