Maria Lúcia (de preto), irmã de Pelé, durante velório da mãe, Dona Celeste (Alexsander Ferraz/AT) Membros da família Arantes do Nascimento e amigos se reuniram neste sábado (22) para se despedir de Dona Celeste, a mãe do Rei Pelé, falecida na sexta (21), aos 101 anos, em razão da idade avançada. A “Pequena Gigante”, carinhosamente chamada pelo neto Edinho, foi sepultada à tarde no nono andar da Memorial Necrópole Ecumênica, no Marapé, em Santos, no jazigo da família, ao lado do marido Dondinho e do filho Jair, o Zoca. O sentimento, entre familiares e amigos próximos, era um misto de tristeza, saudade e alívio pela passagem de Dona Celeste, que vivia acamada nos últimos quatro anos. Na última semana, ela foi internada no Hospital SerPiero, na Vila Mathias, onde recebeu cuidados paliativos e faleceu “sem sofrimento”, segundo o médico Marcelo Noronha. “Ninguém quer um ente querido nessa condição, isso também tem uma carga emocional muito grande na família, na minha tia (Maria) Lúcia (irmã de Pelé), na minha prima Dani (filha de Maria Lúcia), que cuidavam dela. É um alívio pra todos saber que agora ela vai descansar e a minha tia e minha família também poderão ter um pouquinho de paz”, disse Edinho. O filho do Rei lembrou que na morte de Pelé, no final de 2022, a avó ainda interagia, de forma limitada, com os familiares. Mas como ela “já estava se desligando do dia a dia”, a família não contou à Dona Celeste sobre a morte do Camisa 10. “Não ia ter sentido explicar, fatalmente ela ia esquecer. Ela passou uma vida inteira com saudade do filho, ele vivia no mundo. Então, ela estava muito acostumada com a ausência dele e com essa dinâmica de amar e mandar luz, seja onde ele estivesse no mundo”, lembrou Edinho. Danielle Nascimento, neta de Dona Celeste, falou que há anos a família estava ciente deste momento e reverenciou a memória da avó. “Ela era uma pessoa especial, de fé. A espiritualidade sempre à frente do resto, por isso era luz e alegria pra tanta gente. Ela dizia ‘não queira todo benefício só pra você, queira pra você, pros seus e pros que convivem com você’. Esse é um dos aprendizados que eu vou sempre lembrar”. Edinho relembrou da "Pequena Gigante", a avó carinhosa que era referência na família (Alexsander Ferraz/AT) Doces lembranças Edinho, que viveu muitos anos nos Estados Unidos, na infância e adolescência, lembra que quando vinha ao País se deleitava com os dengos da avó. “Eu era um daqueles netos que ela adorava estragar (risos), podiam fazer tudo. Meu tio tinha uma motinho e quando viajava, falava “não deixa o menino pegar, é perigoso’, mas era só ele viajar que eu pegava e ficava rodando dentro do quintal”. A doçura da avó, de acordo com Edinho, contrastava com a rigidez da mãe Celeste. “As histórias que meu tio (Zoca) e meu pai contavam é que eles aprontavam e quando chegavam em casa, levavam bronca (risos)”. O sofrimento de Dona Celeste, que não queria que Pelé fosse jogador como o pai (Dondinho), por receio dele sofrer com lesões, foi amenizada quando Edinho também decidiu fazer carreira no futebol. “Depois da incrível trajetória dele (Pelé), como meu vô e meu tio, eu acho que ela aceitou, não tinha nem mais força pra resistir. Ela só acolheu e falou tudo bem, mais um, né? Ela acabou apoiando e era uma das minhas fãs número um, sem dúvida. É isso que vai ficar, o amor que ela representava pra família, aquela pequena gigante”. Ex-companheiros de Pelé, Maneco e Manoel Maria foram prestar solidariedade à família do Rei (Alexsander Ferraz/AT) Amigos do Rei Alguns ex-companheiros de Pelé também compareceram para expressar solidariedade à família. “Dona Celeste era uma mãe extremosa, sempre quando a gente estava no exterior, chegavam cartas dela pro Rei, que ficava muito feliz”, contou Pepe, o Canhão da Vila. O ex-zagueiro Maneco destacou que o icônico e carismático Pelé foi forjado numa família exemplar. “As pessoas, às vezes, têm sucesso porque vêm de uma família boa, religiosa, digna, honesta. Então, quando a pessoa é assim, dá o que deu o Pelé, né? Dona Celeste era uma pessoa sensacional”. Um dos melhores amigos do Rei, Manoel Maria lembrou de um episódio na casa de Pelé, que fazia aniversário. “Pelé falou pra mãe ‘eu queria que a senhora me explicasse porque eu tenho um irmão branco’. Eu sei que era brincadeira, mas fiquei muito feliz com aquilo”, disse ele, reafirmando que apesar de pequenina, Dona Celeste sempre “foi mãezona”.