Torcedores do Santos têm se manifestado contra mudanças no estatuto que possam interferir no processo eleitoral (Régis Querino/AT) A votação do novo estatuto do Santos foi interrompida na noite desta quinta (21), na Vila Belmiro, sem que as emendas mais polêmicas, referentes ao artigo 35, que trata dos requisitos para os candidatos a presidente, fossem votadas. Alegando cansaço do plenário, o presidente do Conselho Deliberativo (CD), Fernando Akaoui, encerrou a sessão por volta das 22h30. Ele também anunciou que a votação será retomada somente na próxima quinta, dia 28 de maio. Ao contrário da primeira sessão do CD, na noite de segunda, marcada por um grande protesto de membros das torcidas organizadas, contrários a algumas propostas de mudanças do estatuto, a sessão desta quinta foi menos ruidosa do lado de fora da Vila. O policiamento foi reforçado e a Guarda Municipal seria acionada caso a Lei do Silêncio fosse descumprida, após às 22 horas. Na segunda, torcedores protestaram em alto e bom som, com o acompanhamento da bateria da Torcida Jovem, contra o presidente Marcelo Teixeira e alguns conselheiros que fazem coro com a gestão, além de lançarem bombas até perto da meia-noite. Na segunda, na saída dos conselheiros, o clima era de animosidade e quase houve confronto. Policiais da Tropa de Choque, posicionados na esquina dos portões 7 e 8 estavam de prontidão, mas não tiveram que intervir. Nesta quinta, os conselheiros entraram na Vila pela porta do vestiário santista, protegidos pela Polícia Militar, evitando contato com os torcedores. A saída dos conselheiros também foi por outro acesso. Muitos conselheiros também participaram da votação de forma on-line. Emendas aprovadas Entre as emendas votadas nesta quinta, alguns temas importantes foram aprovados, como a manutenção do período de três anos para que os sócios tenham o direito ao voto. Havia proposta para aumento do prazo para quatro anos. A realização das eleições em formato híbrido, com votação na sede do clube, na Vila, e através do voto on-line, também foi mantida. Artigo 35, o mais polêmico Entre as emendas a serem votados, que ficaram para a próxima semana, estão incluídas as referentes ao artigo 35, que trata dos requisitos de elegibilidade e nomeação do Comitê de Gestão. O tema é o que gera mais apreensão entre opositores da atual gestão. O atual estatuto prevê que candidatos a presidente e vice-presidente tenham, no mínimo, 10 anos de filiação associativa ininterrupta, nas categorias Fundador, Titulado, Benemérito e/ou Contribuinte. Mas não exige que os candidatos tenham cumprido mandato no CD. No entanto, das três propostas de emenda, duas delas passam a exigir que candidatos à presidência tenham cumprido um ou dois mandatos no Conselho Deliberativo. A outra proposta mantém o que prevê o atual estatuto. Opositores da gestão de Marcelo Teixeira criticam a modificação deste artigo, que beneficiaria o atual grupo político e tiraria da disputa candidatos que não tenham passado pelo CD. Alguns conselheiros também defendem que, se aprovada a exigência de mandato no Conselho, as mudanças só passem a valer nas eleições de 2029, já que o clube realizará o próximo pleito em dezembro. Para ser aprovada, cada emenda deve ter maioria simples na votação dos conselheiros. Após finalizado o processo no CD, o presidente do Conselho tem 30 dias para convocar a Assembleia Geral de Sócios, que votarão todas as mudanças em bloco. Para aprovar o novo estatuto, são necessários dois terços dos votantes na assembleia.