[[legacy_image_229734]] À espera do surgimento de uma nova fase vitoriosa na história do Santos, o torcedor alvinegro volta ao passado nesta quinta-feira (15) para comemorar os 20 anos da conquista do Campeonato Brasileiro de 2002. Liderado pelo técnico Emerson Leão, que no começo da competição bancou um elenco recheado de jovens, e embalado pela qualidade dos protagonistas Diego e Robinho, o Peixe encantou o País com um futebol genuinamente tupiniquim e colocou fim em um longo jejum sem títulos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O roteiro cinematográfico daquela conquista fez o sofrido torcedor santista, há 18 anos com o grito de campeão preso na garganta, sentir diferentes emoções durante aquele Brasileirão e, principalmente, durante a tarde daquele 15 de dezembro de 2002. Visto nas primeiras rodadas do campeonato como um simples figurante, o time da Vila Belmiro brilhou e assumiu o papel de herói ao longo da trama. Porém, como uma genial obra hollywoodiano, quis o destino que a final (depois de surpreender e eliminar o favorito ao título São Paulo e o experiente e copeiro Grêmio) fosse justamente contra o arquirrival Corinthians - em 2001 o Timão tirou o Santos da final do Campeonato Paulista com um gol faltando 10 segundos para o término da partida. No primeiro encontro da decisão, disputado em 8 de dezembro, no Morumbi, o Santos não tomou conhecimento da força do adversário, venceu por 2 a 0, e deu um importante passo rumo à taça. [[legacy_image_229735]] O enredo, no entanto, ainda escondia um desfecho dramático. Sete dias depois, no mesmo Morumbi, Diego, logo nos primeiros minutos de jogo, sentiu uma lesão e precisou ser substituído. O maduro Robert entrou em seu lugar. “A saída do Diego com tão pouco tempo de jogo me surpreendeu, mas o Leão sabia da gravidade da lesão. O Departamento Médico avisou que a qualquer momento do jogo o Diego poderia sentir e precisaria sair. Ainda assim o Leão quis bancar a escalação dele”, relembra Robert em entrevista para A Tribuna. “E isso, de certa forma, acabou surpreendendo o Corinthians também, porque entrou um jogador com características diferentes e mais experiente. Eu segurava mais a bola e acelerava o jogo na hora certa. O Diego era um jogador que buscava mais o gol. Os próprios corintianos, depois do jogo, comentaram que com a minha entrada o Santos melhorou, porque consegui controlar mais o ritmo da partida”, acrescenta. Sem o camisa 10, Robinho roubou a cena. Aos 37 minutos do primeiro tempo, o camisa 7 eternizou as oito pedaladas em cima de Rogério, que só parou o atacante com pênalti. O próprio Robinho bateu e fez 1 a 0. No placar agregado 3 a 0 e o título praticamente nas mãos. O script, entretanto, mudou e aterrorizou os santistas no segundo tempo. Aos 39 minutos, o Corinthians virou o placar para 2 a 1. Por ter melhor campanha na fase de classificação em relação ao Santos, o time comandado por Carlos Alberto Parreira ficaria com o título em caso de igualdade na soma dos resultados dos dois jogos. Ou seja, mais um gol corintiano transformaria aquele sonho do torcedor do Santos em pesadelo. [[legacy_image_229736]] “Aquele time, apesar de muito jovem, já era maduro. Mas quando o Corinthians fez o 2 a 1, eu olhei para a torcida do Santos e vi muita gente nervosa. A preocupação era nítida. Confesso que foram uns minutos de tensão”, recorda Elano, outro garoto daquele elenco montado por Leão. “Mas essa tensão foi passageira. Lembro que fui levando a bola até o centro do gramado com o Robinho e, quando olhamos para trás, logo vimos o Paulo Almeida e o Renato pedindo para o pessoal não baixar a guarda, para não ter desespero, porque ainda estávamos em vantagem. E essas palavras nos deram tranquilidade, mesmo sabendo que o Corinthians ia vir para cima com tudo em busca do terceiro gol”, continua ele. Elano ainda não sabia, mas estava em vias de ser premiado e jamais ser esquecido na Vila Belmiro por sua atuação como um coadjuvante de luxo daquele time. Quatro minutos depois de observar a preocupação no rosto dos santistas presentes nas arquibancadas do Morumbi, ele mesmo tratou de devolver a eles o sorriso. Depois servir Robinho já na intermediária, Elano correu para dentro da área e viu o atacante, com cinco toques na bola, invadir a área pelo lado direito do ataque e, com um passe perfeito entre os zagueiros corintianos, lhe devolver a bola para começar a colocar em ação o tão esperado final feliz para aquela obra. "Quando o Robinho dá o tapa na bola e se livra de um marcador, eu entro na área já pedindo a bola e xingando ele porque eu estava com o gol aberto. Mas, mesmo me ouvindo, o Robinho foi arrastando para confundir a zaga do Corinthians até que finalmente me passou a bola para marcar o gol. Aquela lembrança é maravilhosa. Ali tive a certeza que o campeonato tinha acabado”, diz Elano. [[legacy_image_229737]] “Olho novamente para a torcida e já enxergo vários santistas emocionados, alguns começando a chorar. Foi mágico. Ver o alívio daqueles torcedores foi um episódio muito bonito”, acrescenta. Para não restar dúvidas, Léo, aos 47 minutos, ainda marcou o terceiro do Santos. O jejum tinha chegado ao fim para a felicidade de torcedores e jogadores. “Aquele título coroou a minha história no Santos. Antes daquele dia eu já tinha chegado à final de Brasileiro, em 1995, final de Campeonato Paulista, em 2000, sido campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1997, e já tinha até convocação para a seleção brasileira. Porém, faltava um título desse tamanho. Lembrar daquela conquista, da festa em campo, da torcida invadindo o gramado, da gente descendo a Serra num comboio de torcedores que começou na saída do Morumbi e foi até a Praça Independência, no Gonzaga, é emocionante mesmo 20 anos depois”, afirma Robert. Campanha O Santos encerrou aquele Brasileirão com 31 jogos. Foram 16 vitórias, seis empates e nove derrotas. O Peixe marcou 59 gols e sofreu 41. [[legacy_image_229738]]