Gabriel Bontempo chegou ao Santos aos 11 anos com um sonho que se tornou realidade (Silvio Luiz/AT) Ele tem 10 anos de Santos, mas não é veterano. Pelo contrário. Com 21 anos, o meio-campo Gabriel Bontempo é um dos Meninos da Vila que vem conquistando o seu espaço na equipe titular do Alvinegro. A pouca idade contrasta com a maturidade demonstrada em campo, num elenco com vários jogadores experientes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De estreante na equipe profissional, no início do ano passado, o mineiro de Uberaba, que chegou à Vila Belmiro aos 11 anos, superou as turbulências de 2025 e projeta uma temporada diferente. “A gente tem que entrar com ambição de ser campeão”, aponta. Na entrevista exclusiva para A Tribuna, Bontempo falou sobre as metas na carreira, o sonho realizado de jogar ao lado de Neymar, seleção brasileira e detalhes do dia a dia no CT Rei Pelé, onde a resenha rola solta e os meninos da base formam uma “colônia”. Você chegou ao Santos aos 11 anos, através de uma escolinha da franquia Meninos da Vila. Como foi a vinda para o clube e a mudança para a Cidade? Primeiro eu passei numa peneira em 2015, na minha cidade (Uberaba-MG), e no final do ano eu vim fazer mais um teste aqui (em Santos), junto com meninos de outras cidades. Passei e vim para cá em 2016. Meus pais não podiam largar tudo lá, minha mãe tinha o consultório de dentista e o meu pai, o salão de cabeleireiro. Aí meu avô veio comigo. Você era criança. Como foi a adaptação à nova vida sem os seus pais? No começo eu senti um pouco, por ser muito pequeno. No primeiro ano eu sentia falta de casa e saudade da minha avó também, porque eu sou muito apegado a ela. Mas meus pais sempre vinham, traziam a minha avó e fui me acostumando. Virei meio mineiro, meio caiçara (risos). Você faz várias funções no meio de campo, como segundo volante ou na meia. Mas se for escolher, qual é a sua preferência? A minha posição de origem foi meia-atacante. Mas no decorrer da base eu aprendi a fazer várias posições: segundo volante, ponta aberto pela direita ou pela esquerda. A minha favorita é jogar de segundo volante ou de meia-atacante, mas onde o professor precisar, estamos aí, o negócio é jogar. Você começou 2025 jogando a Copinha, subiu rápido e virou titular do profissional com o Pedro Caixinha. Mas com o Cléber Xavier e o Juan Pablo Vojvoda você teve menos chances. Ficou incomodado? Sempre serei muito grato ao Caixinha, que me deu a oportunidade de subir para o profissional. Tive uma sequência de jogos com ele e acabei perdendo um pouco de espaço também, porque tive algumas lesões (adutor esquerdo e direito) e isso acabou quebrando o ritmo. Não é muito legal, a gente quer estar sempre jogando, mas faz parte do futebol. Sempre me dediquei aos treinos para reconquistar esse espaço. Nos seus melhores sonhos, você imaginava jogar ao lado do Neymar? Não imaginava que seria tão rápido. Ele sempre foi meu ídolo, assisti muito e sempre gostei muito do futebol dele, sou fãzaço. Às vezes esperava jogar na seleção brasileira com ele. Tive essa oportunidade agora de estar jogando com ele no Santos, é um sonho realizado. Como é a convivência com ele no dia a dia? A gente fala que é privilegiado de ter essa oportunidade de jogar e dividir o dia a dia com ele. Ele sempre nos ajudando, a molecada mais nova, dando conselhos, é top demais. Da mesma forma que ele resenha e é alto astral, quando tem que cobrar, às vezes para melhorar algo, ele faz no intuito de ajudar. Isso para a gente que é jovem é muito bom, estar aprendendo com ele, que é referência. Tem alguma boa estória de bastidores com o Neymar? Eles apelidaram a rapaziada da base de bactérias (risos). Para zoar a rapaziada, essa é uma resenha que o grupo tem com a gente. Todos, não só o Neymar, o grupo é bom. Os seus amigos e familiares te importunam muito, pedindo para você pegar autógrafo ou camisa do Neymar? A minha mãe que pede. De vez em quando eu falo: ‘mãe, pô, não é direto assim, tem que saber o momento' (risos). O seu primeiro como profissional foi turbulento. Mudança de técnicos, luta contra o rebaixamento, cobranças da torcida. Como você lidou com isso? Faz parte do futebol, né? Foi um ano que, graças a Deus, a gente conseguiu, por mais que tenha sido na última rodada, se salvar. Foi um ano complicado, um ano que a gente esperava ter tido um melhor rendimento. A gente