[[legacy_image_234330]] A morte do Pelé, na tarde de quinta-feira (29), mexeu com os sentimentos e a memória do aposentado Januário de Ornelas Neto, de 67 anos. Morador do Marapé, em Santos, e torcedor apaixonado do Peixe por influência do falecido pai, ele revirou os seus arquivos pessoais assim que soube da morte do maior jogador de todos os tempos para encontrar uma raridade guardada há 48 anos: o ingresso da última partida do Rei Pelé com a camisa santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O duelo foi contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, em 2 de outubro de 1974, e terminou com a vitória do Peixe por 2 a 0 com gols de Cláudio Adão e Geraldo, que marcou contra. "Soube da morte pela televisão e foi bastante doloroso. A gente sabia que a situação estava difícil, mas a esperança me fazia acreditar ele iria melhorar", conta ele. "No entanto, não deu. Depois de assimilar a notícia da partida dele, a primeira coisa que fiz foi procurar o ingresso. Sabia que estava guardado nas minhas pastas que montava quando garoto e trouxe para a minha casa atual depois do casamento. E agora tenho essa herança que vou guardar para sempre" continua o aposentado. O cuidadoso manuseio do ingresso remete Neto ao histórico dia em que Pelé colocou fim na sua passagem como jogador profissional do Santos. "Eu tinha 19 anos. O Santos tinha anunciado que seria o último jogo do Pelé pelo clube. Ele já havia se aposentado da seleção brasileira. Na época, o controle de segurança não funcionava como ocorre atualmente. Hoje em dia a Vila Belmiro tem capacidade para cerca de 15 mil pessoas, mas em 1974 tudo era diferente e as arquibancadas estavam lotadas", lembra ele. A ficha técnica daquele duelo mostra que 20.258 pessoas compareceram ao estádio para assistir à despedida do Rei pelo Peixe. "E o curioso daquele dia é que quando o Pelé saiu, ainda no primeiro tempo, substituído por Gilson, muita gente foi embora. Ele era tão diferenciado que as pessoas foram apenas para vê-lo. Eu, no entanto, fiquei até o final", detalha o aposentado, que escreveu no verso do ingresso a reação de Pelé antes de deixar o campo. "Se ajoelhou ao centro do gramado e virou-se para os 4 cantos do campo e depois deu a volta olímpica". Precisando segurar as lágrimas enquanto viajava ao passado que teve Pelé como principal personagem, Neto tem a certeza de o maior jogador de todos os tempos jamais será esquecido. "Nós sabemos que todos nós vamos embora um dia, mas é duro. O que me conforta nesse caso é que Pelé é eterno. Quem partiu nesta quinta-feira para descansar de toda a luta contra o câncer foi o Edson".