Torcida do Peixe compareceu em peso, mas saiu de Novo Horizonte na bronca com o time (Raul Baretta/Santos FC) O Santos inicia a semana sob pressão. A terceira derrota consecutiva na Série B do Campeonato Brasileiro, na noite de sexta (7), em Novo Horizonte, deu fim à lua de mel com a torcida e reinstalou a crise na Vila Belmiro. Cenário que não era visto no clube desde o caótico dezembro de 2023, quando o time foi rebaixado à segunda divisão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O protesto de membros de uma torcida organizada, na madrugada de sábado (8), na rodovia Washington Luiz, quando uma praça de pedágio foi bloqueada para impedir a passagem do ônibus que levava a delegação de volta à Baixada Santista, deixou jogadores e membros da comissão técnica tensos. A polícia rodoviária teve que intervir para dispersar os torcedores e liberar o veículo. É neste clima de animosidade, que ganha eco nas redes sociais com a insatisfação de torcedores com o desempenho pífio do time nas últimas três derrotas, que o Alvinegro voltará aos treinos no CT Rei Pelé nesta segunda (10). Se após o pesadelo da queda à Série B o santista se mostrava fechado com o time, no início do Paulistão, com direito a apoio até depois de perder o título na final contra o Palmeiras, o momento agora é de cobrança. Afinal, apesar de um início irregular, mas eficiente na segunda divisão, o Peixe perdeu o rumo. Nas seis primeiras rodadas, apesar do futebol pouco vistoso na maioria dos jogos, o Santos venceu cinco vezes, chegando a 15 pontos. De lá para cá, a derrocada. Três revezes seguidos levaram a equipe do céu ao inferno. Da liderança, visto como favorito, não apenas a uma das quatro vagas de acesso, mas ao título da Série B, o Alvinegro conseguiu, em três rodadas, perder o ímpeto e o respeito dos torcedores e dos adversários. Caiu para a terceira colocação e pode ficar fora do G4 ao término da nona rodada, já que Ceará, América-MG e Mirassol podem ultrapassá-lo. O Operário, próximo adversário do Peixe, na sexta-feira (14), às 19 horas, no Estádio Germano Kruger, em Ponta Grossa, derrotou o Guarani na noite de sábado (8) por 1 a 0, em Campinas, e também chegou aos mesmos 15 pontos. Aparente tranquilidade A trinca negativa diante de América-MG, Botafogo e Novorizontino, aparentemente, não abalou o técnico Fábio Carille. Após o jogo em Novo Horizonte, com a postura habitual, ele se mostrou sereno. Dividiu a responsabilidade pelo mau momento da equipe e enfatizou a necessidade de trabalhar mais para o time dar a volta por cima. Nem o fato de ter levado sete gols nos últimos três jogos e anotado apenas três tentos foi motivo para o treinador se mostrar incomodado. Ele até enxergou fatores positivos, com o volume de jogo apresentado, principalmente contra o Botafogo. Mas, na verdade, a falta de solidez defensiva e a ineficiência do ataque, demonstradas recentemente, preocupam. Tanto que Carille aguarda ansiosamente por boas notícias do departamento médico, nesta segunda (10). Depois de ter de volta o volante João Schmidt, após dois jogos fora, e contar de novo com o atacante Pedrinho, que retornou em Novo Horizonte, após 48 dias afastado do time, o técnico sonha com a liberação de Guilherme e Julio Furch. Guilherme, que vinha sendo o destaque do Peixe no início do campeonato, se recupera de uma lesão muscular no bíceps femoral da coxa esquerda. Ele está fora da equipe desde a partida contra a Ponte Preta, pela quinta rodada, no dia 15 de maio. O caso de Julio Furch é mais complexo. Sofrendo com uma pubalgia desde o Paulistão, o argentino só fez dois jogos pelo Peixe na Série B. Ele não joga desde a segunda rodada, no dia 26 de abril, contra o Avaí, e seguiu em tratamento intensivo para se livrar das dores. Serenar os ânimos Nesta atmosfera nebulosa, o elenco se reapresenta segunda (10), no CT Rei Pelé, ciente de que precisa acionar o modo reabilitação imediatamente. Uma vitória sobre o Operário, na sexta (14), seria fundamental para serenar os ânimos visando o reencontro com a torcida na Vila Belmiro. Um mês depois da “turnê” de quatro jogos fora (contra América, Botafogo, Novorizontino e Operário), o time voltará a jogar no Alcapão no dia 19 de junho, às 19 horas, contra o Goiás. Nesta partida, ainda cumprindo a punição imposta pelo STJD, os setores destinados às torcidas organizadas estarão vetados. A presença desses torcedores, em outros setores da Vila ou fora dela, no entanto, é certa. O que se espera é que eles estejam lá para incentivar o time. E não para cobrar e pressionar ainda mais um elenco já colocado à prova.