[[legacy_image_350041]] O presidente Marcelo Teixeira afirmou se solidarizar às manifestações de atletas de clubes brasileiros do futebol feminino, que protestaram na noite de sexta (12) contra a volta do técnico Kleiton Lima ao Santos, mas não vê “fato concreto” para que ele deixe o comando das Sereias da Vila. O dirigente citou as investigações, internamente no clube e na esfera policial, que teriam inocentado o treinador das acusações de assédio moral e sexual, feitas por jogadoras do time em setembro do ano passado. “Se eu tivesse qualquer fato concreto e que pudesse ser provado que ocorreu algo grave, envolvendo qualquer pessoa, seja ela atleta, funcionária, imediatamente nós teríamos adotado as medidas cabíveis. O problema é que nós não temos nada até esse momento. Quando se há uma manifestação, eu até estou ao lado dessa manifestação, mas ela deve ser justa, de se apurar aquilo que está sendo manifestado. O silêncio, a recriminação de atos, tudo isso o Santos concorda, apoia e está ao lado”, disse Teixeira neste sábado (13), após a solenidade de hasteamento da bandeira santista no alto do Monte Serrat, em celebração ao aniversário de 112 anos do clube, neste domingo (14). Na noite de sexta (13), jogadoras do Corinthians protestaram antes do jogo contra as Sereias, na Vila Belmiro, e depois de marcarem o primeiro gol, na vitória por 3 a 1, tapando a boca, numa referência a uma suposta opressão contra as denúncias que envolvem o nome do treinador. O mesmo protesto foi feito pelas jogadoras de Palmeiras e Avaí/Kindermann, que também se enfrentaram na sexta. Pioneirismo e investigações O mandatário santista salientou o pioneirismo do Alvinegro no futebol feminino do País e citou as investigações iniciadas no ano passado, quando 19 cartas anônimas foram enviadas por atletas das Sereias à direção do clube. Nos documentos, denúncias de assédio sexual e moral que supostamente teriam sido cometidos pelo técnico. Diante das acusações, Kleiton Lima se desligou do Santos à época, retornando este mês, recontratado pela atual gestão. “O Santos é o primeiro a apoiar qualquer campanha envolvendo discriminações. A diretoria na época (setembro de 2023) abriu uma sindicância, continuaram sendo apurados os fatos. Não são denúncias onde haja identificações de pessoas, são denúncias anônimas, onde nem sabemos se são uma, duas, dez, vinte, porque não existem as pessoas tendo a autoria dessas denúncias”. Apuração dos fatos Teixeira disse que após assumir a gestão, no início de janeiro, já havia o interesse do departamento de futebol feminino no retorno de Kleiton Lima ao comando das Sereias, mas o clube seguiu apurando os fatos relacionados às denúncias para tomar uma decisão. “Pedimos pra aguardar, pra que pudéssemos apurar melhor o que a diretoria anterior tinha feito e o que está acontecendo hoje na questão externa, judicial. E o departamento jurídico, após esses noventa dias de gestão, informou que tanto internamente, como em outras esferas, não há nenhum tipo de denúncia concreta, não há nenhum processo. Ao contrário, esse processo foi arquivado por falta exatamente de autora”, apontou. Desde a apresentação de Kleiton Lima no Santos, na última terça (19), as denúncias de assédio contra o treinador voltaram à tona. Algumas ex-jogadoras criticaram o clube nas redes sociais, afirmando não terem sido procuradas para dar as suas versões sobre o caso. Diante da repercussão, Teixeira disse que se houvesse um posicionamento formal de alguma atleta provando a denúncia, o clube tomaria medidas. “Qualquer uma das que estavam (no Santos) ou aquelas que já saíram e que poderiam fazer uma assinatura (da denúncia), imediatamente nós estaríamos tendo conhecimento do que aconteceu. Eu não sei, vocês não sabem, não sei quem sabe daquilo que realmente aconteceu. Se eu souber aquilo que teria acontecido, imediatamente a diretoria do Santos toma suas medidas”.