Clodoaldo brilhou em 1970 ao fazer o gol de empate contra o Uruguai – no fim, o Brasil virou para 3 a 1 (Vanessa Rodrigues/AT) Uma das máximas do futebol atual é que, exceto o goleiro, todos os jogadores têm obrigação de marcar. Atacante plantado no campo ofensivo, apenas esperando a bola chegar, é coisa do passado. Ou não, porque segundo Clodoaldo, ex-volante do Santos e da seleção brasileira, essa característica já era explorada pelo time tricampeão do mundo no México, em 1970. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “No quarto gol do Brasil, o do Carlos Alberto, na final, contra a Itália (a seleção venceu por 4 a 1), quem tomou a bola na lateral esquerda (no campo defensivo brasileiro) foi o Tostão (que jogava com a camisa 9). Nós estamos falando de 1970”, diz Clodoaldo, que não se prende às formações táticas para definir de que forma uma equipe joga. “Hoje, quando me falam que o modelo da seleção é 4-2-4, esse modelo não existe, porque o técnico, não precisa ser o (Carlo) Ancelotti, vai pedir que todos os jogadores que jogam ofensivamente voltem para marcar. Aí você transforma no quê? O 4-4-2, o 4-3-3, o 4-4-1-1. É o movimento de cada modelo que o técnico vai exigir dos atacantes”, avalia. Tentando decifrar as preferências táticas de Ancelotti à frente da seleção brasileira, Clodoaldo aponta opções. A premissa, porém, é o que ele chama de “futebol total”, no qual todos têm a incumbência de marcar. “Uma coisa é você pegar um atacante, o Neymar, por exemplo, e mandar ele marcar. Outra é pegar um meia com capacidade de marcação. Ele não vai ter a criatividade do Neymar, mas vai auxiliar mais na marcação do que qualquer outro atacante. Ele (Ancelotti) pode até ter quatro atacantes, mas esses quatro têm que ter característica de marcação”. Lances marcantes em 1970 Como volante, Clodoaldo tinha a função de marcar e articular as jogadas no meio-campo. E na decisão contra os italianos, ele teve dois momentos distintos. E marcantes. O primeiro, quando tentou dar um passe de letra no campo de defesa e armou o contragolpe da Itália, que perdia por 1 a 0 e empatou na conclusão da jogada. O segundo entrou para a história dos grandes momentos das copas. “Depois que o Tostão tomou a bola, começou a grande jogada. Foi um balé, driblando quatro italianos. Desmontamos todo o sistema de marcação da Itália e isso facilitou para que a gente pudesse chegar ao quarto gol, do Carlos Alberto”, recorda Clodoaldo. O icônico gol, que voltou a viralizar na semana passada, após ser compartilhado por perfis de futebol nas redes sociais, é considerado um dos mais bonitos de todas as Copas. Mudança no comando Imortalizada na galeria das grandes campeãs, a seleção de 1970 ficou conhecida como “As Feras do Saldanha”. Responsável pela montagem e batismo do time, o técnico João Saldanha foi demitido pouco antes do início da Copa, por divergências com o governo militar da época. Zagallo assumiu e conduziu a equipe ao tri. “O (João) Saldanha teve o grande mérito da convocação de, como ele chamava, ‘As Feras do Saldanha’. Depois, o Zagallo domou essas feras e botou-as para jogar. Os cinco camisas 10, Rivellino, Tostão, Pelé, Gerson e Jairzinho jogando juntos. Foi um modelo fantástico”, lembra Clodoaldo.