O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, se diz a favor da renovação e da democracia no clube (Sílvio Luiz/ AT) A manutenção no novo estatuto do Santos de que um candidato a presidente do clube não precisa ter cumprido mandato no Conselho Deliberativo para participar da eleição, assim como prevê o atual documento, fez com que o presidente Marcelo Teixeira se pronunciasse. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O tema, um dos mais polêmicos na proposta do novo estatuto, dividiu opiniões nas últimas semanas. Opositores da gestão de Teixeira viam na exigência de participação no Conselho uma forma de barrar candidatos que pretendem concorrer na eleição, inicialmente prevista para dezembro. Na votação da emenda, ocorrida na noite desta quinta-feira (28), 65 conselheiros foram favoráveis à manutenção e 41 contrários, além de oito abstenções. Teixeira disse que a matéria é conduzida pelo Conselho Deliberativo e pela Comissão do Estatuto, formada e eleita pelos próprios membros do Conselho. "Nos últimos dias, surgiram acusações de que eu estaria tentando dar um golpe, de querer perpetuar lideranças no poder ou, pior, impedir que novos nomes apareçam na política do clube. Jamais defenderei qualquer medida que vá contra a renovação, a democracia e a participação dos associados na vida do Santos”, afirmou. A sessão desta quinta foi marcada por protestos de torcedores, assim como aconteceu nas anteriores. Na primeira, dia 18, centenas de torcedores se reuniram do lado de fora da Vila, num forte protesto contra o presidente Marcelo Teixeira e alguns conselheiros, entre eles o presidente da Comissão de Estatuto, Celso Pires, e o presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Akaoui. No final da votação, os torcedores hostilizaram os integrantes do Conselho, que deixaram o encontro sob escolta de policiais militares da Tropa de Choque. Bombas na Vila A votação foi retomada no dia 21, quando um forte esquema de segurança foi montado em frente ao estádio. A entrada e saída dos conselheiros foi alterada para evitar encontro com os torcedores e a Guarda Municipal foi acionada pelo clube, fazendo valer a Lei do Silêncio, a partir das 22 horas. No primeiro dia, a bateria da Torcida Jovem esteve presente e os membros da organizada explodiram bombas no entorno da Vila após este horário. "Uma das nossas propostas de campanha foi justamente ampliar a participação dos associados, levando ao Conselho Deliberativo temas como o voto para todos os sócios, sem restrições, além da discussão sobre a implementação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol). E, quando fui presidente do Conselho, todos falavam que eu era contra o voto virtual e que nunca seria implementado. E ele foi colocado em prática justamente na minha gestão. Estou usando esses exemplos para ressaltar a importância de juntos nos dedicarmos ao Santos, com propostas e debates construtivos, e não com acusações”, minimizou Teixeira.