[[legacy_image_234551]] Campeão da Copa do Mundo ao lado de Pelé em 1970, Clodoaldo Tavares Santana teve o Rei do Futebol em sua vida como ‘ídolo’, companheiro de equipe e até ‘professor’. Em entrevista para A Tribuna, o ex-volante da seleção brasileira e do Santos lamentou a morte de Pelé e relembrou como foi de admirador a amigo do Atleta do Século 20. “Quando eu tive os primeiros contatos, as pernas ainda tremiam. Tantas vezes eu ia ao estádio para torcer pelo Santos e, de repente, estava ali do lado o maior de todos”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quase dez anos mais novo que Pelé, Clodoaldo diz que foi muito orientado pelo amigo dentro de campo, pois quando chegou ao time do Santos, o Rei do Futebol já tinha conquistado os dois mundiais do Peixe. “Ele me chamava muita atenção e às vezes eu ficava bravo, mas eu ia compreendendo que ele queria sempre o melhor pra mim”, enfatiza. O ex-volante apelidado de Corró lembra de quando Pelé disse que ele não podia demorar para fazer o passe. “Falei ‘mas eu não estou demorando’. E ele respondeu que estava sim, então perguntei o motivo. Ele falou: ‘porque você tem que olhar antes’. Ele era assim, a perfeição. Queria que eu olhasse antes para ver qual o local que ele estava e ver a posição do adversário”, explica. Segundo Clodoaldo, ele passou a ouvir conselhos do Rei e em um jogo no Pacaembu fez um belo passe para Pelé, que concluiu a jogada com um gol. “Saí correndo em direção ao Pelé e falei: ‘e aí’, então ele me respondeu: ‘é, está melhorando’”, conta, dizendo que se sente privilegiado por ter jogado ao lado do maior atleta de todos os tempos. Além dos aprendizados, a convivência com Pelé deixou ótimas lembranças de brincadeiras na memória de Corró. Ele conta que o Rei do Futebol era seu companheiro em jogos como dama, dominó e sinuca na concentração. “Infelizmente ele perdia para mim. Eu sempre levava uma boa vantagem e isso irritava bastante o nosso querido Rei”, brinca. Também durante a concentração para uma partida, o ex-jogador lembra de uma conversa que teve com Pelé sobre marcar os atletas que vestiam as camisas 10. “Me empolguei e falei: ‘fico pensando se eu jogasse em outro clube, teria que te marcar’. Então ele disse: ‘pois é, você é um menino de sorte’”. Segundo Clodoaldo, foram essas histórias que fortaleceram o vínculo dos dois para manterem uma amizade também fora do futebol. “Estávamos sempre almoçando e jantando juntos. Nas últimas oportunidades que eu tive de falar com ele, disse que estava com saudade dos nossos encontros. Sempre fiz questão de falar o quanto nós o amávamos. E foram várias vezes. Não foram poucas”, ressalta. Para ele, Pelé foi um exemplo também na humildade. “A gente fazia viagens, que seriam 10h ou 15h de voo, mas com a dificuldade da época, eram de dois dias viajando. Quando chegávamos, tinha aquela multidão gritando Pelé e ele descia do avião como se tivesse feito uma viagem de uma hora, com disposição de atender o torcedor”, relembra. De acordo com Clodoaldo, os outros jogadores queriam ir para o ônibus, mas precisavam esperar o Rei, que fazia questão de ir com os torcedores para tirar fotos e dar autógrafos. “Por isso ele honrou todo esse tempo a coroa, foi magnífico com sua simplicidade e humildade”, enfatiza. Melhor épocaPara Clodoaldo, que jogou com Pelé antes, durante e depois da Copa do Mundo de 1970, a última competição mundial que o ex-atacante participou foi o auge da carreira do Rei do Futebol. “Ele atingiu o ponto máximo, tanto na parte técnica como física. Foi perfeito, porque ele fez tudo que um atleta pode fazer dentro de campo. Deu passe, driblou, chutou, cabeceou, fez gol, fez e levou falta. Em 1958, ele fez o cartão da apresentação, mas em 1970, o mundo já conhecia e ele carimbou a coroa do Rei”, finaliza.