[[legacy_image_209510]] O ano de 2022 tem sido uma verdadeira escola para o jovem atacante Fernandinho. Apesar de compor o elenco vice-campeão da última Copa São Paulo de Futebol Junior, o atleta, que um dia foi elogiado por Zico, sofreu com as críticas da torcida do Santos pelo desempenho frustrante na competição. Porém, resiliente, o garoto de 19 anos ergueu a cabeça e oito meses depois desfruta de um bom momento na equipe sub-20 do Peixe com gols e assistências. Peça importante do time que está nas quartas de final do Campeonato Paulista da categoria, o menino sonha em reeditar nos profissionais a dupla de sucesso que fez com Marcos Leonardo por longos anos na base alvinegra. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Fernandinho chegou à Vila Belmiro em 2014, com 11 anos. Apesar da pouca idade, o garoto sempre teve consciência de toda expectativa que os torcedores do Santos depositam nos jogadores formados no clube. Por isso, reconhece que o seu desempenho na Copinha foi abaixo do que esperavam e ele mesmo imaginava. "Antes da Copinha eu estava muito bem. Tinha acabado de descer do time sub-23 para o sub-20 e estava confiante. Era titular e vinha fazendo bons treinos. Era a minha primeira Copinha e todo garoto espera por isso. Acontece que dez dias antes de viajarmos machuquei a coxa esquerda e tratei a lesão às pressas. Isso me prejudicou muito. Voltei a treinar com dores. Eu não estava legal psicologicamente, com medo de nova lesão. Ainda assim fui titular na estreia, mas não rendi e isso me frustrou", relembra ele, que passou a conviver com a pressão da torcida nas redes sociais. "Tento evitar ao máximo ler o que escrevem nas redes sociais, mas não tem jeito. A gente acaba lendo e isso prejudica. Eu já não estava bem psicologicamente por conta da lesão, e as coisas que lia atrapalhavam ainda mais. Tenho certeza que se não tivesse me machucado às vésperas da Copinha o meu desempenho seria outro", acrescenta. Depois da derrota por 4 a 0 para o Palmeiras na final da competição, Fernandinho, de férias, recorreu à família para cicatrizar as feridas. Segundo o próprio atleta, apesar de pesado, o período foi de grande aprendizado. [[legacy_image_209511]] Contudo, mesmo tendo convicção no seu potencial, o atacante foi buscar na memória os elogios que um dia recebeu de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro para se fortalecer mentalmente. "Quando estava no sub-14 fui disputar a Copa Zico, no Rio de Janeiro, com o Santos. Um dos confrontos foi contra o Fluminense e o Zico estava assistindo. A partida terminou 2 a 2 e fiz os dois gols naquele dia. Ao final da partida ele veio em minha direção, me deu os parabéns e falou para continuar focado, porque via muito potencial em mim. Ouvir isso do Zico foi demais", revela. Volta por cima Decidido a dar uma resposta para si e mostrar que o desempenho na Copinha foi apenas uma má fase, Fernandinho se reapresentou após as férias e iniciou o trabalho com o técnico Orlando Ribeiro, que está provisoriamente na equipe principal. Desde então foram 26 jogos, sendo 21 como titular, pelo Campeonato Paulista e Campeonato Brasileiro da categoria. Nesse período são sete gols marcados - três deles com belos chutes de fora da área - e três assistências. [[legacy_image_209512]] Além disso, Fernandinho fez alguns treinos com a equipe profissional sob o comando de Fabián Bustos e foi relacionado para o duelo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, contra o Deportivo Táchira, da Venezuela. "Hoje estou bem comigo mesmo. Bem psicologicamente. Tudo que aconteceu na Copinha me deu um gás a mais para mostrar o meu potencial. E o Orlando contribuiu muito para a minha melhora. Ele é um treinador que me ajudou demais. Quando o Santos o contratou eu ainda estava em baixa, mas ele me passou muita confiança. O estilo de jogo dele favorece as minhas características. Aprendi bastante com ele no sub-20 e torço para que se dê bem no time principal", fala o garoto. A presença de Orlando no comando do time profissional, aliás, faz Fernandinho sonhar com o retorno à equipe principal. No entanto, esse chamado ainda não ocorreu. "(Risos) Ainda não conversamos sobre isso. Há cerca de 10 dias ele me parabenizou por um gol que fiz no Campeonato Paulista, mas não fomos além disso". Se o treinador optar por ter o garoto no elenco para os compromissos que fará enquanto estiver à frente do time profissional, Fernandinho poderá, quem sabe, reeditar uma dupla que brilhou na base. "Aqui no clube joguei ao lado do Kaio Jorge, do Yuri Alberto e do Rodrygo. Mas com nenhum deles fui tão bem como fui com o Marcos Leonardo. Foram sete ou oito anos jogando juntos. A gente nem precisava se olhar para saber o que fazer. Sabíamos aonde o outro estava. Ele sempre fez muitos gols e me ajudou a ter bastante assistências", conta o atacante que se prepara para as quartas de final do Campeonato Paulista da categoria, diante do Ibrachina, no início do próximo mês.