Atuante no mercado, com cinco contratações, o Santos confirmou na tarde desta segunda (14) o meia Philippe Coutinho, último reforço da temporada. Se a chegada gera expectativa em torno da atuação do jogador, a forma como o Alvinegro escolheu para apresentar o reforço foi negativa. Na semana passada, o clube havia anunciado a apresentação do lateral-direito Rodinei para esta segunda e decidiu, de última hora, incluir Coutinho na entrevista, na Vila Belmiro. Sem jogar desde fevereiro, quando rescindiu contrato com o Vasco, para cuidar da saúde mental, Coutinho falou sobre os protestos da torcida vascaína. Nos últimos dias, o meia foi criticado pelos torcedores do time carioca, que queimaram camisas do jogador, em protesto pela sua negociação com o Peixe. “Tenho visto algumas coisas, mas tentando me blindar. Repercussão foi grande, fico triste por isso. O Vasco, para mim, sempre foi a minha casa. Fui criado no Vasco, joguei a base toda, subi ao profissional. Sempre deixei claro o carinho, gratidão e amor pelo clube. Na ocasião, voltando lá atrás, quando surgiu a oportunidade de vir para o Vasco (no ano passado), eu tinha um ano a mais no Qatar e ganhava US\$ 10 milhões limpos. Nunca falei. E tinha um ano a mais de contrato no Aston Villa. Não queria que o Vasco gastasse um centavo com a transferência. Única forma era abrir mão disso tudo. Do meu salário de um ano, e dos valores do Aston Villa. Deixei tudo na mesa e vim", relatou Coutinho. O meia não escondeu o incômodo com a repercussão negativa junto aos vascaínos, mas frisou a sua conexão com o clube e a necessidade de dar um tempo naquele momento de maior pressão na carreira. "Minha vinda ao Vasco foi por carinho e amor ao clube. Tive possibilidade de jogar final da Copa do Brasil, perdemos infelizmente, foi muito pesado. Ganhei muitos títulos fora e vim com essa mentalidade de vencer e me tornar um ídolo. Não foi possível. Ano começou, não estávamos tão bem. Estádio inteiro me xingando, pedindo saída. Sei que acontece, mas isso foi muito duro. Tomei a decisão para priorizar minha saúde, sabia das consequências. Fui totalmente honesto comigo e com meus sentimentos. Nunca abandonei o Vasco. Estava no meu limite e assim não conseguiria contribuir em nada. Sou muito fechado, falei de números que não gostaria de falar, mas vai ser bom para entenderem”, desabafou. Amizade e influência de Neymar Coutinho também comentou sobre a amizade de longa data com Neymar, o contrato curto com o Santos, até o final da temporada, e deixou o futuro em aberto. "(Neymar é) Meu amigo desde criança. Primeira pessoa do futebol que me mandou mensagem quando saí do Vasco. Disse que seria um prazer, mas que ali não tinha como vir. Não fazia sentido. Se passaram alguns meses, dei a mesma resposta. Na última, há duas semanas, outra mensagem (de Neymar). Parei, pensei, repensei e já tinha vontade de voltar a jogar bola. Por que não? Outra cidade. Seria injusto comigo eu não poder voltar a jogar bola. Quero agradecer ao presidente Marcelo Teixeira, ao (Alexandre) Mattos, e ao Ney pelo convite. Estou feliz por aceitar esse desafio”. Vai estrear quando? Coutinho não quis dar um prazo de quando estará apto para estrear no Santos. Após o jogo contra o Cruzeiro, sábado, o técnico Cuca elogiou a chegada do meia, disse que ele já havia treinado com o elenco e que pretende usar a Data Fifa para colocar o jogador em forma. Mas, na coletiva, o meia falou que ainda não treinou com o grupo e precisa de tempo para readaptação. "Me sinto bem, nesse período todo eu estive treinando. Não é a mesma coisa que jogar futebol, mas me sinto preparado. Dar uma data (para a estreia) vai ser difícil agora. Nem treinei com o grupo ainda. Preciso desse tempo para conhecer, a forma de trabalho do treinador, me readaptar. Espero que seja o quanto antes. Não vão faltar trabalho e dedicação para isso”, disse Coutinho, que recebeu a camisa 11 de Rony, que a partir de agora vai vestir a 33. Calor no Alçapão Coutinho esteve presente no sábado, na Vila, ao lado de Neymar, Gabigol e outros jogadores do Santos que ficaram fora do jogo contra o Cruzeiro. E gostou do clima do caldeirão santista. "Foi bacana o contato, apesar de rápido. Tava bonito ver o Rodi jogando, deitou (risos). O time todo fez uma partida espetacular. Estava bonito de ver. A atmosfera estava bonita. Saí só com coisas boas". "Em casa", Rodinei projeta decisão contra o Galo Com dois jogos e duas vitórias com a camisa santista, Rodinei já se sente em casa na Vila Belmiro. O lateral-direito falou sobre o desafio de deixar o futebol europeu para voltar ao Brasil jogando no Santos. "Foi complicado, porque eles (Olympiacos, da Grécia) não queriam que eu saísse. Foi uma decisão de vir vestir a camisa e fazer história em mais um grande clube". Rodinei também comentou sobre o jogo decisivo contra o Atlético-MG, nesta quarta (16), às 19 horas, na Arena MRV, nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Com a vantagem de 2 a 0 conquistada no jogo de ida, o Alvinegro pode perder por um gol de diferença que avança à semifinal. "Não gosto de falar em chance de título. Não podemos dar salto maior que a perna. Temos uma vantagem para ir para a semifinal. Temos que ir com humildade. Pensar em título só quando chegar na final".