Uma futura SAF no Santos não envolveria patrimônios do clube, como a Vila Belmiro, na negociação (Alexsander Ferraz/AT) O empresário colombiano Alejandro Santo Domingo, presidente do Grupo Santo Domingo, negou que o conglomerado esteja envolvido na proposta de compra de uma futura SAF do Santos. Em entrevista à Veja, ele afirmou que a SDC Sports LCC, que assinou uma proposta não vinculante com o Alvinegro, não tem vínculo com as empresas da família, uma das mais ricas da Colômbia. Em janeiro, ele já havia negado participação do grupo, em nota enviada à imprensa. “Não participamos de nenhum processo relacionado ao Santos. Não estamos envolvidos de forma alguma. Não somos investidores em nenhuma empresa que esteja analisando o clube, não somos cotistas e não temos absolutamente nada a ver com essa transação de que as pessoas estão falando. Existe uma empresa por aí que usa um nome que faz referência à nossa família, mas ela não faz parte do nosso grupo”, afirmou Alejandro Santo Domingo na entrevista à revista. No final de janeiro, depois que o suposto interesse do Grupo Santo Domingo por uma futura SAF do Santos foi divulgado pelo colunista de O Globo, Lauro Jardim, a assessoria de imprensa do conglomerado colombiano divulgou uma nota à imprensa brasileira negando a proposta. "Nem o Grupo Santo Domingo, nem minha família, nem eu, nem nenhuma de nossas subsidiárias tivemos interesse ou conversamos sobre a compra de um time de futebol no Brasil. Portanto, os rumores que circulam são completamente falsos e infundados", disse o empresário, em janeiro. Risco de rebaixamento Alejandro Santo Domingo confirmou à Veja que o grupo chegou a estudar oportunidades de investimento na Inglaterra, com o Chelsea, Tottenham e Crystal Palace, além do Olympique Lyon, na França, mas nunca avançou nas propostas. “Do ponto de vista de investimento, o futebol tem um risco importante: o rebaixamento. Quando analisamos investimentos, não fazemos isso como hobby. Avaliamos se é um bom investimento financeiro. Em ligas como a Premier League, existe o risco de rebaixamento, e isso pode destruir o valor de um ativo”, justificou. Pelo mesmo motivo, disse o empresário, o grupo não pensa em investir em qualquer clube de futebol. Outros esportes, como a National Football League (NFL) e a National Basketball Association (NBA), são vistos com bons olhos. Tanto que o Grupo Santo Domingo é sócio minoritário do Washington Commanders, franquia da NFL. Cunhada no negócio? Além de negar qualquer contato de seu grupo com o Santos, Alejandro Santo Domingo garantiu não ter conhecimento se sua cunhada, Lauren Santo Domingo, estaria envolvida na proposta não vinculante ao Alvinegro. Ela é uma das sócias da SDC Sports LCC. “Minha cunhada, Lauren, faz seus próprios investimentos. Ela tem seus próprios projetos e o seu próprio modo de operar. Já investiu em empresas como a marca de moda The Row. Mas isso não tem relação com o nosso capital nem com o nosso grupo de investimentos. Não sei se ela está envolvida em algo relacionado a isso ou não, mas não faz parte da nossa estrutura”. O que prevê a proposta? Após a celebração do acordo entre Santos e SDC Sports LCC, no final de fevereiro, a empresa fará um raio X da situação financeira do clube, num prazo de até 90 dias, para analisar a viabilidade do negócio, para então formalizar a proposta de compra de 80% das ações. A negociação envolveria R\$ 1 bilhão para investimentos e mais R\$ 1 bilhão para quitar as dívidas do Peixe. Do lado do clube, a transformação em SAF depende de mudança estatutária, que precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo (CD) e na Assembleia Geral de sócios. Hoje, o Estatuto só permite a venda de 49% das ações. Além da mudança no Estatuto, a transformação em SAF também precisa ser aprovada nas duas instâncias.