Marcelo Teixeira renegociou a dívida dos direitos de imagem de Neymar até o final da próxima gestão, em 2029 (Raul Baretta/Santos FC) O Conselho Deliberativo do Santos se reúne em sessão ordinária na próxima segunda (6) à noite, na Vila Belmiro, para votar o parecer do Conselho Fiscal (CF), referente às demonstrações financeiras de 2025. Apesar do déficit de quase R\$ 80 milhões nas contas no ano passado e de uma dívida de quase R\$ 1 bilhão, o CF foi favorável à aprovação das contas, segundo apurou A Tribuna. Mesmo com o parecer a favor, o órgão aponta que “sob o aspecto econômico-financeiro, os números evidenciam um cenário que inspira atenção e prudência por parte dos órgãos de governança do clube”. Levando-se em conta os passivos do Alvinegro, a dívida do clube aumentou em mais de R\$ 254 milhões do dia 31 de dezembro de 2024 a 31 de dezembro de 2025. O passivo circulante (dívidas e obrigações financeiras que devem ser quitadas no prazo de 12 meses) passou de R\$ 437,05 milhões para R\$ 470,7 milhões de 31 de dezembro de 2024 a 31 de dezembro do ano passado. O passivo não circulante (obrigações financeiras com vencimento superior a 12 meses) aumentou de R\$ 539,9 milhões do final de 2024 para R\$ 761,2 milhões no fim de 2025. A dívida que o Santos tem com a NR Sports, pelos direitos de imagem de Neymar, que foi renegociada em 48 pagamentos, não é detalhada no documento, não sendo possível determinar quanto o Peixe já pagou à empresa do pai do jogador e quanto ainda falta pagar. Os valores, no entanto, estariam dentro do passivo do Alvinegro. O passivo do Santos ultrapassa R\$ 1,2 bilhão, mas subtraindo receitas diferidas, valores que o clube já recebeu ou tem direito a receber, mas que ainda não entraram nos cofres, porque dependem de cumprir alguma obrigação, como exibição de patrocínio, a dívida atual do Peixe, segundo o relatório do Conselho Fiscal, é de R\$ 998,5 milhões. Orçado x realizado De acordo com o balancete de 2025, o clube apresentou um déficit de R\$ 79,3 milhões, contra um orçamento que previa déficit de R\$ 89,5 milhões. O Santos teve uma receita de R\$ 678,5 milhões contra um orçamento que previa R\$ 423,7 milhões. Entre as receitas, o clube arrecadou R\$ 188,5 milhões com vendas de direitos federativos e empréstimos de jogadores, enquanto previa R\$ 100,3 milhões. Por outro lado, o Peixe teve um custo operacional elevado, de R\$ 521,2 milhões, num orçamento que previa custo de R\$ 342,7 milhões. Somente em salários, com encargos, o clube desembolsou R\$ 255,8 milhões. A previsão era de R\$ 200,1 milhões. O elenco profissional começou janeiro de 2025 custando R\$ 10,5 milhões, entre salários e direitos de imagem, enquanto o montante mensal desembolsado pelo clube chegou ao topo de R\$ 36,3 milhões em maio do ano passado. A média mensal de custo do elenco, no ano passado, foi de mais de R\$ 17 milhões. Entre julho e dezembro, a folha diminuiu consideravelmente, segundo o relatório, em decorrência das férias coletivas do elenco profissional e da renegociação dos direitos de imagem. Conclusão do Conselho Fiscal Além de chamar a atenção para “um cenário que inspira atenção”, o Conselho Fiscal aponta que “embora o clube tenha apresentado resultado operacional positivo e superado significativamente a previsão de receitas, tal desempenho não foi suficiente para neutralizar o impacto das despesas financeiras, amortizações, provisões e demais encargos, resultando, ao final, em déficit contábil relevante no exercício”. Apesar da aprovação das contas de 2025, o relatório finaliza mostrando um “aumento expressivo de despesas operacionais, especialmente com folha salarial e custos do futebol profissional, bem como a elevação das obrigações tributárias e trabalhistas, fatores que pressionam o fluxo de caixa”.