[[legacy_image_4352]] Um dos pilares do atual líder do Campeonato Brasileiro, constantemente elogiado pelo técnico Jorge Sampaoli, Diego Pituca vive em 2019 a melhor fase da carreira. Alcançar esse momento, no entanto, não foi fácil. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, o meio-campista conta que chegou a desistir do futebol para trabalhar como estoquista em uma loja de sapato, revela que as comparações com Palmeiras e Flamengo dão mais forças para o elenco santista e afirma que teve medo de não renovar contrato com o time da Vila Belmiro. Diferente da maioria dos jogadores, você começou a chamar a atenção somente aos 25 anos. O que almeja na carreira? Seleção Brasileira, Europa, aposentar no Santos... Quais são seus objetivos? Cheguei com 25 anos no Santos e esse era o maior objetivo que tinha. Era um sonho de criança vestir a camisa do Santos e fazer história. É lógico que todo jogador pensa em atuar na Europa. Mas hoje o meu foco está só no Santos e em dar alegrias à torcida. Estar no Santos me faz, naturalmente, estar perto da Seleção Brasileira. Antes de estrear no Santos você rodou bastante por divisões inferiores. Pensou em desistir do futebol? Jogando em times de quarta divisão do futebol paulista você fica sem receber, a alimentação não é boa e, por isso, pensei várias vezes em desistir. Graças a Deus sempre tive uma família que me apoiou. Meus pais sempre me deram suporte para eu não desistir. Então, só tenho a agradecer a Deus por eles nunca terem me pedido para ir buscar outro emprego. Até porque só sei jogar futebol (risos). Mas você chegou a ter outro emprego? Trabalhei em outras áreas e um dos empregos foi como estoquista de uma loja de sapatos. Na época, com 18 ou 19 anos, estava jogando no Mineros, um time de Goiás. Não recebia e nem comia direito. No final do ano, voltei para casa e avisei a minha mãe que não queria mais jogar bola. Nesse período de festas, as lojas costumam ficar abertas até tarde em Mogi Guaçu, minha cidade, e aparecem vagas temporárias. A minha irmã trabalhava em uma dessas lojas e falou: 'Como você não quer mais jogar futebol, tem uma vaga de estoquista para o mês de dezembro inteiro. Se quiser, posso te indicar'. Eu estava sem fazer nada mesmo e topei. Até que foi bacana. Mas gastei o meu dinheiro quase todo com coxinhas, porque não comia comida esquentada. Consegui entregar R\$ 50,00 do salário para a minha mãe. O resto foi para pagar a dona da cantina. Você veio para o Santos B sem qualquer badalação e hoje é um dos destaques do time. A maioria dos jogadores do Santos B não vingou... No Santos B, eu sempre falava que apenas uma grade nos separava do time principal. Quando aceitei a proposta (de transferência), muitos me chamaram de louco por trocar o Botafogo-SP, onde já estava no profissional e vinha jogando, pelo B do Santos. Só que eu tinha o sonho de jogar no Santos. Por isso decidi agarrar a oportunidade, pois chegar aos profissionais dependeria apenas de mim. E, graças a Deus, consegui me destacar. Não sozinho. Tem o Gregory, que está no Bahia, o Felipe Diadema, que está no Vila Nova, e o Rodolfo, no Paraná. [[legacy_image_4353]] A sua renovação de contrato com o Santos não foi fácil. Você teve de receio de não permanecer?Tive um pouco de medo sim. Ficamos mais de seis meses tentando renovar. Não dava certo aqui ou ali. Fiquei com medo, porque não poderia sair da forma como as coisas estavam se desenhando. Entrei no Santos pela porta da frente e, se um dia eu sair, tenho que passar pela mesma porta. Como as coisas estavam acontecendo ficaria meio chato eu ir embora. Mas conversei com o meu empresário e com o presidente e conseguimos chegar a um acordo. Você conversou com outros clubes? Eu, particularmente, não. Mas havia outros clubes do Brasil atrás. Quais? Melhor deixarmos isso para lá. (risos) Você pegou momentos de crise no ano passado e agora vive o oposto com o Santos na liderança. O que fez o clube mudar nestes 12 meses? Com a chegada do Sampaoli, melhorou bastante coisa. Não que aqui fosse ruim antes dele. Mas ele melhorou muito as coisas dentro e fora de campo. É um cara que cobra bastante. Com a chegada dele, o Santos evoluiu muito. Tem essa questão de ele ter o DNA do clube, que é de jogar para frente, fazer bastantes gols. Muitos falavam que