Ao se levantar, o Rei tira a camisa listrada, recebe rápidos cumprimentos e começa a volta olímpica, sob aplausos, gritos de 'Fica, fica' e assédio da imprensa até descer para o vestiário (Arquivo A Tribuna) Normalmente são os súditos que se ajoelham diante de seus reis. No entanto, há 50 anos, na noite de 2 de outubro de 1974, uma quarta-feira, Pelé subverteu a ordem natural das coisas, o que não era surpresa para alguém capaz de lances mágicos ao redor do mundo. A data marcou o adeus dele aos profissionais do Santos. A despedida definitiva aconteceu três anos depois, em 1 de outubro de 1977, com a camisa do Cosmos, dos Estados Unidos, justamente contra o Peixe. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ainda que as imagens estejam na mente de qualquer apaixonado pelo futebol, mesmo dos que não estiveram na Vila Belmiro, relembre (ou conheça) 10 curiosidades - número que convém ao eterno Rei do Futebol - a respeito daqueles minutos históricos. Momento, adversário e competição O adeus de Pelé aconteceu aos 21 minutos do primeiro tempo da partida entre Santos e Ponte Preta, na Vila Belmiro, pelo Paulistão. O Peixe venceu por 2 a 0, com gols de Cláudio Adão, aos 30 da etapa inicial, e Geraldo (contra), aos 11 do segundo tempo O último lance Aos 20 minutos da etapa inicial, após centro da direita de Wilson Campos, Pelé subiu de cabeça, mas o goleiro Carlos defendeu. Os pés de Pelé eram o endereço certo dos passes. Da Silva, então com 17 anos e estreando naquela noite nos profissionais do Santos, até se esforçou. "Tentei três, quatro vezes fazer tabela com o Rei, mas era complicado", relembrou, em 2014, para A Tribuna. No lance, Pelé provou sua grande impulsão: Oscar tem 1m86 de altura e o Rei do Futebol, 1m74 (Arquivo A Tribuna) Impulsão real O zagueiro Oscar, ainda em começo de carreira na Ponte Preta e, posteriormente, convocado para três Copas do Mundo (1978, 1982 e 1986), era o marcador de Pelé no último lance. Detalhe: Oscar tem 1m86 de altura e o Rei do Futebol, com 1m74, provou sua grande impulsão. Como foi Depois da cabeçada, Pelé corre desde a grande área ofensiva até o círculo central do gramado da Vila Belmiro, pede a bola, que coloca ao seu lado, ajoelha-se e, de braços abertos, volta-se para todos os quatro lados do estádio. Ao se levantar, o Rei tira a camisa listrada, recebe rápidos cumprimentos e começa a volta olímpica, sob aplausos, gritos de 'Fica, fica' e assédio da imprensa até descer para o vestiário. Tudo em cinco minutos. Estranhamento O volante Léo Oliveira ficou surpreso com o pedido de Pelé, para que desse a bola a ele. "Foi diferente do normal. Aí dei um toque, ele pegou a bola com as mãos e se ajoelhou. Gostei porque ele pediu a bola para mim. Marcou minha carreira", contou, em 2014, para A Tribuna. Timidez O zagueiro Oscar pensou em pedir a camisa a Pelé como recordação, mas a timidez o impediu. "Quando ele pega na bola e ajoelha, eu cheguei próximo e estava louco para pedir a camisa. Mas fiquei com vergonha. Era juvenil e começava a carreira. Quando começou aquele tumulto, com a entrada dos jornalistas na volta olímpica, aí não deu mais", revelou, em 2014, para A Tribuna. O árbitro Emídio Marques de Mesquita foi ágil para pegar a bola do jogo (Arquivo A Tribuna) A bola O árbitro Emídio Marques de Mesquita foi ágil para pegar a bola do jogo. Quando Pelé, ajoelhado, voltou-se com os braços abertos para o lado direito do estádio, sob o ângulo das cabines de imprensa, ele passou o pé sobre a redonda e a colocou nas mãos. "Tinha um bico no bolso, comecei a esvaziá-la, fui à mesa do delegado da partida e fiz a troca", detalhou, em 2014, para A Tribuna. Outras mãos A bola, porém, foi entregue por Emídio para José Ermírio de Moraes Filho, então presidente da Federação Paulista e o que indicou como árbitro internacional. Com a morte do dirigente, em 2001, a recordação passou para o filho do dirigente. Presente O amigo de sempre do Rei, Manoel Maria, entrou junto com Pelé no vestiário. Ele também defendeu o Peixe, mas estava fora naquela ocasião. “Fui lá apenas para dar um abraço. Ele me deu a atadura e eu guardava como um troféu. Ele me agradeceu e eu disse que era eu quem tinha que dizer obrigado por ter dado o prazer de ter jogado com ele”, relembrou o ex-jogador em 2014 para A Tribuna. A camisa 15 foi vestida por Gilson naquela noite e ele a mostrou para A Tribuna em 2014 (Rogério Soares/Arquivo AT) Substituto Quem entrou em lugar de Pelé no jogo contra a Ponte Preta foi o ponta-direita Gilson, usando a camisa 15 e que é guardada até hoje. Ele, que participou dos dois gols do Peixe, estava há apenas dois meses no Santos e já tinha sido avisado, após conversa de meia hora com o então supervisor Pepe (o técnico era Elba de Paula Lima, o Tim), de que seria o substituto.