[[legacy_image_305949]] O ex-jogador e ex-coordenador esportivo do Santos, Paulo Roberto Falcão, se manifestou nas redes sociais neste sábado (21), após arquivamento feito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido do Ministério Público, do inquérito policial que investigava suposto crime de importunação sexual cometido por ele. A denúncia foi feita por uma funcionária de um hotel de Santos. "De minha parte, foram 77 dias de silêncio, em respeito às autoridades e à investigação, que corria em sigilo. Sempre acreditei que os fatos seriam devidamente esclarecidos. Agora, posso seguir com o meu trabalho, os meus projetos e a minha vida", escreveu Falcão, que completou 70 anos no último dia 16. Segundo o juiz Leonardo de Mello Gonçalves, da 2ª Vara Criminal de Santos, não há indícios da ocorrência de ilícito penal. "Não sendo possível concluir que o investigado tenha praticado em face da vítima ato libidinoso, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia", escreveu o juiz. De acordo com o magistrado, "nem todo contato físico pode ser interpretado como ato libidinoso". O ex-jogador também fez questão de expressar gratidão às pessoas que não fizeram prejulgamentos. "Espero que esse caso, que despertou tantos ataques precipitados contra mim, contribua para que as pessoas reflitam mais antes de condenar alguém. Agradeço à minha família, aos amigos, aos colegas e a todas as pessoas que me enviaram manifestações de apoio e de carinho", completou. O outro ladoOs advogados Pâmela Mendes e Pedro Grobman, representantes da vítima, identificada por eles como Nathália, também emitiram nota a respeito do arquivamento do processo, que encararam com surpresa. "A notícia do arquivamento do processo é profundamente preocupante e lança luz sobre as complexidades e desafios que as vítimas de importunação sexual muitas vezes enfrentam ao buscar justiça", diz. Os advogados disseram que se comprometem a "investigar minuciosamente todos os aspectos do caso, examinando de forma abrangente a documentação relevante e tomando todas as medidas necessárias para garantir que os direitos da nossa cliente sejam respeitados". Os representantes colocaram, ainda, que o caso "ressalta questões cruciais que envolvem o sistema de justiça e a forma como as denúncias deste tipo são tratadas" e que "a decisão de arquivar o processo deixa dúvidas sobre a eficácia das medidas existentes para abordar crimes de importação sexual e proteger as vítimas". E finaliza: "Continuamos firmemente comprometidos em buscar justiça em nome de Nathália e em garantir que todas as vozes das vítimas de importunação sexual sejam ouvidas. Acreditamos que, ao destacar esse caso, podemos contribuir para a conscientização pública e para a necessidade de reformas no sistema de justiça que garantam a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores". Relembre o caso A mulher, de 26 anos, registrou boletim de ocorrência em 4 de agosto na Delegacia de Defesa da Mulher da Cidade. Segundo a recepcionista, nos dias 2 e 4 de agosto, Falcão, que morava no local, teria entrado numa área restrita para funcionários com roupas em mãos para mandar lavar. Antes de entregar as peças, Falcão teria se aproximado falando sobre a câmera de monitoramento, momento em que teria roçado a genitália em seu braço. Com a repercussão do caso, Falcão pediu demissão do cargo de coordenador esportivo do Santos e, à época, também se defendeu nas redes sociais. "Sobre a acusação, que recebi com surpresa pela mídia, afirmo que não aconteceu".