Otero comemora o gol de falta que decretou a vitória sobre o Ceará, em Fortaleza, na 14ª rodada (Raul Baretta/ Santos FC) Ele é baixinho, tem boa rodagem no futebol brasileiro e apresenta como uma das características marcantes a batida cheia de efeito na bola. Com essa apresentação, é fácil identificar Rómulo Otero, habilidoso meia-atacante venezuelano de 31 anos e 1,65 metro que tem sido destaque do Santos nos últimos jogos da Série B do Campeonato Brasileiro. Na Vila Belmiro desde janeiro, ele se firmou como um dos titulares do técnico Fábio Carille. Dos 33 jogos do Alvinegro na temporada, Otero esteve em campo em 31. Anotou quatro gols e já deu quatro assistências aos companheiros desde o início do ano. Foram três tentos no Paulistão e apenas um na Série B, mas com um peso maior. Numa bela cobrança de falta, com efeito, o baixinho decretou a vitória por 1 a 0 sobre o Ceará, no Estádio Castelão, em Fortaleza, no último dia 5, pela 14ª rodada. O triunfo contra o Vozão não foi só importante para manter, àquela altura, a sequência positiva do Peixe. Mas também tirou um fardo das costas da equipe, que não vencia fora de casa desde os 2 a 1 contra a Ponte Preta, no dia 15 de maio, em Campinas, pela 5ª rodada. Na goleada sobre o Coritiba por 4 a 0, na última segunda-feira, na Vila, Otero infernizou a vida da equipe paranaense. E abriu caminho para a vitória santista, com uma cobrança venenosa de falta, que explodiu na junção do travessão com a trave direita, gerando o rebote para o gol de Giuliano, logo aos 3 minutos de jogo. No segundo tempo, com uma bela assistência, Otero deixou Guilherme cara a cara com o goleiro Pedro Morisco. O atacante sofreu pênalti, convertido por Julio Furch, marcando ol terceiro gol do Santos. Para completar, no final da partida, o venezuelano bateu falta da esquerda, fechada, com efeito, para dentro da área, encontrando Pedrinho livre para fazer o quarto, de cabeça. Alta quilometragem Nascido em El Tigre, na Venezuela, Otero, o “Scorpion” começou a carreira no Caracas, em 2010. O apelido vem desde cedo. Aos 16 anos, no primeiro jogo como profissional, mereceu uma nota num jornal do dia seguinte, com a seguinte frase: “Rómulo Otero é como um escorpião, pequeno, mas perigoso”, disse ele em 2017, ao site Goal. Em 2015 mudou de país pela primeira vez, emprestado ao Huachipato, do Chile. Em julho de 2016, o meia-atacante teve a primeira passagem pelo Brasil, defendendo por empréstimo o Atlético-MG, que o comprou no ano seguinte. Em 2018, a mudança não foi de país, mas de continente. Emprestado pelo Galo, Otero partiu para o Al-Wehda, da Arábia Saudita. Foi lá que ele trabalhou com o técnico Fábio Carille, que conheceu as credenciais do baixinho: os passes, cobranças de escanteio e batidas de falta cheias de veneno. “O Otero trabalhou comigo na Arábia, conheço bem, bate muito bem na bola. Não é de hoje, desde que chegou no Atlético Mineiro. Temos que tirar proveito disso. Está dando uma resposta legal”, comentou Carille, após a goleada sobre o Coritiba. De volta ao Brasil, Otero foi emprestado novamente, desta vez para o Corinthians, de agosto de 2020 a junho de 2021. Apesar de ser o clube que mais defendeu ao longo da carreira, com 111 jogos, 23 gols e 11 assistências, o venezuelano não ficou no Galo após o fim do empréstimo ao time paulista. Sem espaço, Otero deixou o time mineiro em agosto de 2021, transferindo-se para o Cruz Azul, do México, onde ficou até julho de 2022. De lá, outro retorno ao Brasil, para atuar jogar no Fortaleza. No Leão, porém, o baixinho fez apenas nove jogos, com um gol e uma assistência, nos quase nove meses de vínculo. Destino: Vila Belmiro Sem renovar com a equipe cearense, Otero foi para o modesto Aucas, do Equador, em março do ano passado. A conexão com o Brasil, no entanto, não havia terminado. Em janeiro, indicado por Carille, o meia-atacante foi uma das contratações para o processo de reformulação do Santos. No Paulistão, o venezuelano participou de 14 dos 16 jogos da campanha do vice-campeonato. Marcou três gols, um deles no jogo de ida da final contra o Palmeiras, no dia 31 de março, na Vila, quando o Peixe venceu por 1 a 0. Na temporada, os quatro gols anotados o deixam atrás somente de Guilherme e Giuliano, que têm sete cada, e Julio Furch e Willian Bigode, com seis cada. De quebra, Otero é o segundo maior garçom do time em 2024, com quatro assistências, uma a menos que Guilherme. E se mostra afiado para contribuir muito mais na caminhada do Peixe rumo à elite do futebol nacional.