De acordo com o Centro de Memória do Santos FC, Pelé era conhecido como Soldado 202 Nascimento e não recebia tratamento diferenciado (Reprodução/ Instagram) Aos 18 anos, depois de ter vencido o maior campeonato de futebol do mundo, o rei Pelé integrava as forças armadas do exército brasileiro. O ingresso aconteceu em uma conhecida construção da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, que serviu como quartel para Edson Arantes do nascimento: a Fortaleza de Itaipu, localizada em Praia Grande. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Prefeitura, a construção da fortaleza, que integra o Parque Estadual Xixová-Japuí e está localizada no bairro Canto do Forte, foi iniciada em 1902. Pelé atuou no local como recruta do então 2º Grupo de Artilharia de Costa Leve, atual 2º Grupo de Artilharia Antiaérea. O serviço foi executado em 1959, um ano após Pelé conquistar a Copa do Mundo da Suécia com a Seleção Brasileira. De acordo com o Centro de Memória do Santos Futebol Clube, o atleta era conhecido como Soldado 202 Nascimento e não recebia tratamento diferenciado. Durante o período em que esteve no exército, Pelé dividiu seu tempo entre as atividades militares e o clube alvinegro, sendo liberado para jogos e até excursões internacionais. O rei Pelé também fez parte do time campeão do Sul-americano de Futebol das Forças Armadas, campeonato em que marcou o gol que consagrou a Seleção Militar Brasileira campeã na final contra a Seleção Militar da Argentina. Ao todo, Pelé marcou 14 gols em 10 partidas durante o período em que permaneceu nas Forças Armadas. Relação com Praia Grande Segundo o historiador Claudio Sterque, durante o auge do Santos, Pelé e seus companheiros de time costumavam frequentar a orla de Praia Grande em momentos de lazer. Os atletas geralmente jogavam futebol na areia da praia, na altura da Avenida Paris. Regime militar e aposentadoria Anos depois, segundo o Estadão, Pelé enfrentou momentos difíceis ao decidir se aposentar da Seleção Brasileira. A mudança não foi bem aceita pelo regime militar que tentava atrelar as grandiosas atuações da seleção, como a conquista da Copa de 1970, à imagem do governo. Na época, Pelé vivia o auge de sua carreira e pretendia continuar atuando apenas no Santos, mas também queria usar sua imagem de melhor jogador do mundo para ganhar dinheiro. O empecilho, porém, estava no governo, que não aceitava sua saída da seleção e decidiu não realizar nenhuma homenagem ao jogador em suas últimas partidas. Uma das diversas tentativas de manter Pelé usando a camisa da Seleção Brasileira foi feita por João Havelange, na época presidente da CBD (antiga CBF), que tinha a intenção de se tornar presidente da Fifa. Ele invocou decreto-lei de número 5.199 que lhe outorgava o direito de "requisitar qualquer jogador" sujeito a "ser suspenso e sofrer outras punições legais, dentro da legislação", em caso de recusa. Pelé não aceitou a medida e chegou a dizer que poderia encerrar sua carreira no futebol. As últimas partidas da carreira de Pelé pela seleção foram marcadas por gritos pedindo que o Rei permanecesse atuando nacionalmente. No jogo ocorrido em 11 de julho de 1971, no Morumbi, contra a Áustria, Pelé marcou seu último gol pela Seleção Brasileira, o que garantiu o empate em 1 a 1. Sua última partida, porém, ocorreu no dia 18 de julho contra a Iugoslávia no Maracanã, confronto que também terminou em um empate, dessa vez por 2 a 2. Com o tempo, parte da opinião pública decidiu tomar as dores do governo militar e passou a tentar apresentar Pelé como alguém ganancioso, que havia deixado a seleção para ganhar dinheiro. Pelé não cedeu e, em fevereiro de 1974, com a Copa do Mundo se aproximando, enviou carta ao então editor de Esportes do Estadão, Luís Carlos Ramos, para reafirmar que não voltaria a vestir a camisa do Brasil. Dois dias depois, Pelé recebeu uma carta de João Havelange pedindo mais uma vez que repensasse, mas manteve sua decisão. Em abril, Pelé foi recebido por dois ministros em Brasília que também tentaram convencê-lo, mas não obtiveram sucesso. Quando notaram que não teriam como fazer Pelé participar da Copa da Alemanha, em 1974, o jogador se tornou para muitos um inimigo do Brasil.