Um dia após sócios acionarem o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para apurar possíveis irregularidades no balanço financeiro de 2025 e no contrato firmado com a NR Sports, o Santos realizou, nesta terça-feira (14), o tradicional hasteamento da bandeira no Monte Serrat, em Santos, em comemoração aos 114 anos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A cerimônia foi aberta ao público, reuniu torcedores e contou com a presença de ídolos como Pepe, Elano e Edu, além de uma missa celebrada após o ato. Em seguida, o presidente Marcelo Teixeira comentou sobre o momento político do clube. Com uma dívida de cerca de R\$ 90,5 milhões referente aos direitos de imagem de Neymar, a diretoria colocou o CT Meninos da Vila como garantia de pagamento. Além disso, a gestão dividiu o pagamento em 48 parcelas, alongando a dívida até dezembro de 2029 – prazo que abrange a próxima gestão. Segundo os autores do pedido, a medida não teria passado pelo Conselho Deliberativo, como prevê o estatuto do clube no artigo 80. O presidente Marcelo Teixeira, no entanto, negou irregularidades. “Não há necessidade de autorização porque não é um bem alienado. Nós não estamos ainda em processo de execução e, mesmo assim, é uma iniciativa que a diretoria adotou em comum acordo com a NR”. O dirigente também destacou que não há intenção de disputa judicial entre as partes. “Nem o Santos, nem a NR têm a intenção de fazer algo litigioso, até porque o Neymar possui uma história de gratidão e parceria”, afirmou. Sobre a permanência de Neymar, Teixeira garantiu desconhecer um possível interesse do FC Cincinnati, dos Estados Unidos, e afirmou que a decisão cabe ao jogador e ao seu estafe. “Quem vai decidir se permanece no Santos é o próprio Neymar, seu estafe e o seu pai. Mas o interesse do Santos é que ele permaneça e cumpra o contrato até dezembro deste ano”, sentenciou o dirigente. Nota Em nota oficial, o Santos também abordou o fato de o CT Meninos da Vila ter sido dado como garantia da dívida com Neymar. “Inicialmente, o Santos Futebol Clube lamenta que o Ministério Público esteja sendo utilizadopara fins políticos e eleitoreiros. Seja como for, responderá com serenidade eventual pedido de esclarecimento uma vez que o contrato mencionado, assim como todos aqueles formalizados pela atual gestão do Clube, obedeceu rígidos critérios de legalidade e transparência; aliás regularmente aprovado por ampla maioria de seu Conselho Deliberativo em recente assembleia, com as contas tendo também parecer favorável de auditoria externa”. Artigo 80° “O patrimônio social é constituído por bens móveis e imóveis, inclusive títulos, dinheiro, créditos, direitos, troféus, marcas, quotas e 65 ações de sociedades em que o Santos detiver participação societária e quaisquer outros valores pertencentes ao SANTOS. Parágrafo primeiro. Os bens imóveis e as marcas somente poderão ser alienados ou onerados, por qualquer gravame, mediante expressa autorização do Conselho Deliberativo, em reunião especialmente convocada, com a presença mínima da metade de seus componentes e aprovação de pelo menos 2/3 (dois terços) dos membros do Conselho Deliberativo presentes”.