Terreno do novo Centro de Treinamento (CT) do Santos fica às margens da Avenida Vereadora Angelina Pretti da Silva, em São Vicente (Divulgação/ Prefeitura de São Vicente) O projeto do novo Centro de Treinamento (CT) das categorias de base do Santos Futebol Clube, em São Vicente, no litoral de São Paulo, segue em andamento. Na noite de quinta-feira (8), o clube entregou à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) o Termo de Referência que define as diretrizes e a metodologia para elaboração do Estudo e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do empreendimento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme apurado por A Tribuna junto à Cetesb, essa etapa antecede o pedido de Licença Prévia (LP), que avaliará a viabilidade ambiental, a localização e a concepção do projeto. O terreno destinado ao novo CT fica no Sítio Ermida, às margens da Avenida Vereadora Angelina Pretti da Silva, na Área Continental, e tem aproximadamente 700 mil metros quadrados. Parte do local inclui Áreas de Preservação Permanente (APPs), onde a legislação restringe intervenções. De acordo com a Prefeitura de São Vicente, uma das propostas é concentrar as construções em cerca de 30% do terreno e preservar os outros 70%. Essa divisão, porém, ainda não está definida. A ocupação permitida dependerá dos resultados da análise ambiental e das autorizações dos órgãos responsáveis. O que falta? O primeiro passo é a Cetesb analisar o Termo de Referência apresentado pelo Santos. O documento orienta a elaboração do EIA/RIMA, que deverá avaliar os possíveis impactos ambientais da construção e ajudar a definir quais medidas de prevenção e redução de danos serão necessárias. A conclusão do estudo ambiental está prevista para abril de 2027. Depois da elaboração e análise do estudo, o Santos FC deverá solicitar a LP. Essa autorização avalia se o empreendimento do novo CT é ambientalmente viável no local e estabelece condições para as próximas etapas, mas não permite, por si só, o início das obras. Se o projeto avançar, o Santos ainda precisará obter a Licença de Instalação (LI), que autoriza a execução das obras após o cumprimento das exigências ambientais, e a Licença de Operação (LO), necessária para o funcionamento do Centro de Treinamento. A apresentação do EIA/RIMA também poderá envolver uma audiência pública para discutir os impactos do projeto com a população, conforme as exigências do processo de licenciamento. Acordo O Santos anunciou a aquisição do terreno em agosto, por meio de um acordo com a Saint-Gobain, empresa com a qual mantém uma relação comercial de longa data. Segundo o clube, a operação foi avaliada em R\$ 6.932.560,21, valor pago integralmente com ativos comerciais e de publicidade. Para financiar a implantação do complexo esportivo, o Santos trabalha na estruturação de um fundo de investimento específico. Segundo o clube, o modelo ainda está em desenvolvimento e deverá ser apresentado após a consolidação técnica do projeto. A Prefeitura de São Vicente apoiou as tratativas para viabilizar a negociação. Em nota, a Administração Municipal ressaltou que a transação foi privada e que a Prefeitura não participou diretamente do negócio. “Cabe à Administração Municipal garantir que eventuais intervenções realizadas no local estejam em conformidade com a legislação vigente, assegurando a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento ordenado do Município”, afirmou. Procurada, a Saint-Gobain informou que “o terreno localizado no Sítio Ermida, em São Vicente, foi transferido ao Santos FC em agosto de 2026 e já não integra o portfólio imobiliário do grupo”. Ministério Público acompanha o caso O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou uma Notícia de Fato para apurar possíveis irregularidades ambientais e administrativas relacionadas à aquisição da área e à implantação do empreendimento. Segundo a Promotoria de Justiça de São Vicente, foram solicitadas informações à Prefeitura, à Saint-Gobain e ao Santos. Até o momento, o órgão aguarda a resposta da empresa “para avaliar as medidas cabíveis a serem adotadas”. CT Rei Pelé Enquanto planeja a nova estrutura em São Vicente, o Alvinegro também garantiu a permanência no CT Rei Pelé, em Santos, onde treinam as equipes profissional e Sub-20. O clube renovou por mais 40 anos a concessão de uso do terreno, que pertence à União. O acordo prevê um período inicial de 20 anos, com renovação automática por outros 20, sem transferência da propriedade para o Santos. A renovação foi concluída junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Nos primeiros 20 anos, o Santos FC pagará R\$ 145 mil mensais pelo uso da área. Ao longo dos 40 anos, o investimento total estimado é de R\$ 69,7 milhões. O Santos também reconheceu uma dívida de aproximadamente R\$ 23 milhões pelo uso anterior do imóvel, que poderá ser paga em 120 meses.