A proposta de compra da SAF do Santos deve ser explicada em reunião com os conselheiros do Alvinegro (Alexsander Ferraz/AT) A SDC Sports pode formalizar nos próximos dias uma proposta vinculante para comprar a SAF do Santos. Após cinco meses de diligências, onde a empresa esmiuçou as finanças do clube, o grupo Saint-Dominique Capital, dos Estados Unidos, deve avançar na operação, segundo entrevista dos investidores à Revista Pipeline, do Valor Econômico. A criação da SAF, no entanto, precisa ter aval do Conselho Deliberativo, que tem que readequar o estatuto do Alvinegro, e na Assembleia Geral de Sócios. O negócio envolveria o investimento de R\$ 1 bilhão por 80% da SAF e mais R\$ 1 bilhão para a quitação de dívidas do clube. O estatuto atual permite que o Santos venda apenas 49% das ações e a dívida do clube já ultrapassa a marca de R\$ 1,1 bilhão. Em entrevista à Pipeline, Michael Lipman, Jesse Fioranelli e Diego Garcia, representantes da SDC que estão à frente do negócio, veem o Santos como um ativo global subcapitalizado. A marca do clube, porém, é forte mundialmente, por carregar os nomes de Pelé e Neymar, fator que leva os investidores a apostarem no projeto. Segundo os empresários, a família de Neymar não participa da negociação. O papel do jogador, segundo Lipman, é dentro de campo. “Neymar não esteve envolvido neste negócio. A ligação dele com o Santos é algo especial, e nós respeitamos isso demais para misturá-lo a uma transação. Quando chegar o momento certo, teremos prazer em nos conhecer. Essa é uma conversa que vai além de qualquer negócio”. Lipman, sócio-diretor da SDC Sports, tem 25 anos de experiência em mídia esportiva e assessorou clubes como Liverpool, Roma e Inter de Milão. Na sua visão, o Santos tem um potencial de crescimento diferenciado. “O Santos é um dos clubes mais tradicionais do mundo do futebol, o clube que deu Pelé ao esporte e que, mais tarde, moldou o início das carreiras de jogadores como Neymar e Rodrygo. Poucas academias em qualquer lugar do mundo produziram um impacto tão consistente no esporte. Essa história, combinada com a marca, a tradição da base e a torcida, dá ao Santos a base necessária para voltar a competir no mais alto nível, desde que haja a estrutura adequada por trás disso”. Grupo Santo Domingo não participa do negócio Cofundador da St. Dominique Capital, gestora que controla a SDC Sports, Diego Garcia disse que o Grupo Santo Domingo, da Colômbia, não está envolvido na proposta da SAF do Santos. “Queremos deixar claro que o Santo Domingo Group, incluindo a Quadrant Capital Advisors e a Valorem, não é investidor nem tem qualquer vínculo com a St. Dominique Capital ou a SDC Sports. Lauren Santo Domingo, em sua capacidade pessoal e não como representante de qualquer entidade do Santo Domingo Group, é cofundadora da St. Dominique Capital, controladora da SDC Sports”, disse Garcia, referindo-se à esposa de Andrés Santo Domingo. Proposta deve ser apresentada aos conselheiros A Tribuna apurou que representantes da SDC Sports devem vir a Santos no dia 31 de agosto para apresentar a proposta aos conselheiros. A atual gestão entende que as mudanças e aprovação do novo estatuto e os trâmites de votação dos conselheiros e sócios, para uma eventual autorização de venda da SAF, podem ser feitos antes das eleições, em dezembro. Por outro lado, conselheiros ouvidos por A Tribuna apontam que não há tempo hábil para o cumprimento de todas as etapas do processo de transformação em SAF até as eleições. Segundo eles, o presidente Marcelo Teixeira pretende usar a proposta com o intuito de concorrer à reeleição.