Para o diretor-executivo Pedro Martins, o Santos não precisa, necessariamente, se transformar em SAF (Vanessa Rodrigues/AT) Numa análise crítica sobre o que diagnosticou nos 100 dias ocupando o cargo de diretor-executivo do Santos, Pedro Martins enumerou vários problemas enfrentados pelo clube. Pregando a profissionalização da gestão, ele destacou a importância de Neymar no processo de reconstrução da imagem do Alvinegro. O dirigente também não vê, necessariamente, a transformação do clube em SAF como determinante para que o Peixe volte a ser protagonista no futebol brasileiro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O Santos não precisa virar SAF. Defendo bons modelos de gestão. Se você equilibra o clube financeiramente, busca a sustentabilidade, você não precisa virar SAF. Presidente (Marcelo Teixeira) quer que sejamos bem geridos. Se nesse processo virar SAF, é porque escolheu o caminho. Muitos clubes precisaram virar SAF e tomaram decisões erradas. Se você escolhe esse caminho é diferente. E isso só ocorre se for bem gerido", diz Martins. Dentro do amarrado processo de modernização do Santos, ainda atrelado às velhas práticas de um clube que parou no tempo, o diretor-executivo aponta a vinda de Neymar como um fator que tem contribuído para acelerar etapas. "Neymar foi fundamental na reconstrução da credibilidade e na aceleração da reconstrução do Santos. Quando falo Neymar é Neymar e estafe. As mudanças que queremos fazer, a busca de novos parceiros comerciais. Ele tem impacto dentro e fora do campo. É um esforço grande para acelerar etapas. Dentro do campo, apesar dele ter essa pausa para fortalecer, eu vejo o Neymar feliz com o projeto que está sendo construído. Mas é preciso ver a realidade atual. O Santos está distante dos outros clubes com receita e não é condizente com a realidade". Apesar do aumento de receitas com o retorno do camisa 10, com o crescimento no quadro de sócios e contratos de patrocínio mais turbinados, o Santos está longe de ser autossuficiente sem ter que abrir mão de seus talentos. "Neymar é uma alavanca importante. Conversamos com empresas que aumentaram o valor pela presença de Neymar. Mas é um clube que ainda não vive sem a venda de jogadores. É um clube que precisa formar e vender. Sem a estrutura do estádio que imaginamos, com mais torcedores, ainda é um clube que precisa vender para equilibrar as contas", afirma Martins. Reconstrução com o pé no freio Depois da experiência infeliz com o técnico Pedro Caixinha, demitido após apenas 17 jogos e um desempenho pífio na temporada, Pedro Martins garantiu que o Santos vai levar o tempo necessário para escolher o novo comandante. O profissional que chegar também virá consciente de que, depois de 11 contratações na temporada, o clube botou o pé no freio e não fará grandes investimentos ao longo do ano. "Eu falo para treinador e para colaboradores que podem vir que é um cenário de reconstrução. É injusto falar para qualquer pessoa que virá uma mentira, que é um cenário perfeito. Não é. Existem dois grandes compromissos. Primeiro é fazer muito com pouco. Dá para montar equipes competitivas com estilo de jogo que dê prazer e orgulho, mesmo sabendo que teremos dificuldades no mercado. Não vamos sair comprando como nossos competidores. Tudo isso está num plano de trabalho que apresentamos a quem venha. A grande maioria dos jogadores que vieram são empréstimos com opção de compra. Tirando o Rollheiser e o Neymar, são operações gratuitas ou de custo baixo. Precisamos lembrar sempre que é um projeto de reconstrução".