[[legacy_image_168876]] A morte de Freddy Rincón, aos 55 anos, na madrugada desta quinta-feira (14), após um acidente de trânsito no início da semana, em Cali, na Colômbia, foi bastante sentida por ex-companheiros de Santos. Meio-campista do Peixe em 2000, quando a equipe foi vice-campeã paulista, Robert relembra que, com o colombiano no elenco, não havia espaço para jogadores desinteressados ou de má vontade nos treinamentos, muito menos nos jogos. "O Rincón era muito profissional e cobrava todo mundo. Ele não aceitava ninguém dando migué. Se percebesse alguém dando apenas 50% nos treinamentos, ele não pensava duas vezes: cobrava mesmo. Os garotos mais novos, por exemplo, que ficavam sorrindo a atividade inteira, sofriam com ele, que queria seriedade e dizia que aquilo que a gente fazia no treino refletiria nos jogos. O Diego e o Robinho foram dois que tomaram puxões de orelha do Rincón no começo da carreira", comenta o ex-meio-campista. Robert também conta que, líder nato, o colombiano era quem resolvia as questões financeiras do elenco com a diretoria. Desde de atrasos salariais a conversas sobre premiações. "Lembro de que, em vias de disputar as finais do Campeonato Paulista com o São Paulo, em 2000, a gente precisava negociar os valores do bicho em caso de conquista. Na época, o presidente do Santos era o Marcelo Teixeira, que mandou dois diretores no vestiário do CT para conversar sobre o assunto. Quando os diretores começaram a tratar do assunto, o Rincón logo interrompeu e falou: 'Pode parar com isso. Eu não quero falar disso com os palhaços. Quero falar com o dono do circo. Podem ir embora e chamar o presidente'. Os dois saíram na hora e todo o time começou a dar risadas". Profissional e muito competitivo, Rincón não perdoava nem os mais experientes. E, segundo Robert, se não fosse a turma do deixa disso, um dos treinamentos do Santos em Jarinu, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, teria terminado com trocas de socos entre o colombiano e Edmundo. "O Parreira insistia para que os atacantes ajudassem os meio-campistas na marcação. Mas o Edmundo não fazia isso. Perdia a bola e não voltava. O Rincón reclamou umas duas vezes e, na terceira, o Edmundo o xingou. Imediatamente o Rincón partiu em direção ao Edmundo para agredi-lo. Uns três ou quatro jogadores correram junto para segurar o Rincón, mas ele era muito grande e muito forte. A sorte do Edmundo foi que aos poucos tudo foi se acalmando e terminou sem agressão", relembra Robert. Apesar desse lado exigente em campo, Rincón era visto como uma grande pessoa fora dele. Narciso não atuou ao seu lado na carreira, porque quando o colombiano foi contratado pelo Santos ele descobriu que estava com leucemia. Porém, após o transplante de medula óssea, Narciso conviveu com Rincón no dia a dia do CT Rei Pelé. "Ele era uma pessoa alegre e de grupo. Sempre sorridente. Dizia que estava precisando de mim no time, mas infelizmente eu não podia ajudar. E lamento muito por isso, porque queria ter aprendido com ele". Procurado por A Tribuna para falar sobre o colombiano, Renato, muito abalado, optou por não se pronunciar. Contratado do Guarani no início dos anos 2000, Renato comentou apenas que devia muito a Rincón pelos ensinamentos que recebeu nesse período em que trabalharam juntos no Peixe.