[[legacy_image_275491]] O time que mais fez gols na história do futebol mundial, conforme estatísticas do próprio clube, passa por uma seca de bolas na rede na temporada. Em mais um período turbulento no ano, há oito jogos sem vencer, o Santos vê o ataque, sua marca registrada, em inferno astral. Nos 33 jogos de 2023, o Peixe balançou as redes apenas 34 vezes. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Além do baixo número de gols, em um terço das partidas, 11, o Alvinegro deixou o campo sem marcar. Marcos Leonardo, com 9 gols, é o artilheiro do time, mas só atuou em dois terços dos jogos do Peixe no ano, 22. O camisa 9 serviu a seleção sub-20 e perdeu oito partidas da equipe no período da Copa do Mundo, disputada na Argentina. Com 6 gols nas mesmas 22 partidas, o colombiano Mendoza é o vice-artilheiro santista este ano. Depois, com 3 gols cada, aparecem Lucas Barbosa e o zagueiro Eduardo Bauermann, afastado pelo clube por suposto envolvimento em esquema de manipulação de resultados no Brasileirão 2022. Lucas Lima e Ângelo foram os outros jogadores do elenco que conseguiram marcar mais de um gol em 2023, 2 cada. O desempenho do ataque santista no Campeonato Brasileiro, com apenas 9 gols em 10 jogos, é tão ruim que só o atacante Tiquinho, do Botafogo, artilheiro do campeonato, já anotou 8 gols. Com esses números, o setor ofensivo alvinegro é o segundo pior do Nacional, ao lado de Cuiabá, Corinthians e Goiás, que também marcaram 9 em 10 jornadas do Brasileirão. O Coritiba, com 8, é o pior ataque da competição. Ângelo, com 2 gols, é o artilheiro do Santos no Nacional. Palavra de artilheiro Artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1991, com 15 gols, quando vestia a camisa santista, Paulinho McLaren continua acompanhando o Peixe, seu time do coração. Trabalhando como técnico e finalizando o curso para tirar a Licença PRO da CBF, em julho, ele falou sobre a seca de gols da equipe. “O que eu vejo é o Santos, no último terço, sem muita variação. Quando tem a posse de bola, a construção é bem simples, não tem uma aproximação dos extremos junto ao Marcos Leonardo ou ao Deivid Washington. Não tem muita jogada por dentro, o Santos ataca muito pouco o eixo central dos adversários e joga sem a profundidade dos laterais”, observou. A baixa produtividade do ataque também passa pela dificuldade no setor de criação. “A criação não se dá só de você ter um jogador com criatividade, como o Lucas Lima, mas o próprio modelo de jogo em si. As deslocações, infiltrações, o trabalho de desmarcação entre os blocos, dentro dessas situações ofensivas, não tem variação. Fica muito confortável pras equipes jogarem contra o ataque do Santos”, diz McLaren. Na visão de Paulinho, uma das opções para fazer o ataque mais efetivo é ter mais jogadores na criação. “Você pode ter dois homens de criação, trazendo o Ângelo por dentro, que tem uma capacidade individual entre linhas muito boa. É complexo analisar só a questão do treinador, é necessária também a entrega por parte dos atletas e tentar extrair deles um pouco mais”. A pouca participação dos alas nas ações ofensivas é outro ponto que chama a atenção de McLaren. “O último terço do Ângelo é muito bom, mas ele não deixa o lateral ter profundidade, entra muito pouco por dentro. Quando ele entra na diagonal, consegue ficar numa situação de um pra um. O Gabriel Inocêncio, que já trabalhou comigo no Taubaté e no Barretos, é um jogador que tem muita força, pode chegar mais, pode ser melhor utilizado nessas condições”. Apesar das limitações do elenco santista, que carece de jogadores mais técnicos em algumas posições, McLaren acredita que, mesmo com os atletas que têm, dá para o Santos ter uma proposta de jogo mais ousada. “Eu gosto quando você traz os dois extremos por dentro e tem três caras trabalhando no bloco intermediário. Um 4-2-3-1, com Soteldo, Mendoza ou Ângelo, mais próximos do Lucas Lima. Centralizar um pouco mais o Dodi, não deixar ele sair muito pros lados, porque dificulta pra ter uma dobra de marcação pra recuperar a bola mais rápido. Ter sempre cinco homens na linha intermediária, que é onde o jogo se define”. Paulinho salientou, contudo, que o excesso de jogos no calendário brasileiro dificulta o trabalho dos técnicos, de colocar novas ideias de jogo em prática. “Fica muito fácil a gente, a distância, falar. É o trabalho do dia a dia, o treinamento direcionado pra esse modelo de jogo, trazendo o entendimento daquilo que você propõe. É importante ressaltar isso, não sei se o Odair (Hellmann) tem tempo de trabalho, e o Santos vinha de três competições, você não tem muito tempo de recuperar o time”.