amadurece, faz de tudo para que esse ano seja diferente, que a gente possa estar mais tranquilo na tabela, brigar por coisas melhores, competições internacionais. Momento de pressão do ano passado serve de aprendizado para que esse ano seja diferente. Dos momentos ruins, qual foi o pior? A goleada para o Vasco, no ano passado, ou a eliminação no Paulistão deste ano? Os dois a gente sente bastante, fica triste com o resultado. O jogo contra o Vasco a gente tem que lembrar para nunca mais acontecer de novo. A eliminação no Paulista, dolorosa pela forma que foi, de tomar o gol no último lance, é aprendizado para nunca mais se repetir. Você foi convocado pela primeira vez para seleção sub-20, no ano passado, mas o Santos pediu sua liberação. Ficou frustrado? Não digo frustrado, fiquei feliz por ter sido convocado, eu tinha expectativa, o sonho de vestir a amarelinha. Ia ser a minha primeira convocação no sub-20, mas eu tinha acabado de fazer um gol contra o Sport, se eu não me engano. O pessoal da comissão falou que era importante eu ficar, que eu teria minutagem, que eu jogaria. Então, sabendo que eu iria representar o Santos, para mim também estava tudo bem. Brigar para, se Deus quiser, chegar na seleção olímpica ou na seleção principal. Na estreia como titular, na Vila, no ano passado, você marcou gol e deu assistência na vitória sobre o São Paulo. Como foi a emoção com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo? Foi um momento único, vou levar para sempre esse dia, muito especial para mim. Foi um dia onde eu pude meio que me assegurar no profissional, porque tinha acabado de chegar. Era um clássico, a Vila lotada. Lembro que eu fiquei sabendo que ia ser titular no dia. A gente chegou para jogar, estava chovendo muito, atrasou o jogo, eu falei ‘não é possível, eu quero jogar logo!’. Mas, graças a Deus, pude ser muito feliz nesse dia, ganhando o jogo, dando assistência e fazendo gol. O mundo hoje corre no ritmo digital. Como você lida com as redes? Costuma acompanhar postagens e comentários a seu respeito ou sobre o time? Eu sempre fui meio desligado com o telefone, tenho minha rede social, uso, é importante também para você divulgar a imagem, mas não sou muito ligado. Quando estou em casa jogo videogame, fico na resenha com a rapaziada, jogo tênis, futevôlei. A gente acaba vendo, mexo no Instagram de vezes em quando, mas não é algo que eu procuro para ver o que a rapaziada está falando, porque acho que tanto a crítica quanto os elogios você não pode ligar tanto. Se deixar interferir no trabalho é complicado, por isso fico meio desligado. O Santos tem vários jogadores experientes e vencedores no elenco. Como é a troca de vivências entre eles e os ‘bactérias’? É muito bom ter caras como esses no elenco. São jogadores experientes, estou sempre perto escutando eles. Todos são resenha, estão sempre junto conversando e sempre que eu posso aprender, eu tenho algum conselho, aproveito. A vitória contra o Vasco tirou um peso das costas do time, que começou mal o ano. O que a torcida pode esperar do Santos no Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana? A vitória foi importante para a gente voltar a ganhar, e agora é falar para o torcedor que estamos trabalhando o máximo possível para deixar o time encaixado. Todo mundo procurando estar na sua melhor fase para que este ano possa ser diferente e a gente possa fazer uma campanha sólida no Brasileiro, brigando por coisas melhores. A gente possa fazer uma ótima competição, tanto na Copa do Brasil quanto na Sul-Americana. Acho que a gente tem que entrar com o objetivo de ganhar. É lógico, com o pezinho no chão, saber que tem muito a ser melhorado, a evoluir, mas entrar com esse objetivo, com essa ambição de ser campeão. Você saiu de uma escolinha Meninos da Vila, onde muitos garotos sonham em virar jogador, mas nem todos conseguem. Qual é o sentimento de ter virado um dos Meninos da Vila? Fico muito honrado de ser um Menino da Vila. Sempre fui santista, o pessoal lá de casa também, meu tio, meu avô, todos são santistas. Cresci assistindo o Santos, cresci vendo o Ney na época de 2011. Quando vim para o Santos, sempre mirava o profissional, vi a rapaziada que tinha subido, o Rodrygo, e sempre sonhando em me tornar um deles, de poder ser um Menino da Vila. Estar hoje no profissional é um sonho realizado e fico muito honrado de representar essa camisa.