O presidente Marcelo Teixeira foi cobrado por conselheiros sobre a delicada situação financeira do Santos (Reinaldo Campos/Santos FC) Um grupo de conselheiros do Santos rebateu as alegações da atual gestão sobre a suspensão da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo (CD), na noite de segunda, na Vila Belmiro. A sessão, convocada após requerimento protocolado há mais de um mês, por 48 conselheiros, serviria, entre outros temas, para dirimir dúvidas a respeito da situação financeira do clube e para apresentação de planejamento esportivo e financeiro para o segundo semestre. No entanto, após o Santos não apresentar as informações solicitadas para a sessão presencial do CD, os próprios requerentes pediram o adiamento da reunião. Em nota divulgada na noite de segunda, a direção do Alvinegro justificou que “todas as documentações solicitadas estavam à disposição no Conselho Fiscal para todos os conselheiros, junto com as respectivas prestações de contas dos dois primeiros trimestres de 2026”. Os conselheiros refutaram o posicionamento da gestão, porque o requerimento pedia reunião presencial, com o comparecimento do presidente Marcelo Teixeira, membros do Comitê de Gestão, do executivo de futebol, Alexandre Mattos, e de representantes do departamento financeiro. Teixeira e dirigentes foram à reunião presencial, mas Mattos não estava presente. Segundo o Santos, o executivo de futebol participaria remotamente da reunião, mas não entrou no link disponibilizado porque o encontro foi cancelado pelo presidente do CD, Fernando Akaoui. Ele justificou que informações sobre contratos têm cláusulas de confidencialidade, que não poderiam ser expostas num encontro em que alguns conselheiros participavam remotamente. Ainda não há data definida para nova sessão extraordinária. Confira a íntegra da nota dos 48 conselheiros: “Diante do comunicado divulgado sobre a Sessão Extraordinária do Conselho Deliberativo desta segunda-feira (24), os conselheiros que subscreveram o requerimento protocolado em 23/07 vêm esclarecer os fatos. O documento, que pedia uma Reunião Extraordinária Presencial, solicitava informações e documentação para análise prévia sobre seis pontos, incluindo planejamento esportivo, situação financeira atual do Clube, dívidas com outras instituições esportivas, débitos com atletas, rescisões e acordos, além do planejamento financeiro para o segundo semestre. Também foi estabelecido que todo o material deveria estar disponível com três dias de antecedência à reunião. Isso não foi cumprido. Apenas um dos pontos foi apresentado documentalmente; os demais seriam esclarecidos verbalmente durante a sessão. Ter profissionais disponíveis para responder perguntas não substitui a apresentação prévia dos documentos solicitados. O requerimento foi protocolado há mais de um mês, portanto houve tempo suficiente para o atendimento integral da solicitação. Também foi requerida a participação presencial de Alexandre Mattos, diante dos temas relacionados ao futebol profissional, mas ele não estava. Diante do não atendimento das condições solicitadas, os conselheiros requerentes pediram a suspensão da reunião. Não foi a falta de disposição para o diálogo que interrompeu a reunião, mas a ausência da documentação necessária para que esse diálogo pudesse ocorrer. A próxima reunião sobre o tema, exclusivamente presencial, deverá permitir que os documentos sejam disponibilizados com a antecedência necessária. Os conselheiros são a favor do diálogo, mas não existe discussão séria sem documentos para análise. Por respeito ao Santos Futebol Clube, aos seus associados e à sua torcida, é fundamental que os fatos sejam apresentados como realmente aconteceram”.