O processo teve início após queixa-crime apresentada por Kleiton, que acusou Luciana de difamação em razão de uma carta que relatava um suposto episódio de assédio sexual ocorrido em uma feira, em Santos (Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC e Reprodução/Redes sociais) A Justiça condenou a ex-jogadora espanhola do Santos Luciana Ortega, a três meses de detenção, em regime inicial aberto, por difamação contra o ex-técnico do clube e da Seleção Brasileira Kleiton Barbosa de Oliveira Lima. A sentença, obtida por A Tribuna, foi proferida pela 4ª Vara Criminal de Santos no último dia 13. A decisão ainda cabe recurso. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pena de prisão foi substituída pela prestação de serviços à comunidade ou a entidade assistencial pelo mesmo período. Luciana também deverá pagar dez dias-multa, no valor unitário mínimo legal, e uma indenização mínima de R\$ 20 mil a Kleiton por danos morais. A decisão ainda estabeleceu R\$ 2 mil em honorários advocatícios. A jogadora poderá recorrer em liberdade. Queixa-crime O processo teve início após queixa-crime apresentada por Kleiton, que acusou Luciana de difamação em razão de uma carta que relatava um suposto episódio de assédio sexual ocorrido em uma feira em Santos. Segundo os autos, outras cartas também foram entregues à direção do clube em setembro de 2024, com reclamações de atletas sobre a conduta do então treinador. Na sentença, a juíza Denise Gomes Bezerra Mota considerou comprovada a autoria do crime de difamação. Segundo a magistrada, independentemente de quem tenha escrito a carta, as provas demonstraram que Luciana confirmou a dirigentes do Santos que o episódio da feira havia ocorrido com ela e que teria sido vítima de assédio sexual. A decisão cita depoimentos de dirigentes e jogadoras que participaram das reuniões realizadas após a entrega das cartas. Conforme os relatos considerados pela Justiça, Luciana teria contado em mais de uma ocasião que Kleiton havia feito comentários relacionados ao seu peso enquanto ela comia pastel na feira. A magistrada, porém, destacou que não ficou comprovado que Luciana tenha sido responsável pelo vazamento das cartas para a imprensa. Por esse motivo, a sentença não aplicou a causa de aumento de pena prevista para crimes contra a honra cometidos por meio que facilite a divulgação. Outro ponto destacado na decisão é que, segundo a análise das provas, o episódio da feira configuraria, “quando muito”, assédio moral, e não sexual. A sentença afirma que o fato teria ocorrido em razão de cobranças relacionadas à condição física da atleta e de um olhar de reprovação do treinador ao vê-la comendo pastel próximo ao horário de treino. Kleiton afirmou no processo que a acusação prejudicou sua carreira e sua reputação. Segundo o relato dele à Justiça, está sem trabalhar no futebol desde os acontecimentos e foi colocado na mídia como assediador. Ele também declarou que nunca havia sido acusado de assédio anteriormente. Defesas Para a equipe de reportagem, o advogado de Kleiton, Leandro Weissmann, afirmou que o ex-técnico é um profissional “extremamente sério e dedicado” e que a condenação representa o restabelecimento da verdade e da justiça. Segundo ele, Kleiton está há três anos sem trabalho e sofre consequências de algo que “jamais fez”. “Ainda que se queira reparar a lesão moral sofrida, jamais vai se conseguir restabelecê-la, bem como a sua imagem, severamente atingidas”, afirmou o advogado. Também para A Tribuna, a defesa de Luciana, representada pela advogada Paula Carpes Victório, destacou que a ação foi julgada apenas parcialmente procedente e que a sentença não acolheu todos os pedidos e alegações apresentados pela acusação. “Luciana é inocente e continua muito abalada com todos esses acontecimentos e processos que se iniciaram em 2023”, afirmou a advogada. Segundo ela, a defesa "recebeu a decisão com respeito ao Poder Judiciário" e ainda discute os próximos passos. Paula também afirmou que Luciana não escreveu nenhuma carta e não acusou o ex-técnico de ter cometido um crime. Segundo a defesa, a ex-jogadora não conseguiu voltar a atuar no futebol profissional e atualmente trabalha na área administrativa de uma loja de produtos automotivos.