o Sampaoli não ia dar certo aqui, que o estilo de jogo não casava com o futebol brasileiro. Os jogadores entenderam a proposta sugerida por ele e isso contribuiu. Você costuma receber muitos elogios do Sampaoli e é um dos jogadores mais utilizados por ele no ano. Como é ser um dos homens de confiança do treinador? Fico muito feliz de saber que um cara como o Sampaoli, um treinador vencedor por onde passou, elogia o meu desempenho. Isso mostra que o meu trabalho é bem feito. Espero manter, seguir recebendo elogios, porque ele é um cara bacana. Ajuda bastante, não só a mim, mas a todo o grupo. Te assustou quando o Santos anunciou o Sampaoli? O que você imaginou? Fiquei um pouco assustado sim. Com um treinador como Sampaoli vindo para o Brasil, e para o Santos, foi normal ficar pensando: 'Será que ele vai me colocar para jogar? Será que ele vai gostar do meu futebol?'. Então, assustou. Mas, até o momento, tem dado tudo certo. De quais maneiras o Sampaoli tem sido importante para o seu crescimento? É um treinador que sempre me ajudou. Eu corria demais antes de ele chegar. Então pediu para eu ficar mais posicionado. Eu tinha o costume de correr muito atrás da bola e ele falou que, com a qualidade que tenho, o melhor era esperar mais a bola no pé e assim conseguir organizar o jogo. Ele também tem me ajudado muito em relação às finalizações. Sei que tenho pecado muito nisso e ele cobra bastante. Estou tentando evoluir. [[legacy_image_4354]] Desde que o Sampaoli assumiu o comando do Santos, você já atuou como lateral, volante e até meia-armador. Foi essa versatilidade que encantou o treinador? Acho que sim. Jogador hoje tem que atuar em várias posições. Antes de vir para o Santos eu já tinha jogado como lateral e meia-armador. Aliás, comecei como meia. Onde o Sampaoli me colocar, seja de zagueiro, lateral ou atacante, vou tentar dar o melhor. O Sampaoli é muito intenso no banco de reservas. Quando o time está jogando mal ou algum atleta não cumpre aquilo que é determinado, o comportamento dele no vestiário é o mesmo? Do mesmo jeito que ele é no campo, ele é no vestiário. Acho que até passeando na rua ele deve ser agitado. Cobra quando estamos errados, quando estamos mal nos jogos, porque quer que melhoremos. Fala sempre que estamos no maior time do mundo e, por isso, temos que ir bem. Hoje você é um dos pilares do time que lidera o Campeonato Brasileiro. É o seu melhor momento na carreira? Sim! Estou jogando no Santos, que é o líder do Brasileirão, o campeonato mais disputado do mundo. Algumas pessoas apontam o Santos como azarão no Campeonato Brasileiro. Incomoda quando falam que o Santos não tem elenco para fazer frente a Palmeiras e Flamengo? Incomodar não, porque sabemos da qualidade do nosso elenco. A gente sabe o quanto trabalha para colocar o Santos em primeiro lugar. Nós sabemos a qualidade do treinador que temos. Não chegamos na liderança na sacanagem. Chegamos lá porque trabalhamos muito. Deixa isso para quem pensa assim. É até bom nos deixarem como azarão. Quem sabe no final do ano conseguimos ser campeões brasileiros. Essas depreciações ao elenco motivam vocês? Com certeza motivam. Não somos lideres à toa. Trabalhamos todos os dias para colocar e deixar o Santos onde ele merece, que é lá em cima. [[legacy_image_4355]] Por que Pituca? O meu pai tem esse apelido, e eu odiava quando me chamavam de Pituquinha. Chegava em casa chorando e falava para a minha mãe que não gostava que me chamassem assim. Ela sugeriu, então, que não andasse mais com o meu pai. Mas não tem uma explicação. Já perguntei o porquê de Pituca e meu pai não soube responder. Para não ficar tão ruim consegui colocar o Diego na frente. Deu uma melhorada (risos). Você cresceu no interior de São Paulo e hoje vive numa cidade praiana. O que gosta de fazer nos dias de folga? Quando estou de folga e fico em Santos gosto de ir para a praia, gosto de passear com o meu cachorro, estar com os amigos e fazer um churrasco. Diego Pituca é isso. Diego Pituca não consegue pegar onda, não. Não ia dar certo isso (risos). Qual é o grande sonho do Diego Pituca? O meu maior sonho era um dia ligar para minha mãe e falar que ela não precisava mais trabalhar, porque a partir daquele momento eu ia sustentá-la. E, graças Deus e ao Santos, eu já consegui realizar esse sonho.