[[legacy_image_315104]] A Tribuna dá sequência nesta terça (28) à série de entrevistas com os candidatos a presidente do Santos que concorrerão nas eleições de 9 de dezembro. A Chapa 2, Juntos pelo Santos FC, é encabeçada pelo administrador de empresas Wladimir Mattos, que tem o advogado Márcio Quixadá como vice-presidente. Na segunda (27), o entrevistado foi Ricardo Agostinho, da Chapa 1. Os três outros concorrentes a dirigir o clube no triênio 2024-2026 serão os entrevistados de quarta (29) a sexta (1º). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que o senhor acredita que tem as credenciais para ser presidente do Santos?Experiência profissional na gestão de empresas e também na gestão de clubes. Foram anos interagindo com atletas, empresários, federações, patrocinadores, associados e torcedores. Tudo isso me qualifica para assumir agora um clube do porte do Santos Futebol Clube. E me sinto muito à vontade com essa tarefa. Quais serão as três prioridades de sua gestão e por quê?A primeira prioridade é recuperar o futebol. A segunda prioridade é a construção do estádio. E o terceiro ponto, sem dúvida nenhuma, é colocar de pé o CT para as categorias de base. Ainda tenho outras, que penso ser relevantes: melhorar as condições estruturais para o futebol feminino e, também, reestruturar o programa Sócio Rei. Esses, eu te digo, são os nossos objetivos iniciais para colocar de novo o Santos nos trilhos. O projeto da Nova Vila foi aprovado e o contrato assinado, mas não há previsão de início das obras. Qual a sua posição sobre o projeto e o que fará para acelerar o andamento?A arena é um projeto vital para o clube. Nesse sentido a primeira providência será conversar com a potencial construtora, WTorre, com responsabilidade e senso de urgência que esse assunto merece. Superada essa fase, buscar apoio das autoridades para tentar agilizar ao máximo o processo de autorização de construção, claro, respeitando-se o que determina a lei. Uma vez iniciada a obra da Nova Vila, em qual estádio (ou estádios) o Santos vai mandar os seus jogos?A preferência será jogar no Pacaembu. Obviamente, as conversas com a administração do estádio acontecerão após a eleição. Se não for possível, vamos priorizar as cidades onde haja maior concentração de associados. Essas cidades terão nossa predileção. Só precisaremos analisar a logística que essa escolha implicará. O clube discute há anos a necessidade de um CT moderno para a base, que nunca saiu do papel. Qual é o seu projeto para a base?A construção definitiva de um CT para a base é cláusula pétrea em nosso plano de gestão. Mas não é só isso. É preciso se pensar em como atender esses meninos de forma a desenvolver o sentimento de pertencimento. Isso passa por assistência médica, assistência educacional, assistência odontológica, enfim, esse acolhimento que precisa ser dado a esses meninos tem que ser o nosso foco. Quando eles se sentem parte da família Santos FC, eu entendo que a dedicação e a vontade de ficar no clube serão sempre maiores. Como avalia o atual elenco do Santos? Como pretende reforçar a equipe uma vez que a situação financeira não permite grandes investimentos?Os números e, consequentemente, a campanha falam por si só. Não acredito que haja um único santista satisfeito com o que tem visto. Eu não vou dizer uma reformulação, mas precisamos fortalecer o elenco. Chegadas e saídas são naturais no futebol. Primeiro, nós iremos tomar ciência da situação financeira para entender o que pode ser feito, mas é fato que se não houver investimento no campo não vejo como podemos melhorar nosso desempenho esportivo. De alguma forma, precisaremos encontrar o caminho para atender o futebol sem perder de vista os compromissos assumidos. A comissão técnica e a coordenação de futebol atuais serão mantidas em sua gestão?Nós pensamos no clube, no DNA histórico e no modelo esportivo para o Santos. Primeiro, nós do Comitê de Gestão, pretendemos discutir com a Diretoria Executiva nosso plano de gestão. Após isso caberá a eles levar ao Departamento de Futebol a nossa proposta. Se as partes entenderem que haverá entrega, não vejo razão para mudar, caso contrário, o que é natural, haverá troca. Quais os planos para o futebol feminino do Santos?O futebol feminino vai ser tratado com carinho por nossa gestão. Ele precisa de uma estrutura também, onde as meninas possam treinar, onde as meninas possam jogar, mas é preciso se pensar em uma comissão técnica, médica, scouting, totalmente dedicados às meninas. É preciso investimentos, encontrar apoiadores e patrocinadores, lembrando que as empresas hoje estão muito mais acessíveis quando se trata de futebol feminino, diferentemente de dez ou 15 anos atrás. O senhor é favorável à continuidade do Comitê de Gestão? Como dinamizar e potencializar o acerto na tomada de decisões no clube?Acho que houve uma distorção na função do Comitê de Gestão. O Comitê de Gestão nunca deveria ter sido um órgão de execução, mas, sim, um órgão estratégico. Quando falamos de governança e gestão 100% profissionais, estamos falando de criação de diretorias que vão cuidar do maior produto do Santos FC, que é o futebol. Deixaremos para o Comitê de Gestão as decisões estratégicas, a supervisão do trabalho da Diretoria Executiva, o trabalho institucional, claro, sem perder de vista a responsabilidade esportiva, financeira e administrativa. Qual é a sua opinião sobre a SAF? É a melhor saída para o Santos voltar a ser competitivo ou há outro caminho que possa fazer o clube retomar o protagonismo no Brasil?Sou totalmente favorável à SAF, mas não podemos perder de vista que a SAF não é fim, mas meio. A SAF não resolverá os problemas de gestão do futebol. Existem clubes associativos e SAFs bem administrados e outros mal administrados. Entendo que exista um caminho a ser percorrido para se chegar a ela. Ele começa exigindo pela implementação de uma gestão profissional, apta a entregar metas financeiras, competitividade esportiva e o crescimento constante da marca. É preciso pensar primeiro na arena, robustecer nosso quadro associativo, estruturar fisicamente as categorias de base e, principalmente, entregar desempenho esportivo. Quando chegar esse momento, a SAF precisará garantir ao representante do associado ser ouvido nas decisões chaves, um sistema de pesos e contrapesos, travas e gatilhos, cláusulas de recompra, algo que ainda não existe nas SAF existentes no futebol brasileiro. Um dos grandes equívocos, e nós não iremos por esse caminho, é pensar em uma SAF no curto prazo. Nós precisamos estar preparados e não fragilizados quando esse momento chegar. Uma SAF para chamar de nossa. Somente nossa.