Segundo relatório do Conselho Fiscal, a dívida na gestão de Marcelo Teixeira ultrapassou R\$ 1,1 bilhão (Reinaldo Campos/Santos FC) O Santos teve um déficit de R\$ 50,5 milhões no primeiro trimestre de 2026 e viu a dívida ultrapassar a marca de R\$ 1 bilhão no dia 31 de março passado. Os números são do relatório do Conselho Fiscal (CF), que apontou o passivo do Alvinegro em R\$ 1.163.739.000,00, quase R\$ 200 milhões a mais do que a dívida apurada no dia 31 de dezembro de 2025. O documento será apresentado em reunião do Conselho Deliberativo, nesta terça (23), a partir das 19h, na Vila Belmiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o CF, a dívida do clube, “excluindo as receitas diferidas, de acordo com o balancete fornecido pelo clube ao Conselho Fiscal, foi de R\$ 1.094.039.000”. No entanto, no entendimento do órgão, “o passivo total em 31/03/2026 deveria ter sido reconhecido em R\$ 1.163.739.000”. “A exclusão das receitas diferidas decorre de valores já garantidos em contrato, mas que ainda não foram financeiramente reconhecidos”, aponta o relatório. No balanço de 31 de dezembro do ano passado, o passivo do Alvinegro era de R\$ 998,5 milhões. Obrigações trabalhistas O clube também teve aumento referente às obrigações trabalhistas, que passaram de R\$ 37, 7 milhões para R\$ 68,8 milhões, do final do ano passado para o primeiro trimestre de 2026. As provisões para demandas judiciais, porém, diminuíram de R\$ 59,3 milhões para R\$ 43,2 milhões. O valor gasto com direitos de imagem dos atletas dobrou no mesmo período, saltando de R\$ 25,9 milhões para R\$ 50,8 milhões. Neste ponto, o CF ponderou que o aumento “decorre da contratação de novos atletas e da consequente valorização do elenco, o que reflete no aumento do ativo intangível”. Orçado x realizado O balancete do primeiro trimestre deste ano apresentou um déficit contábil de R\$ 50,5 milhões contra um orçamento que previa déficit contábil de R\$ 66,9 milhões. O clube teve receita de R\$ 212, 8 milhões nos três primeiros meses do ano, contra um orçamento que previa R\$ 101 milhões. Com venda de direitos federativos e empréstimos, o clube arrecadou R\$ 102,4 milhões, sendo que cerca de R\$ 94 milhões são referentes à venda do lateral-esquerdo Souza ao Tottenham, da Inglaterra. No orçamento havia a previsão de arrecadação de R\$ 18,1 milhões. O custo operacional do Peixe também deu um salto, consumindo R\$ 187,3 milhões no primeiro trimestre contra o orçado de R\$ 110,9 milhões. A remuneração de salários, com encargos, consumiu R\$ 81,6 milhões contra os R\$ 57,1 milhões previstos. As despesas administrativas também foram bem maiores do que a orçada: R\$ 17,3 milhões contra R\$ 11,4 milhões. O elenco profissional, que em dezembro de 2025 fez o Santos desembolsar R\$ 14,1 milhões, entre salários e encargos, teve o custo dobrado em março de 2026: R\$ 29,6 milhões. Conclusão Na conclusão do relatório, o CF aponta que “o clube, em termos gerais, encontra-se dentro do orçamento aprovado para o ano corrente”. Ainda assim, o órgão destaca “a importância de manter a austeridade e o controle na contenção de novas dívidas e na renegociação das antigas”. O CF também salientou que durante o trimestre analisado, foram identificados atrasos nos pagamentos da folha salarial sob o regime CLT e nos contratos de direitos de imagem. E recomenda que a prática não se repita, a fim de evitar rescisões unilaterais e incidências de multas contratuais”. A maior parte desses valores, segundo o órgão, foi regularizada ao longo do segundo trimestre. Dívida com a NR Sports O relatório também aponta “divergência de entendimento entre a contabilidade do clube e o Conselho Fiscal sobre o tratamento de valores referentes a uma confissão de dívida firmada com empresa de atleta”. A referência é à dívida de R\$ 90 milhões com a NR Sports, correspondentes aos direitos de imagem de Neymar, que foram parcelas, no final do ano passado, em 48 pagamentos. “A contabilidade do clube entende esses valores como obrigações mensais de direitos de imagem, registrando-os de forma gradual, com base na ITG 2003 e no Manual de Contabilidade para Entidades Esportivas. Já o Conselho Fiscal entende que, após a assinatura da confissão de dívida, passou a existir uma dívida formal e total já reconhecida pelo clube, com prazos, multas e garantias, devendo ser registrada como obrigação integral no passivo e classificada entre curto e longo prazo”, aponta o relatório do Conselho Fiscal.