À esquerda, Manoel Maria em 2024; à direita, Manoel Maria em 1970, pelo Santos FC (Alexsander Ferraz/AT e Arquivo/AT) A história de um dos grandes ídolos da história do Santos Futebol Clube ganhou as telas do Museu Pelé, em Santos. O documentário “Manoel Maria – A Pérola da Amazônia” foi lançado na sexta-feira (14), em uma sessão especial que reuniu familiares, amigos e nomes marcantes da história do Peixe. A produção é assinada pelo jornalista paraense Carlos Ferreira, da TV Liberal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com 28 minutos de duração, o filme reúne imagens de arquivo, gols, entrevistas e reportagens para contar a trajetória de Manoel Maria, desde sua origem em Belém (PA) até a passagem pelo Santos, além de destacar a relação do ex-jogador com a Amazônia e sua amizade de décadas com Pelé. Nascido em 1948, Manoel Maria chegou ao Santos em 1968, por indicação do capitão Zito. No clube, assumiu a camisa 7 que havia pertencido a Dorval e passou a fazer parte de uma geração histórica, ao lado de Pelé, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo e Edu. Ponta-direita, ficou conhecido pela velocidade e habilidade com a bola. Pelo Santos, o jogador conquistou os Campeonatos Paulistas de 1968, 1969 e 1973, além do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. Também defendeu a Seleção Brasileira Olímpica nos Jogos do México, naquele mesmo ano. Amizade com Pelé Um dos destaques do documentário é a amizade entre Manoel Maria e Pelé. Os dois começaram a convivência ainda nos tempos de jogadores e permaneceram próximos por décadas. A produção apresenta registros dessa relação, incluindo imagens e conversas entre os dois. Durante o lançamento, Manoel Maria definiu Pelé como um dos maiores presentes que recebeu no futebol. “Pelé foi a coisa mais linda que eu ganhei no futebol. Foi o troféu mais lindo que eu ganhei”, afirmou. Entre os materiais resgatados pelo jornalista Carlos Ferreira está uma conversa entre Manoel Maria e Pelé sobre uma partida de 1965, quando o Rei vestiu a camisa do Remo, em Belém. Na época, Manoel ainda era um jovem jogador que sonhava em assistir ao Santos. Três anos depois, os dois estariam juntos no clube. A escolha do Museu Pelé para o lançamento reforçou a ligação de Manoel Maria com Santos e com o Rei do Futebol. (Reprodução/Youtube) “Ele jogava muito” A trajetória de Manoel Maria também é lembrada por quem dividiu os gramados com ele. No documentário, ex-jogadores do Santos relembram a chegada do paraense ao clube e destacam a velocidade, a habilidade e o carinho conquistado entre os companheiros. Nenê Belarmino conta que conheceu Manoel Maria em 1968, quando o jogador, recém-chegado da Seleção Brasileira Olímpica que disputou os Jogos do México, se juntou ao time juvenil do Santos durante uma viagem à Alemanha. A convivência fez nascer uma amizade que permanece até hoje. “Ele era o nosso ídolo. Na cidade em que nós ficamos, ele era o ídolo por ser o Manoel Maria”, relembra Nenê. Segundo ele, o ponta chamava a atenção também fora dos campos, principalmente pela habilidade com a bola. Pepe, outro nome histórico do Santos, recorda que Manoel Maria impressionou desde os primeiros treinamentos. Segundo o ex-jogador, o então técnico Lula logo percebeu o potencial do jovem ponta. “Esse garoto vai ser o novo Garrincha”, teria dito Lula, conforme a lembrança de Pepe. Para ele, Manoel Maria tinha velocidade e habilidade para desequilibrar as partidas. “Dava a bola para ele, ele driblava dois, três, cruzava na frente do gol, saía gol”, recorda. A comparação com Garrincha também aparece na lembrança de Negreiros, que destaca a velocidade do companheiro e acredita que Manoel Maria poderia ter chegado à Seleção Brasileira se não tivesse enfrentado problemas durante a carreira. “Um ponta muito veloz, um ponta que ia alcançar a Seleção Brasileira se não tivesse esses problemas que ele teve no caminho, aquele acidente”, afirma. O acidente automobilístico citado pelos ex-jogadores afetou o lado direito do corpo de Manoel Maria e, segundo Pepe, prejudicou seu rendimento quando voltou aos gramados. Mesmo assim, ele conseguiu recuperar a condição de titular do Santos. Fora das quatro linhas, o carinho também permanece. Negreiros brinca que Manoel Maria chegou a Santos e nunca mais deixou a cidade. A relação construída ao longo das décadas fez do ex-jogador não apenas um ídolo do clube, mas também um santista adotado pelo município. Clodoaldo resume esse vínculo ao falar do companheiro e compadre. “Somos assim como uma verdadeira família”, afirma o ex-volante, destacando os muitos anos de convivência entre Manoel Maria, sua família e os antigos companheiros de equipe. As lembranças ajudam a dimensionar o espaço ocupado por Manoel Maria na história do Santos: um jogador que, apesar de ter tido a carreira interrompida por dificuldades físicas, deixou sua marca entre os companheiros que testemunharam de perto seu talento. O espaço dedicado à memória de Pelé recebeu familiares, amigos e nomes ligados à história do futebol santista para celebrar a trajetória do ex-jogador. (Francisco Arrais/Prefeitura de Santos) Homenagem em vida A escolha do Museu Pelé para o lançamento reforçou a ligação de Manoel Maria com Santos e com o Rei do Futebol. Aos 78 anos, o ex-jogador participou da sessão e relembrou a relação construída com a cidade, onde passou a viver após a carreira. “Primeiro, jogar no Santos foi um sonho. E a cidade de Santos me acolheu tão bem. Eu sou cidadão santista”, declarou Manoel Maria durante o evento. A sessão contou ainda com a presença de outros ídolos do Santos, como Clodoaldo, Abel, Edu, Lalá, Negreiros e Maneco, além de Maria Lucia, irmã de Pelé. O documentário é resultado de uma amizade iniciada em 2000 entre Manoel Maria e Carlos Ferreira. O jornalista decidiu transformar a história do ex-jogador em filme após anos reunindo registros de sua carreira. “É um trabalho artesanal”, explicou Ferreira, que reuniu gols, entrevistas, reportagens e materiais inéditos para construir a narrativa sobre o ídolo santista.