Pelé: O Legado Desconhecido, será lançado dia 26 no Museu Pelé (Divulgação) O mundo conhece Pelé. Mas poucos conheceram Edson Arantes do Nascimento como José Fornos Rodrigues, o Pepito. Parceiro do Rei por cinco décadas fora de campo, o amigo inseparável do camisa 10 revela o lado humano e íntimo do maior de todos em Pelé: O Legado Desconhecido, livro que será lançado dia 26 no Museu Pelé. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 160 páginas da obra, publicada pela Trend Editora, com prefácio de Milton Neves, Pepito relembra episódios da vida do craque, no Brasil e nas andanças pelo mundo. “O Pelé é abençoado por Deus, porque Deus fez o Pelé e jogou a forma fora. No livro você vai conhecer o Pelé fora do campo, porque ele era melhor aqui do que dentro do campo”, decreta Pepito. Pepito relembra episódios da vida do craque, no Brasil e nas andanças pelo mundo (Divulgação) Pepito conheceu Pelé quando era baixista no Betinho do Vibrafone, conjunto que tocava em festas e bailes. O primeiro contato foi quando Pelé apareceu numa festa em 1962. Após encontros esporádicos, em 1969, trabalhando numa agência de turismo, Pepito fechou uma excursão com o time do Santos. Da aproximação com o clube e o ídolo nasceu uma amizade. Em 1971, aconselhado por um advogado, Pelé abriu uma empresa jurídica para administrar seus negócios e convidou Pepito para fazer parte da equipe. “Éramos eu, o tio dele, o Jorge, e a Estela, uma menina que trabalhava no Santos”, conta. Na convivência com Pelé, Pepito conheceu uma pessoa simples e altruísta, o Edson. “Ele era generoso, simples e nunca foi mascarado. Eu o via como um ator que interpretava o personagem Pelé em parte do tempo. Por isso que ele sempre se referia ao Pelé na terceira pessoa”. Pepito passou a trabalhar com Pelé em 1971 e assim seguiu até os últimos anos da vida do Rei (Divulgação) “Ele era um fenômeno” A ironia de conviver com o mito é que Pepito não gosta de futebol. E é corintiano. “Era um castigo quando o Pelé me chamava para dar o pontapé inicial de algum jogo. A gente viajava e no hotel ele queria assistir um jogo, o que para mim era um martírio”. O assédio era inevitável. E Pepito cansou de ver a mesma cena: Pelé rodeado de pessoas lhe pedindo fotos e autógrafos. E o Rei, do alto de sua majestade, atendia aos súditos. “Em voos vinha a tripulação toda perturbar, pedindo foto. E ele atendia. Eu, só de olhar, ficava com o saco cheio”. A simpatia fez de Pelé um dos maiores garotos-propaganda do mundo, algo fácil de compreender, segundo Pepito. “Ele era carismático. Qual o carisma do Messi? Zero. Mas ele era um fenômeno. Bom amigo, bom companheiro, bom irmão, bom primo, bom tio... ele foi tudo. Ele era perfeccionista e a gente discutia pra caramba, mas nunca brigava”. As discussões, às vezes, aconteciam por causa do maior defeito de Pelé, para Pepito: a teimosia. “Ele era teimoso pra caramba (risos)”. Copa de 1974 A teimosia citada pelo amigo do peito também mostra um homem de opinião formada. Que não se influenciou pelos pedidos do governo de Ernesto Geisel, durante a ditadura militar, para que Pelé jogasse a Copa do Mundo de 1974, disputada na Alemanha. “O pessoal fala que os militares forçaram, ninguém forçou ninguém. Eles pediram para ele voltar a jogar, mas não fizeram pressão. Ele falou: ‘não vou e pronto!’. Ele seguiu o que o pai falou, melhor parar quando todo mundo quer que continue, do que continuar quando todo mundo quer que pare”, recorda Pepito.