O presidente Marcelo Teixeira fala aos conselheiros na reunião de segunda-feira (Divulgação Santos FC) A dívida do Santos aumentou quase R\$ 202 milhões entre os exercícios de 2023 e 2024, segundo relatório apresentado pelo Conselho Fiscal (CF), em reunião do Conselho Deliberativo (CD), na noite de segunda-feira (7), chegando perto de R\$ 1 bilhão. O clube contesta o valor, conforme nota oficial enviada para A Tribuna. Apesar do balancete do ano passado apresentar déficit de R\$ 105,2 milhões, o CF recomendou a aprovação das contas de 2024, chanceladas por unanimidade pelos conselheiros. Segundo o relatório do Conselho Fiscal, o resultado operacional do ano passado apresentou um superávit de R\$ 58,3 milhões, com R\$ 459 milhões em receitas, frente a R\$ 401 milhões em custos e despesas. Porém, o órgão destaca que “ao considerar despesas financeiras, amortizações de atletas, provisões e reversões de perdas, além da depreciação de ativos, o total de despesas atingiu R\$ 163,5 milhões”. Com isso, o ano passado terminou com déficit contábil de R\$ 105,2 milhões. O órgão, responsável pela elaboração do parecer contábil do Alvinegro, ressalta que o orçamento foi planejado levando em conta a participação na Série A do Campeonato Brasileiro, “sem prever o impacto do rebaixamento”. Na conclusão da análise dos demonstrativos financeiros de 2024, o Conselho Fiscal afirma que não identificou impedimentos para a aprovação das contas do clube. “A gestão caminha em um rumo de reconstrução do nosso clube, em uma espécie de choque de gestão, o que requer investimento, tempo e responsabilidade”, garantiu o CF, no parecer. Dívida de quase R\$ 1 bilhão De acordo com os números apresentados pelo órgão, a dívida do Santos se aproxima de R\$ 1 bilhão, dos quais R\$ 437 milhões de passivo circulante, que incluem as contas imediatas, e R\$ 539,9 milhões de passivo não circulante, referente às contas a longo prazo. O total da dívida do Peixe, no final do ano passado, era de R\$ 977 milhões. No final de 2023, o montante da dívida santista era de R\$ 775 milhões (R\$ 314,2 milhões de passivo circulante e R\$ 460,8 milhões de passivo não circulante). Endividamento ultrapassa o limite Apesar de o Estatuto Social do Santos estipular que o limite de endividamento do clube durante cada exercício não possa exceder 10% da receita orçada, o teto foi ultrapassado em 2024. Segundo o balanço apresentado pelo Conselho Fiscal, o endividamento no passado foi de R\$ 122,1 milhões, equivalente a 30,99% das receitas orçadas. De acordo com o parecer do órgão, “o endividamento é bastante influenciado pela alteração, tanto das receitas quanto das despesas, de um ano em que o rebaixamento alterou consideravelmente as perspectivas de um clube que, em seu orçamento, não esperava viver esta fase”. O aumento do endividamento, além do permitido, ocorreu principalmente, “devido à contratação de novos empréstimos e ao crescimento das obrigações em contas a pagar”. A gestão de Marcelo Teixeira divulgou, após a reunião no Conselho Deliberativo, que pagou, em 2024, R\$ 126 milhões em dívidas de outras gestões, que incluíram transfer bans impostos pela Fifa, salários atrasados e acordos trabalhistas. Santos contesta o valor Em resposta à matéria publicada por A Tribuna nesta quarta-feira (9), sobre a dívida do Santos ter se aproximado de R\$ 1 bilhão, o clube fez a seguinte manifestação: “A dívida do Santos FC em 31 de dezembro de 2024 é de R\$ 758 milhões, e não de quase R\$ 1 bilhão, como foi divulgado. É fundamental destacar que as receitas diferidas registradas no passivo não devem ser consideradas no cálculo da dívida. Atualmente, essas receitas somam R\$ 218 milhões – R\$ 59 milhões no curto prazo e R\$ 159 milhões no longo prazo. Receitas diferidas representam valores já recebidos por obrigações futuras, como cotas de transmissão de jogos ainda não realizados ou patrocínios firmados para exposição de marcas em datas posteriores, conforme a vigência do contrato. Por norma contábil, são classificadas no passivo, mas não configuram endividamento. Portanto, a dívida efetiva é de R\$ 758 milhões, conforme detalhado na Nota Explicativa nº 14 das Demonstrações Financeiras de 2024, disponíveis no Portal da Transparência”.